Por
Ben Hirschler e Sophie Sassard
7 Fev
(Reuters) - Empresas farmacêuticas internacionais estão considerando fazer uma
proposta pela Aché, uma das maiores fabricantes de medicamentos do Brasil, em
um negócio estimado em vários bilhões de dólares, disseram fontes envolvidas no
processo.
A Aché, de
capital fechado, poderia atrair uma série de laboratórios que procuram aumentar
sua presença na América Latina --uma região no radar dos grandes grupos
farmacêuticos que buscam novos mercados para compensar vendas tépidas em países
desenvolvidos.
Fontes
disseram que o braço brasileiro do banco de investimentos Lazard foi contratado
por acionistas para avaliar a venda da Aché --e muitos grupos da Europa e dos
Estados Unidos demonstraram interesse.
Não está claro
se a venda será concluída, diante de divisões de opinião entre as três famílias
que controlam a Aché, com duas mais dispostas a vender do que a terceira.
O futuro da
Aché foi colocado mais em dúvida pela renúncia na quarta-feira de seu
presidente José Ricardo Mendes da Silva. A assessoria de imprensa do
laboratório disse que o executivo está saindo por razões pessoais e um comitê
gestor vai gerir a empresa.
A assessoria
da Aché recusou comentar se o grupo será vendido. Representantes da Lazard em
Londres disseram que não poderiam comentar sobre o papel do banco no processo.
O Brasil foi
palco de uma série de fusões e aquisições no setor farmacêutico nos últimos
anos, incluindo a compra da fabricante de medicamentos genéricos Medley pela
francesa Sanofi por 500 milhões de euros (670 milhões dólares) em 2009.
A Sanofi pagou
3,3 vezes as vendas históricas da Medley. Um múltiplo semelhante para a Aché,
que tem vendas de cerca de 750 milhões de dólares por ano, atribuiria um valor
de 2,5 bilhões de dólares à companhia.
Na prática, os
proprietários da Aché estariam esperando um montante muito maior, refletindo a
dependência muito menor do laboratório nos medicamentos genéricos, onde as
margens são inferiores.
Não está claro
quais empresas estão avaliando a Aché, mas o Brasil é um foco importante para
muitos dos principais grupos farmacêuticos globais, como Pfizer, GlaxoSmithKline
e Novartis.
Embora ocupe a
quarta posição em termos de vendas totais de remédios no Brasil, a Aché é líder
no mercado de medicamentos com prescrição e tem um histórico de produtos de
marca própria.
Em 2005,
desenvolveu o anti-inflamatório Acheflan a partir de uma planta nativa --o
primeiro medicamento a ser pesquisado e desenvolvido inteiramente no Brasil.
A exposição da
Aché aos genéricos é relativamente limitada. A agência de classificação de
risco Fitch Ratings prevê que o portfólio de genéricos da Aché não represente
mais do que 10 a 15 por cento das receitas futuras.
A Fitch disse
em relatório no mês passado que a posição comercial da Aché está se
fortalecendo e que suas margens de lucro são fortes e estáveis.
A receita da
Aché nos 12 meses até 30 de setembro de 2012 foi de 1,5 bilhão de reais e o
lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em
inglês) foi de 540 milhões de reais, segundo a Fitch.
A Aché tem 3,3
mil empregados, incluindo mais de 1,6 mil representantes de vendas, e também
tem se expandido no exterior, com contratos para exportar 40 medicamentos para
12 países.
(Reportagem
adicional de Vivian Pereira e Brad Haynes)Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/farmaceuticas-globais-miram-laboratorio-ache-dizem-fontes-7520181#ixzz2KMdv2sdX
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