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sábado, 21 de março de 2015

Menopausa masculina existe? Entenda o que médicos dizem

Especialistas debatem se sintomas da queda de testosterona, natural da idade, deve ser tratada com reposição hormonal ou não.
Com o avanço da idade, as taxas hormonais do corpo diminuem naturalmente e, nas mulheres, causam a menopausa. Mas, segundo especialistas e os próprios homens, o sexo masculino também passa pelas mesmas quedas hormonais na meia-idade, que apresentam sintomas parecidos como falta de energia, dificuldade de concentração, irritabilidade e impotência sexual. E, assim como as mulheres, muitos fazem reposição hormonal quando indicado pelo médico. Segundo pesquisa americana, cerca de um em cada cinco homens pode melhorar a situação equilibrando os níveis de testorena com tratamentos adequados.

Saiba mais


Chamada de Terapia de Reposição Hormonal, a indicação dobrou entre os homens na última década e somam mais de 300 mil ao ano somente na Inglaterra, conforme informou o site inglês Daily Mail.
Mas, apesar dos números, a existência ou não da "menopausa masculina" é tema de debate acirrado entre médicos e pesquisadores. De um lado, há aqueles que digam que a ideia de repor testosterona foi imposta pelo mercado farmacêutico norte-americano que, só no último ano, lucrou 2,5 bilhões de libras (aproximadamente R$ 12,2 bilhões) só nos Estados Unidos. As empresas invistem em propagandas pesadas, mas não há pesquisas que comprovem a eficiência do tratamento, muito menos que surtirá efeito a quase todos os homens.
De outro lado, há médicos que dizem que os sintomas dessa possível menopausa nada mais são do que sinais do processo normal de envelhecimento de pessoas que não se cuidaram ao longo da vida. O professor Fred Wu, da Andrology Research Unit de Manchester, explica que com cuidados pontuais os níveis de hormônio se estabililizam facilmente, como é observado nos casos em que os pacientes obesos emagrecem, a diabetes é controlada, a depressão é tratada e as bebidas alcóolicas são suspensas. "Na maioria dos casos, a queda de testosterona  é causada pelas mudanças físicas, mentais e de estilo de vida provocadas pela idade", explica.
Outra discussão é sobre os níveis ideiais de testosterona que o corpo deve ter. Segundo especialistas, eles variam ao longo do dia e de pessoa para pessoa, por isso é uma tarefa "quase impossível" determinar qual a taxa exata um homem deve ter para então saber qual a quantidade precisaria repor. Apenas aqueles com problemas de produção hormonal realmente sérios precisam de tratamento e esse número é de dois para 100 homens.
Por isso, mudar os hábitos de vida, segundo os ingleses, é a melhor maneira de garantir a libido em alta. Como? Tendo o peso ideal, alimentação balanceada, fazer exercício, controlar a diabetes, dormir bem e realizar check-ups regularmente.


Fonte: http://saude.terra.com.br/doencas-e-tratamentos/menopausa-masculina-existe-entenda-o-que-medicos-dizem,d1022d5d3473c410VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html 

sábado, 18 de outubro de 2014

Cada doente com Nevralgia Pós-Herpética seguido em Unidade de Dor custa cerca de 3 mil euros

17/10/2014 - 08:59
Na data em que se assinala o Dia Nacional de Luta Contra a Dor - 17 de Outubro, investigadores do Centro Nacional de Observação em Dor e da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto divulgam pela primeira vez os resultados do Estudo 'Custos e Qualidade de Vida em doentes com Zona ou Nevralgia Pós-Herpética seguidos em Unidades de Dor em Portugal – Estudo Observacional Multicêntrico'.

Um dos resultados mais significativos foi a elevada utilização de serviços de saúde por parte destes doentes e o subsequente e muito relevante impacto económico desta doença. Durante o curso do episódio de Herpes Zoster ou Nevralgia Pós-Herpética a média dos custos totais por doente são estimados em 3.331€. Para este valor contribuem sobretudo os custos directos (medicação, consultas médicas, atendimentos em serviços de urgência, hospitalizações) que são estimados em 3.043€ e dos quais 2/3 representam unicamente custos com medicação. Os custos indirectos são relativamente baixos, mas devem ser encarados no contexto de uma população idosa, maioritariamente reformada e onde apenas 60% reporta ter um cuidador dedicado.

O estudo agora divulgado teve ainda como objectivos avaliar os sintomas e as características da dor associada ao Herpes Zoster e à Nevralgia Pós-Herpética e o respectivo impacto na qualidade de vida do doente, quer ao nível das atividades diárias, quer ao nível da utilização de cuidados de saúde.

Relativamente às características da Nevralgia Pós-Herpética, 28% dos doentes que participaram no estudo referiram dor durante um período de 7-12 meses, 23% durante 1-2 anos e 12% durante 2 a 3 anos. Cinquenta e cinco por cento referiram que a dor é constante e 34% que a mesma é diária. Para 26% dos doentes a intensidade da dor foi classificada como grave e muito grave e para 22% como moderada.

Na fase aguda do episódio de Herpes Zoster 55% dos doentes relatou dor intensa e muito intensa e a localização da erupção cutânea foi sobretudo na região torácica e abdominal.

