terça-feira, 20 de setembro de 2016

Os processos mudam, os brasileiros não.

Imagem apenas ilustrativa captada do google.
Brasil, um país de dois povos: os que são e os que imaginam ser.


As redes sociais de forma bastante interessante têm contribuído muito para uma mudança radical na forma de pensar, agir e enxergar o mundo das atuais gerações e certamente serão muito mais eficientes para as próximas. Posso afirmar que me sinto outra pessoa ao saber que quaisquer dos meus maus textos e pouco instrucionais como são os meus, ganham o mundo em segundos. Não faz muito tempo que apenas três ou quatro meios de comunicações chegavam a maioria da população com as notícias trazendo os novos acontecimentos sociais e políticos do nosso país, um deles muito eficiente até hoje é o rádio, adoro até nos dias atuais. Praticamente não faz mais sentido hoje ficar na frente de uma TV esperando o telejornal preferido, tenho tudo na palma da minha mão praticamente em tempo real, algumas coisas até são em tempo real.

Realmente, tudo mudou ou quase tudo. Será que o ser humano mudou de tal forma como os processos? Claro que não. Exatamente por não ter mudado é que continua existindo um grande gap entre desenvolvimento científico/tecnológico e as atitudes humanas. O homem lida com tudo de novo, se adapta rapidamente às mudanças, buscam novas alternativas e criações, mas não evolui na mesma velocidade a sua forma de agir, tomar atitudes, se relacionar com seus semelhantes e principalmente se comportar socialmente.

Nos dias atuais a maioria dos brasileiros tem opinião formada sobre corrupção, crise política e econômica, golpes, desvios de verbas, propinas e outros do gênero. Temos mais de duzentos milhões de juízes, cada um com sua receita pronta de como agir contra tudo e todos que não lhes agradam, vivemos uma desenfreada onda de protestos dos mais variados, porém fica a pergunta. Quem tem dado exemplo positivo que justifique suas posições contrárias a tudo que vem acontecendo? Certamente esse montante de juízes sofrerá uma grande redução.

Há mais de trinta anos quando eu estava por trás de um balcão de farmácia eu já olhava de longe para os clientes que entravam na loja, e numa velocidade incrível eu já identificava o perfil daquele cliente, tinha uma quase certeira identificação se o indivíduo tinha origem simples, humilde, pessoa do interior com menos esclarecimentos ou o contrário disso. Essa compra de livro pela capa eu fazia com o objetivo de seleciona-la para indicar um medicamento ou sugerir até uma troca do produto solicitado por um daqueles que me pagavam 10% de comissão.

O tempo passou, optei seguir no mesmo segmento, mas dessa vez como propagandista de uma indústria farmacêutica que por sinal não trabalhava com as mesmas políticas daquelas que através de negociação com o proprietário nos pagavam tais comissionamentos. Mas quem disse que pagar comissão é crime? Claro que não é, até hoje muitos empresários optam por essa modalidade de remuneração de seus empregados. Medicamento é uma mercadoria igual a qualquer outra? Entendo que não. Entendo hoje que medicamento é produto de saúde e saúde não é mercadoria. Quando eu escolhia meu alvo, eu tinha uma prioridade, ganhar 10% daquele valor pago pelo cliente, confesso que eu não estava preocupado com a necessidade do cliente e sim com minhas metas.

Hoje chego nos pontos de vendas para expor meus produtos, falar de seus benefícios, de suas vantagens e outras características e escuto com todas as letras de muitos balconistas a seguinte frase: O que vamos ganhar a mais com isso, esfregando o dedo polegar no indicador. Não tenho como pensar diferente a não ser, nada mudou. Muitos fatores contribuem para tais práticas: desinformação, descaso com a saúde, falta de acesso aos serviços públicos básicos de saúde, cultura oportunista do mercado, falta de atenção com o próximo, falta de compromisso e respeito, ausência total de ética, entre tantas outras mazelas que só enxergamos quando não estamos envolvidos, mas quando sim logo afirmamos que isso é o normal. É inadmissível que a automedicação mate tanto como anda matando e deixem tantas sequelas de forma assustadora e ninguém faça nada, ora, mas quem vai fazer alguma coisa? Certamente quem deveria fazer alguma coisa seriam as vítimas se conscientes fossem. Quem pode eliminar as mazelas da política senão os eleitores? Qual é o respeito que a maioria dos eleitores têm com seus votos? Pode hoje o cidadão que não respeita a saúde, que é a base de sua vida e dos seus semelhantes, fazer valer seu direito como cidadão para criticar maus gestores do dinheiro público? O Brasil do jeito que está não tem jeito, mas tem muito potencial se mudar os valores de seus cidadãos para se tornar uma das maiores potências econômicas do planeta.

Não precisa ser cientista bem formado, um doutor das letras ou grande sábio para enxergar o básico que está logo a nossa frente. Nossa falta de educação doméstica, nosso mal suporte educador hoje oferecido nas escolas, inclusive na rede privada, e o desconhecimento da ética junto a falta de amor ao próximo, colocam nossa sociedade onde ela está. Colhemos o que plantamos, mesmo que em terrenos diferentes. Brasileiro cobra dos brasileiros seriedade, moral, respeito e outros direitos a mais que se julga tê-los, mas quando avaliamos o que oferece, encontramos uma grande lacuna entre uma coisa e a outra.


Texto escrito por Teófilo Fernandes, cidadão brasileiro.