O estudo conclui ainda que 50% dos doentes já tiveram que recorrer a uma urgência hospitalar pelo menos uma vez e 7% permaneceram internados, em média por cerca de 10 dias.



domingo, 27 de julho de 2014

Entra em vigor isenção de PIS/Cofins sobre 174 medicamentos

Créditos:
Por Lorenna Rodrigues

BRASÍLIA - Entrou em vigor nesta segunda-feira a isenção da cobrança de PIS/Cofins sobre 174 medicamentos, instituída pelo governo federal no mês passado. Isso significa que, a partir de agora, farmácias de todo o Brasil deverão oferecer os itens da lista a um preço em média 12% mais baixo.

A lista com os remédios isentos já havia sido divulgada, mas faltava a publicação dos novos preços pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que passassem a valer, o que foi feito hoje. A estimativa da Receita Federal é que a renúncia de arrecadação com a medida seja de R$ 20 milhões ao ano.

De acordo com o Ministério da Saúde, com a inclusão dos novos produtos, mais de mil itens estão sujeitos ao sistema especial de tributação, 75,4% de todos os medicamentos comercializados no Brasil.

Entre as incluídas estão drogas indicadas para o tratamento de câncer de mama, leucemia, hepatite C e HIV. Há sete anos a lista de medicamentos isentos não era ampliada.

© 2000 – 2014. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A.

O texto foi extraído de: http://www.expressa.com/noticias-e-eventos/noticias?entra-em-vigor-isencao-de-pis-cofins-sobre-174-medicamentos&id=12684

Nota de C&T:
Muito interessante que a sociedade tenha mais conhecimento sobre estes benefícios que eventualmente são lançados para todos os brasileiros. Acredito que ocorreu um estudo de impacto financeiro nos cofres públicos, assim como espero não ser uma medida eleitoreira sem nenhum critério que justifique o velho ditado "descobrir um santo para cobrir outro".
 
Segue anexo link que lista as ultimas drogas inseridas no grupo das já existentes como drogas isentas de PIS/CONFINS.
http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/_Ato2011-2014/2014/Decreto/D8271.htm
 

terça-feira, 22 de julho de 2014

CONHECENDO SUPLEMENTOS ALIMENTARES (4) - ZMA (ZINCO, MAGNÉSIO E VITAMINA B6)


ZMA: o que é, quais seus benefícios, efeitos e como tomar.
 
POR Tarsis - 14/12/2012
 
Você sabe o que é o ZMA? Quais são seus benefícios para o praticante de musculação e seu modo de usar? Conheça detalhes sobre o suplemento que promete ser um "pró-hormonal" natural.
 
O ZMA é um produto que até pouco tempo atrás não era tão falado e procurado como esta sendo nos dias de hoje. Hoje sabemos o quanto é importante a ingestão de nutrientes como o zinco, o magnésio e a vitamina B6 para o praticante de musculação e exercícios físicos em geral. Por isso, hoje vamos aprender mais sobre o ZMA, seus componentes, benefícios e muito mais.
ZMA é o suplemento composto por zinco, magnésio e vitamina B6 em boas concentrações, que promete ajudar no aumento dos hormônios anabólicos, no aumento da massa magra e na força de atletas. Além disto, estudos mostram que a combinação destes nutrientes em formas especiais, podem favorecer o aumento da testosterona, hormônio tão importante para quem busca melhor performance. Por isso, hoje o ZMA pode ser utilizado como um substituto natural ao pró-hormonais, produtos esses que são perigosos a saúde.
Estudos hoje demonstram que o praticante de musculação, no qual treina em alta intensidade, tende a perder zinco e vitamina B6 durante a prática do exercício físico de alta intensidade. O magnésio é outro nutriente que além de ser realmente carente na maioria das pessoas, este se faz ainda mais carente ao praticante de atividades físicas, visto que este nutriente é perdido com o levantamento de peso. Por isso, a reposição destes nutrientes torna-se tão essencial para o bom funcionamento do organismo e para que possamos atingir resultados ainda melhores.
Vamos entender melhor como funciona em nosso organismo cada nutriente do ZMA?
O zinco é um nutriente essencial para nosso corpo, por isso estar em dia com a ingestão dele é fundamental para o bom funcionamento do organismo. Ele atua em nosso organismo intervindo o metabolismo das proteínas ácidos nucleicos, é responsável pelo estimulo de mais de 100 enzimas presentes em nosso corpo, ajuda no sistema imunológico, fortalecendo o mesmo, ajuda na melhora da cicatrização dos ferimentos e etc. Você pode encontrar o zinco em alimentos como carne vermelha, carne de aves, ostras, nozes e etc. A deficiência deste nutriente em nosso organismo pode causar problemas como perda de cabelo, diarréia, impotência sexual, cansaço, perda de apetite, acne e diversos outros problemas.
O magnésio também é um nutriente essencial para o corpo humano e sua maior abundancia é encontra em nossos ossos, visto que uma de suas maiores funções é a de construir e manter nossos ossos e dentes saudáveis. Paralelamente a sua maior função, o magnésio também age no controle de impulsos nervosos e contrações musculares, ativando reações químicas que produzem energia para dentro das células. Você encontra o magnésio em alimentos como nozes, folhas verdes, cereais integrais, leite, pão, soja e etc. A falta deste nutriente pode causar problemas comoansiedade, insônia, náuseas, fraqueza e tremores musculares, anemia, e até mais graves como alucinações, cálculo renal e taquicardia.
A vitamina B6, também conhecida por piridoxina, é uma vitamina que tem um papel bastante importante no metabolismo das proteínas e na respiração das células. Além disto, diferentemente de outras vitaminas, ela não é excretada pelos rins, mas sim fica retida e vai diretamente para os músculos. Outro papel importante dela é no metabolismo dos aminoácidos, favorecendo assim a absorção dos mesmos pelos músculos necessitados. Você pode encontrar a vitamina B6 em alimentos como carnes vermelhas, peixes, levedura, leguminosos e etc. A falta desta vitamina pode causar problemas como: anemia, gengivite, náuseas, irritabilidade, nervosismo e etc.
Agora que entendemos como cada nutriente age em nosso organismo e onde encontrá-los separadamente, vamos entender o porquê de usar o ZMA
Bom como todos sabemos por trás dos suplementos alimentares não há só nutrientes, mas há também estudos e comprovações. Estes estudos são feitos para elaborar uma forma a qual estes nutrientes poderão ser melhor consumidos e absorvidos em nosso organismo, e com o ZMA não foi diferente. A fórmula do ZMA é composta por quantidade e formas muito precisas dos nutrientes, em sua forma de “Aspartato de Monometionina de Zinco”, “Aspartato de Magnésio” e vitamina B6 (piridoxina HCL), por isso existe uma grande diferença entre você consumir os nutrientes isolados e consumir através do ZMA.
Onde comprar o ZMA?
Este é um suplemento liberado para comercialização e utilização em todo o mundo, inclusive no Brasil. Portanto encontrar ele em grandes lojas não é algo complicado de fazer. Porém eu sempre recomendo que se compre pela internet, pela comodidade, preço mais em conta e agilidade na entrega. Se você, assim como eu, gosta de comprar pela internet, peça o seu ZMA clicando aqui.
 
Benefícios do ZMA:
- Melhora no metabolismo de proteínas e aminoácidos;
– Maior produção de testosterona, cerca de 30%;
– Melhora no relaxamento do corpo durante o sono, o que irá proporcionar uma melhor recuperação muscular;
– Útil para redução de câimbras e das tensões musculares;
– Produto anticatabólico, ou seja, irá diminuir as chances de você perder massa magra;
– Melhora a concentração e o reflexo;
– Melhora a retenção hídrica do corpo;e
– Auxilia em uma melhor e mais rápida recuperação de lesões.
 
Uso de ZMA em substituição aos pró-hormonais:
 
Hoje muito tem se usado o ZMA para substituir os pró-hormonais, pois hoje sabemos o quanto estes pró-hormonais podem ser prejudiciais a nossa saúde, e em muitas das vezes são anabolizantes disfarçados.
Apesar do ZMA não ser tão forte e não ser um produto que irá garantir resultados a curto prazo, ele não precisa ser usado em ciclos, e pode ser usado constantemente, durante todo o ano, promovendo assim uma melhor absorção dos nutrientes e construção de um músculo e organismo mais saudável. Além disto, muitos atletas vem usando o ZMA, já que eles são feitos com base em nutrientes minerais naturais e não caem em sistemas de anti-dopping. Por isso, fique espero com seu pró-hormonal, prefira sempre suplementos alimentares naturais e que sejam liberados em seu país.
 
Modo de usar o ZMA:
Sempre indico que use o suplemento de acordo com o descrito na embalagem. Porém estudos mostram que uma ótima forma de se usar o ZMA é cerca de 30 minutos antes de seu treino e 30 minutos antes de dormir.
Uma dica de consumo do produto é não utilizar em conjunto, imediatamente antes ou após o consumo de algum alimento que contenha cálcio, como o leite, iogurte e etc. Pois o cálcio irá atrapalhar na absorção do ZMA, prejudicando todos os benefícios do produto.
 
Conclusão:
O ZMA é um bom suplemento e que através de diversos estudos vem mostrando sim uma boa eficácia para os objetivos propostos. Portanto a inclusão deste suplemento em seu blend, vale a pena, desde que você já tenha uma ótima alimentação e que ainda lhe sobre dinheiro para tal. Caso não seja possível, melhorar a ingestão dos nutrientes isolados pode ser uma opção válida, mas não se comparada ao ZMA.
O produto ZMA é um suplemento registrado na ANVISA e portanto pode ser comprado no Brasil.
 
 
   Apresentação: Potes de 90 cápsulas
Informação nutricional
Porção de 2 cápsulas (1200mg)
Quantidade por porção
%V.D. (*)
Valor Energético
0kcal= 0KJ
0%
Zinco
7mg
100%
Magnésio
260mg
100%
Vitamina B6
1,3mg
100%
Não contém quantidades significativas de valor energético, carboidratos, proteínas, gorduras totais, gorduras trans, gorduras saturadas, sódio e fibra alimentar. % Valores diários de referência com base em uma dieta de 2000Kcal ou 8400KJ. Seus valores diários de referência podem ser maiores ou menores dependendo de suas necessidades energéticas.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Prescrição Racional de Medicamentos em Odontologia.

Qual o papel do odontólogo na busca do uso racional de medicamentos? É preciso vencer a visão da indústria que estimula a automedicação, melhorar a formação e combater a ideia de que o profissional tem restrições para prescrever.

Autor: Gláucio de Morais e Silva*

O Uso Irracional de Medicamentos tem suscitado discussão de fundamental importância e grande relevância, pois antes de tudo, é um problema de saúde pública e fonte de preocupação dos gestores e farmacoeconomistas de todo o mundo.

No Brasil, pelo menos 35% dos medicamentos adquiridos utilizados na automedicação. Os medicamentos respondem por 27% das intoxicações e 16% dos casos de morte por intoxicações. Além disso, segundo a OMS, no mundo, 50% de todos os medicamentos são prescritos, dispensados ou usados inadequadamente. De 25 a 70% do gasto em saúde, nos municípios brasileiros, correspondem a medicamentos, em comparação a menos de 15% nos países desenvolvidos, como, por exemplo, a França, que gasta 11%. Os hospitais gastam de 15 a 20% de seus orçamentos para lidar com as complicações causadas pelo mau uso dos medicamentos, sem esquecer o uso exagerado na aplicação de injetáveis e uso indiscriminado de antimicrobianos.

A Organização Mundial de Saúde define que há uso racional de medicamentos quando os pacientes recebem medicamentos apropriados para suas condições clínicas, em doses adequadas às suas necessidades individuais, por um período adequado e ao menor custo para si e para a sua comunidade. Parece simples executar o uso racional de medicamentos, mas o que se mostra é uma realidade muito diferente.

Apesar da melhora no acesso aos serviços de saúde na última década, o usuário ainda encontra dificuldades para ser atendido pelo profissional prescritor (Cirurgião-Dentista e Médico). A indústria, que com a visão centrada nos lucros investe duas vezes mais em marketing do que em pesquisa e em desenvolvimento, tem sido um estímulo frequente para o uso inadequado dos medicamentos. Sobretudo porque tende a ressaltar os benefícios e omitir ou minimizar os riscos e os possíveis efeitos adversos, dando a impressão, especialmente ao público leigo, que são produtos inócuos, influenciando-os a consumir como qualquer outra mercadoria. “Tá com dor de cabeça? chama a Neosa” diz o comercial que faz referência à dipirona, analgésico de venda livre e menor segurança clínica disponível no Brasil.

O Cirurgião-Dentista, geralmente, não se interessa pelas discussões envolvendo o tema prescrição de medicamentos. É o reflexo de sua formação acadêmica, onde o conteúdo de base teórica em farmacologia é dissociado das necessidades clínicas. No Sistema Único de Saúde, não há nenhum interesse dos gestores estaduais e municipais em educação continuada de seus profissionais.

Há necessidade de considerar vários aspectos para alcançar os objetivos do uso racional de medicamentos, dentre eles a orientação e conscientização dos usuários, profissionais de saúde, políticas públicas, indústria farmacêutica, o comércio, especialmente as ações de governo.

A principal ação institucional, no Brasil, em favor do incentivo ao uso racional de medicamentos foi a criação, em 2007, por meio da Portaria nº 427/2007, do Comitê Nacional para a Promoção do Uso Racional de Medicamentos pelo Ministério da Saúde do Brasil, atendendo uma recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS). Compõem esse Comitê várias instituições, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), os Conselho Federais de Odontologia, Medicina, Farmácia, Ministério da Educação e Cultura (MEC), Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS), Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), entre outros. O Comitê possui caráter consultivo e tem por finalidade orientar e propor ações, estratégias, atividades, identificar e propor estratégias e mecanismos de articulação, monitoramento e avaliação direcionados à promoção do uso racional de medicamentos, de acordo com os princípios e as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS).

O cirurgião-dentista pode prescrever qualquer classe de medicamentos que tenha indicação comprovada em odontologia, inclusive os de uso controlado. Os mais comumente administrados pelos cirurgiões-dentistas são anti-inflamatórios, analgésicos e antimicrobianos, exigindo, entretanto, que profissional tenha conhecimento farmacológico da medicação prescrita, bem como seus adversos, possíveis interações, indicações e contraindicações.

É comum se ter notícias de colegas que tiveram suas prescrições não dispensadas na farmácia pelo farmacêutico, sob a alegação de que “o dentista não pode prescrever esse ou aquele medicamento”, especialmente os de controle, às vezes por desconhecimento do profissional farmacêutico sobre os medicamentos que, embora não sejam fármacos usualmente prescritos pelo Cirurgião-dentista, têm indicação em algumas situações especiais.

Em primeiro lugar, vejamos o suporte legal que confere legitimidade à prescrição: A prescrição de medicamentos pelo Cirurgião-Dentista é regulamentada pela Lei 5.081, de 24 de agosto de 1966, a qual determina, no artigo 6, inciso I: “que o profissional deve praticar todos os atos pertinentes à Odontologia, decorrentes de conhecimentos adquiridos em curso regular ou em cursos de pós-graduação” e no inciso II: “que compete aos Cirurgiões-Dentistas prescrever e aplicar especialidades farmacêuticas de uso interno e externo, indicadas em Odontologia”. O inciso VIII ainda afirma que é direito do Cirurgião-Dentista“prescrever e aplicar medicação de urgência no caso de acidentes graves que comprometam a vida e a saúde do paciente”.

Conforme disposto na Portaria SVS/MS n.º 344/98, o cirurgião-dentista somente pode prescrever substâncias e medicamentos sujeitos ao controle especial para uso odontológico (artigo 38 e 55, § 1º), ou seja, a portaria permite aos dentistas que prescrevam tanto na Notificação de Receita A (amarelo) e B (azul) como na Receita de Controle Especial.

Não existe uma lista do que deve ou não ser prescrito, criar listas de restrições para prescrição pelo odontólogo seria desconsiderar os rápidos avanços da ciência, pois o medicamento que hoje não tem indicação em odontologia, num futuro poderá ter, exemplo disso é a talidomida, antes sem indicação em odontologia, atualmente indicada, com redução em até 90% nos casos de aftas e recorrentes em pacientes imunossuprimidos e nas aftas complexas causadas pela doença de Behçet. Portanto, não é o medicamento em si que é permitido ou não, mas o uso a que ele se destina.

Não há justificativa para um cirurgião-dentista prescrever, por exemplo, medicamentos para doença de Parkinson ou mal de Alzheimer, tratar obesidade (anorexígenos), anabolizantes, déficit de atenção com hiperatividade, depressão ou epilepsia, tratar a diabetes ou hipertensão.

Os principais fármacos sujeitos a controle, os quais o cirurgião-dentista pode utilizar no seu arsenal terapêutico são: Analgésicos Opióides que podem ser agonistas fracos (codeína, tramadol, propoxifeno, etc.), utilizados em dores de moderadas a intensas causadas por pós-operatório nas cirurgias orais menores e extra-orais; e potentes (morfina), de boa eficácia no tratamento de pacientes com dor oncológica, mista ou neuropática.

Os benzodiazepínicos utilizados (alprazolam, bromazepam e diazepam, etc.), que apresentam ação ansiolítica, hipnótica e mio-relaxante, objetivando realizar sedação consciente, indicados em pacientes acometidos de intensa ansiedade por ocasião do atendimento.

Os antidepressivos (amitriptilina, imipramina, desipramina, paroxetina, fluoxetina, mianserina, dexepina) e anticonvulsivantes (fenitoína, ácido valproico, topiramato, lamotrigina, gabapentina, carbamazepina, etc.) em dores neuropáticas (neuralgia do trigêmeo, neuropatia pós-traumática, dores pós-herpética), doenças crônicas com disfunção da articulação temporomandibular (ATM), síndrome da ardência bucal e dores oncológicas, entre outras. Indicações sempre embasadas em judiciosa anamnese, diagnóstico preciso, individualizando a conduta no manejo do paciente e bom senso por parte do profissional.

A lei nº 5.991, de 17 de dezembro de 1973 que dispõe sobre o controle sanitário do comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, capítulo VI - Do Receituário no art. 41 determina: “Quando a dosagem do medicamento prescrito ultrapassar os limites farmacológicos ou a prescrição apresentar incompatibilidades, o responsável técnico pelo estabelecimento solicitará confirmação expressa ao profissional que a prescreveu”. Estes esclarecimentos podem ser obtidos pelo telefone ou por escrito, ou através do Conselho Regional de Odontologia, que ouvirá o profissional e emitirá parecer.

Recusar-se a dispensar o medicamento ao paciente, sem base na legislação ou sem consulta ao profissional prescritor pode representar grave infração ética ao farmacêutico, além de repercutir negativamente na relação paciente-CD, representando ainda um dano maior ao paciente, pois este não poderá utilizar medicação recomendada, restando prejudicado o tratamento e possibilidade de exacerbação dos sintomas.

*Mestrado em Química em sistemas de liberação controlada de fármacos (Drug delivery system) pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Representante do Conselho Federal de Odontologia (CFO) no Comitê Nacional para Promoção do Uso Racional de Medicamentos do Ministério da Saúde (MS)2013-2014. Presidente do Conselho Regional de Odontologia do Rio Grande do Norte (CRO-RN). Professor de Farmacologia Aplicada à Odontologia da Escola de Aperfeiçoamento Profissional (EAP) da Associação Brasileira de Odontologia-Seção RN.

 


Casos de VIH (AIDS) nos idosos estão a aumentar

21/07/2014
O desconhecimento e o medo de transmitir a doença impedem muitos avós com VIH de abraçar, pegar ao colo ou beijar os netos. Entre 1983 e 2012, quase seis mil portugueses com mais de 50 Casos anos foram diagnosticados com o Vírus da Imunodeficiência Humana e a tendência é de que este número continue a crescer com o aumento da idade média dos infectados, avança o Correio da Manhã.
O aumento da transmissão de VIH na terceira idade deve-se em muito à falta de conhecimento e a "razões biológicas", explica ao CM a especialista de Medicina Interna, Teresa Branco. "É mais provável que uma mulher mais velha seja infectada através da relação sexual do que uma mulher mais jovem, devido à maior fragilidade do órgão sexual causada pela menopausa".

A impossibilidade de engravidar é outro dos factores que estimula o abandono do preservativo, o meio mais eficaz para impedir o contágio. Há ainda a falta de informação sobre o vírus.

"Para a faixa etária mais elevada, a doença não lhes diz nada. A SIDA ainda é, para a maior parte das pessoas, uma doença estritamente dos homossexuais e dos toxicodependentes".

O VIH ataca o sistema imunitário e destrói as defesas do organismo contra vários tipos de infecções. Mas ser soropositivo ou portador de VIH não é o mesmo que ter SIDA.

"O doente é soropositivo quando foi infectado com o VIH, já a SIDA surge quando as defesas do organismo estão tão baixas que permitem o aparecimento de infecções chamadas oportunistas ou tumores", esclarece a médica, que reforça a importância do tratamento: "O infectado pelo VIH pode nunca desenvolver SIDA se fizer o tratamento adequado, é isto que faz a diferença entre ser doente de SIDA ou ser soropositivo, que nos dias de hoje é uma condição crónica e não uma sentença de morte".


Notícias relacionadas




 

Morrem mais pessoas por negligência médica do que na estrada (Portugal)


Nota de C&T: "Morrem mais pessoas por negligência médica do que na estrada"
Os dados abaixo se referem a Portugal (Europa) e como será no Brasil? Você pode contribuir indicando nos comentários ou postando dados reais neste Blog, teremos todo prazer de divulgar e fazer correr as redes sociais.

03/02/2014 - 10:14

Morrem mais pessoas nos hospitais, por más práticas médicas, do que nas estradas, por acidentes de viação. A conclusão é do investigador da Faculdade de Direito de Coimbra, André Dias Pereira, que acaba de apresentar uma tese de doutoramento sobre responsabilidade médica, avança a Rádio Renascença.


“Os médicos sabem bem dos problemas que existem, O professor Luís Fragata fala em estimativas por baixo de 1000 a 1200 mortes evitáveis por ano. Recordo que morrem menos de 700 pessoas por ano nas estradas, ou seja, morrem mais pessoas nos hospitais, de morte evitável, do que nas estradas.”

A dificuldade está em provar a maior parte das queixas. O advogado e professor de Direito Administrativo Luís Fábrica diz que as instituições e os profissionais de saúde tendem a esconder dados.

Os doentes estariam melhor protegidos se, tal como acontece para os acidentes de viação, houvesse um seguro que indemnizasse o lesado, independentemente da culpa do médico.

“A ideia de que se vai fazer uma atitude justiceira não leva a lado nenhum. As estatísticas demonstram que é extremamente difícil provar a culpa ou o nexo de causalidade. Melhor seria se passássemos para um sistema de responsabilidade objectiva, isto é, responsabilidade independentemente de culpa. Isto é, houve uma coisa que ocorreu e que não devia ter ocorrido. Muito bem, vamos indemnizar a pessoa”, considera.

Comentários feitos no programa “Em Nome da Lei”, moderado por Marina Pimentel, que é emitido a seguir ao noticiário das 12:00, aos sábados. Oiça o programa aqui.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Anvisa determina apreensão e inutilização de lote falsificado de anabolizante

Paula Laboissière - Repórter da Agência BrasilEdição: Denise Griesinger

Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicada hoje (24) no Diário Oficial da União determina a apreensão e a inutilização, em todo o território nacional, do produto Hormotrop (somatropina), na apresentação de 12 UI, Pó Liofilizado Injetável, com descrição de lote no frasco nº CE01204, independentemente da data de fabricação e validade, e diluente bacteriostático que o acompanha, lote nº 091196587.

De acordo com o texto, o próprio fabricante do produto, Laboratório Químico Farmacêutico Bergamo Ltda, informou que os lotes em questão nunca foram comercializados e são falsificados. A resolução entra em vigor hoje.

 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

“É direito do paciente fazer a reconstrução das mamas”

Estado e Município não têm controle de pacientes oncológicos

Na manhã desta quinta-feira, 14, a Promotoria da Saúde do Ministério Público cobrou do Estado e Município informações sobre o número de pacientes oncológicos que dependem da reconstituição mamária. A promotora Euza Missano observou que muitas pacientes desconhecem que têm direito em fazer a cirurgia ou ainda encontram dificuldade no sistema de saúde para ter seu direito garantido. “Mulheres têm direito a fazer a reconstituição mamária no ato cirúrgico ou posteriormente.
Na verdade falta um pouco de informação, falta uma articulação da rede como um todo principalmente do Hospital de Cirurgia e no Huse para que disponibilize próteses, equipe e a rede capacitada instalada para fazer as cirurgias de reconstituição das mamas”, diz a promotora que fala da problemática gerada a partir do momento em que as pacientes não são assistidas.
“Há uma baixa autoestima por falta desta cirurgia e muitas mulheres não voltam para fazer a cirurgia de recomposição da mama se não faz no ato da mastectomia”.
Euza Missano esclareceu que desde 2011 o Ministério Público ajuizou nove ações para pacientes oncológicos. “Todo paciente que tem uma patologia grave como um câncer tem que ser um paciente prioritário. No Ministério Público nós temos nove ações civis públicas movidas que vão desde a detecção precoce do câncer, até toda a linha dos cuidados posteriores, cirurgias, radioterapias e quimioterapias. Então todas as ações foram ajuizadas não somente para as mulheres, mas para os homens na parte preventiva. Não adianta fazer campanha se você não disponibiliza os serviços”, frisa.

Regulação
Sobre a falta de informação quanto a regulação do Estado e Município dos pacientes que necessitam da realização das cirurgias de recomposição, a promotora diz que é um problema antigo.
“Temos um problema sério no município de Aracaju, isso já vem desde 2011 e existem ações do MP neste sentido. O município tem que ter o controle de pacientes que precisam fazer as cirurgias. Notadamente as cirurgias oncológicas o Nucaar ou outro órgão especifico de controle do município tem que regular esses pacientes para redefinir o seu fluxo e conhecer a sua demanda, pois existe uma demanda reprimida muito grande no momento em que você não faz a regulação específica”, fala.

Mamografia
A voluntária da Legião Feminina de Educação e Combate ao Câncer (LFECC), Ana Virginia Araújo, lembra que a entidade trabalha com prevenção, porém enfrenta uma grande dificuldade quando é preciso encaminhar a paciente para uma mamografia na rede pública.
“No caso da Legião nós fazemos a prevenção até com exames ginecológicos anualmente, como o de colo de útero e de mama. A dificuldade é quando pedimos uma ultrassonografia ou mamografia. Se a paciente tiver que ser encaminhada para essa rede maior o prazo é de seis meses a sete meses. Com o convênio que estamos fazendo com o Hospital Cirurgia esperamos regularizar essa situação”, declara.

FHS
O assessor jurídico da Fundação Hospitalar da Saúde (FHS), Carlos Diego Brito Freitas, disse durante audiência que a fundação vem fazendo poucas cirurgias de reconstituição mamária, não sendo significativo diante da demanda apresentada, que a FHS realize cirurgias de forma reduzida.
Carlos Diego reconheceu problemas na capacidade instalada na rede hospitalar. Outro ponto apresentado pelo assessor jurídico da FHS é quanto a equipe habilitada para a realização das cirurgias com a formação da escala, bem como anestesistas.

Por Kátia Susanna

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sábado, 19 de outubro de 2013

Painel consultivo da FDA apoia medicamento para leismaniose


Reuters
18 Out (Reuters) - A droga experimental para tratar uma rara doença parasita do laboratório Paladin Labs é eficaz e segura o suficiente para ser aprovada, disse um painel consultivo da Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, em inglês) nesta sexta-feira.

O medicamento, Impavido, foi desenvolvido para tratar três tipos de leishmaniose, uma doença causada por parasitas conhecidos como Leishmania, que se espalham pela mordida de mosquitos fêmea conhecidos como flebotomíneos.

O FDA não é obrigado a seguir as recomendações de seu painel consultivo, mas geralmente segue.

Estima-se que a leishmaniose afeta 12 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde, que estima que entre 1 milhão e 2 milhões de novos casos acontecem todo ano.

O remédio, também conhecido como miltefosine, é listado com uma das cinco terapias para a doença na lista de tratamentos médicos da OMS. Atualmente, o medicamento é aprovado para comercialização na Europa, no subcontinente asiático e nas Américas do Sul e Central.

A FDA deve decidir sobre a aprovação da droga em dezembro.

sábado, 12 de outubro de 2013

Evento divulga e explica direitos do autista

Pais debaterão, em São Gonçalo, formas de fazer valer a Lei Berenice Piana
NITERÓI - Será realizado no próximo sábado, às 8h30m, o 1º Encontro de Pais da Família Azul de São Gonçalo, no Colégio Nilo Peçanha, na Rua Coronel Serrado 1.750, no bairro Zé Garoto. O principal objetivo do evento, gratuito, é debater formas de fazer valer a legislação federal que garante às pessoas de espectro autista tratamento multiprofissional pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e matrícula na rede regular de ensino. Os organizadores também querem ajudar a divulgar outros direitos reconhecidos pela chamada Lei Berenice Piana, sancionada em dezembro do ano passado.
Berenice, uma das líderes do movimento que culminou no reconhecimento do transtorno como deficiência, estará presente no encontro.
— Existe um grande desconhecimento sobre o assunto no Brasil, a tal ponto que muitos médicos não conseguem diagnosticar o paciente autista. Além disso, o problema não costuma ser abordado nas áreas de saúde das universidades — diz ela, que redigiu o texto da lei com base nas dificuldades que encontrou para assistir o filho.
Além de buscar dicas com quem passa pelo mesmo calvário para dar tratamento adequado a crianças com o diagnóstico, pais buscam, em eventos sobre o tema, apoio emocional.
— É muito comum que os pais sofram de depressão. Por isso, a simples troca de experiências já os fazem sentir acolhidos e motivados — conta a pedagoga Mila Ferreira, organizadora do evento e mãe de Davi Guimarães, de 14 anos, que recebe tratamento desde os 3.
Para o desenvolvimento da pessoa com autismo, o ideal é que ela conte com o acompanhamento de uma equipe composta por fonoaudiólogo, psicólogo, terapeuta ocupacional, neurologista, psiquiatra e nutricionista. A Lei Berenice Piana garante ensino profissionalizante, inserção no mercado de trabalho, formação e capacitação de professores especializados e acesso gratuito a medicamentos. O estímulo a pesquisas científicas com ênfase nos estudos epidemiológicos sobre o autismo também está previsto no texto.
— O acesso à informação é o primeiro passo para integrar essas pessoas à sociedade — afirma Mila.

Mais do que dor de cabeça

Um dos analgésicos mais usados no mundo, paracetamol causou 1.500 mortes em uma década nos Estados Unidos

Flávia milhorance

Um dos medicamentos mais populares do mundo, o analgésico paracetamol levou 1.500 pessoas à morte nos Estados Unidos na última década, segundo levantamento da ONG de jornalistas “Pro Publica”, premiada com dois Pullitzer por suas investigações. O problema não é a substância em si, mas a superdosagem, cujo limite não é muito difícil de se atingir e, se ultrapassado, pode afetar gravemente o fígado. Também é arriscada a combinação com álcool. Nos EUA, assim como no Brasil, é vendido sem prescrição médica, e o consumo cresce a cada ano.

Só nos últimos cinco anos, a venda de unidades (caixas ou cartelas) do remédio - mais conhecido como tylenol, mas também em versões genéricas - aumentou 80% no Brasil (de 20,6 para 37,2 milhões), e o faturamento chegou R$ 507 milhões no ano passado, de acordo com pesquisa do instituto IMS Health, feita a pedido do GLOBO. De fato, é bem mais usado nos EUA, onde as vendas atingiram R$ 3,8 bilhões em 2012, segundo o Information Resources Inc, e as doses passaram de 27 bilhões em 2009.

Por isso lá a FDA, agência reguladora de medicamentos, vem ao longo do tempo e das pressões sociais adotando uma série de medidas. A partir de 2014, por exemplo, a dose máxima permitida de um comprimido será de 325 miligramas (mg). No “extra forte”, de 500 mg, a dose máxima diária foi de 4g para 3g, ou seja, seis comprimidos.

Não é a primeira vez que esta dosagem varia. Na década de 90, acreditava-se que a intoxicação ocorreria entre 10g e 15g. O Brasil segue a atual recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), que continua sendo de 4g. Aqui, a maior concentração vendida é de 750 mg.

- A Finlândia já diminuiu para 3g - afirma Anthony Wong, chefe do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP). - Há 20 anos eu falo dos riscos do paracetamol. Mas ou não querem ou não conseguem colocar restrições. No Reino Unido, eles colocaram e conseguiram reduzir mortes. Pelo menos a informação sobre os riscos deve estar mais clara, a impressão assim é que ele é totalmente seguro.

No Reino Unido, hoje só é possível comprar até 32 comprimidos por pessoa. A medida, segundo estudo recente da revista “British Medical Journal”, salvou 600 vidas desde 1998.

Maior causa de transplante hepático nos EUA

No Brasil não há restrição. Na embalagem de tylenol vem a orientação de não se exceder os cinco comprimidos. Não vem, no entanto, o motivo da recomendação. Isto está só na bula. A causa principal é a insuficiência hepática fulminante, ou seja, o fígado para de funcionar. Neste caso, há a necessidade de transplante. A intoxicação por paracetamol nos EUA é, por sinal, a maior indicação desta cirurgia, com quase 800 casos nos últimos 15 anos.

Aqui faltam dados. Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul apontou 440 casos de intoxicação pelo remédio em 2008 naquele estado. Já a Sociedade Brasileira de Hepatologia fez um levantamento em 2010, quando consultou centros de transplante no país, e descobriu quatro transplantes.

- Nos últimos dez anos, houve dois casos de intoxicação na Bahia, nenhum morreu - acrescenta Raymundo Paraná, chefe do Serviço de Hepatologia do Hospital da Universidade Federal da Bahia e ex-presidente da sociedade. - Todo e qualquer medicamento tem um princípio ativo com alguma capacidade de gerar toxicidade. Uns mais, outros menos. Geralmente este efeito é imprevisível e raro, a vantagem de paracetamol é que é previsível. Em doses terapêuticas, o risco é praticamente zero.

O professor explica ainda que o risco de intoxicação em dose acima de 8g é de quase 100%. Entre 3g e 8g, depende de outros aspectos, como o consumo de álcool ou de outros medicamentos, como anticoagulantes e alguns tipos de anticonvulsivantes.

O álcool compromete o fígado, da mesma forma que pode fazer o paracetamol. Por isso, quem bebe com muita frequência deve ter cuidado. Anthony Wong diz que deveria ser evitado até para curar ressaca. Ele também alerta sobre o uso de paracetamol contra a dengue, mesmo que a OMS e o Ministério da Saúde recomendem o remédio nestes casos.

- A dengue provoca problemas hepáticos. Como o paracetamol é menos eficaz para baixar a temperatura do que outros analgésicos, acaba-se tomando doses maiores e com mais frequência, o que é arriscado - defende.

Embora o paracetamol seja considerado seguro pelas organizações de saúde, o especialista e alguns estudos sugerem que até em doses recomendadas ele pode ser perigoso. A própria FDA afirmou recentemente que o seu uso está associado a raras, mas sérias, reações de pele, conhecidas por síndrome de Stevens-Johnson. Além disso, a revista “Pediatrics” publicou que a substância pode provocar asma em crianças. E o “British Journal of Clinical Pharmacology” sugere que o abuso ao longo do tempo “pode ser fatal”.

Os especialistas em doenças hepáticas dizem que nem todos os médicos estão acostumados a diagnosticar casos de intoxicação por paracetamol nas emergências. Wong conta que há dois meses um amigo morreu, provavelmente por este motivo: teve febre alta na Bahia e tomou o remédio. Dias depois, estava internado em São Paulo, tanto com o rim quanto o fígado sem funcionar:

- Quando os dois param ao mesmo tempo, a suspeita é a intoxicação.

Os sintomas, em geral, surgem quatro horas depois da superdosagem, com vômito, náusea, dor de cabeça e suor. Depois de 24 horas, há convulsões e a piora do quadro. Em 72 horas, com a destruição do fígado, o organismo não metaboliza mais a amônia, que se acumula no corpo, o que pode provocar morte cerebral. O prazo para reverter a intoxicação é de 24 horas, e o antídoto é a substância N-acetilcisteína.


Nota de C&T:
Não dá para entender se for verdade que Paracetamol (Tylenol – Referência, Paracetamol – Genéricos e centenas de Similares) tem matado tanta gente e as autoridades sanitárias não tomam uma providência eficaz. Não seria o caso de suspender a produção, distribuição e venda do produto até uma prova cabal de que o produto não mata e não causa danos a saúde? Provando que o mesmo não mata nem causa danos quando utilizado corretamente caberia  uma ação contra quem propaga tais máculas ao produto.