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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Fragmentação nas negociações salariais por região.

Negociações salariais com aumentos reais chegam a 24% no 1º semestre

Imagem ilustrativa
Cerca de 24% das 304 negociações dos reajustes salariais de trabalhadores brasileiros feitos no primeiro semestre de 2016 resultaram em aumentos reais de salários, de acordo com balanço divulgado hoje (1º) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconomicos (Dieese).

Outros 37% tiveram aumento salarial com valor igual à inflação e 39% obtiveram reajuste abaixo da inflação. Desses, 11% resultaram em perdas de até 0,5% e 29% em perdas de até 2%.

Segundo o balanço do Dieese, aproximadamente 74% dos reajustes salariais analisados foram pagos integralmente e 25% em duas ou mais parcelas. Os percentuais são próximos dos observados no segundo semestre de 2015, quando 75% foram pagos integralmente e 23,8% parcelados. Com relação ao pagamento de abonos salariais, o balanço indica que os patamares não se alteraram. Já os reajustes escalonados subiram 24% com relação ao período de 2012 e 2015, usado nesta comparação.

Indústria sai na frente

Quando analisados os setores econômicos, na indústria 21% dos reajustes resultaram em ganhos reais, 33% ficaram abaixo da inflação e 46% tiveram valores iguais à variação do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. No comércio, o percentual de reajuste igual à inflação foi de 36%, enquanto 26% tiveram aumento real e as negociações com perdas salariais foram 39%. No setor de serviços, os reajustes acima da inflação foram 27% e abaixo 44%.

“A indústria já vinha enfrentando problemas, seja pela taxa de câmbio ou perda da competitividade desde 2011. O desemprego vinha maior do que nos outros setores. Como a indústria é o setor de atividade mais organizado, onde há grau de formalização maior e sindicatos de maior tradição, o que ocorre é que, quando a indústria vai mal nas negociações, reflete nos demais setores”, analisou o coordenador de relações sindicais, José Silvestre Prado de Oliveira.

Por regiões

Na região Norte, os aumentos reais foram observados em 14% das negociações. Nas outras regiões, esses aumentos giraram em torno de 27%. No caso dos reajustes inferiores à inflação, a região Sul foi a que teve menor incidência 16%. O mesmo acontece com relação aos aumentos acima da inflação: 23%. O Norte e Sudeste registraram as maiores proporções de aumentos abaixo da inflação com 57% e 49%. No Nordeste, 43% dos reajustes ficaram abaixo da inflação e no Centro-Oeste, 32%.

Segundo Silvestre, os resultados ficaram dentro do esperado porque o ano de 2015 já indicava tendência de piora dos reajustes devido ao contexto geral da economia com pelo menos dois anos de recessão, aumento da inflação em 2014 e a continuidade do aumento das taxas de desemprego. “Isso monta um cenário muito ruim para negociação e, em todos os momentos em que há conjuntura semelhante, há reflexo nas negociações. Em 2016 ainda há mais um agravante que é o quadro político, um combustível a mais para piorar o cenário para os trabalhadores nas negociações”.

Silvestre disse que os números não devem ser melhores ao final do ano, mas a tendência de queda da inflação pode contar a favor, além de alguns indicadores apontarem que a atividade econômica não deve cair mais.
“Isso deve ser um alento, mas acho que as negociações não devem ser diferentes. Um exemplo disso são as negociações dos bancários e outras grandes categorias. Como estas são uma espécie de farol, o que eles negociarem, isso servirá de referência para olhar o segundo semestre do ano”.

Edição: Kleber Sampaio
Fonte: EBC Agência Brasil

Republicação: http://feifar.org.br/?p=486



segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Palocci, Cunha e Dirceu não passam de peças de uma engrenagem...

Imagem apenas ilustrativa...
Fonte: http://www.imparesonline.com.br/2015/09/
O que Antonio Palocci, Eduardo Cunha e José Dirceu têm em comum?

O que essas empresas de consultoria cujos donos são políticos oferecem aos seus clientes, e o que querem os empresários que as contratam?


Sei que a queda de Eduardo Cunha parece assunto ultrapassado. Não é. E não é em virtude do mal que ele, Cunha, representa. E a prisão de Antonio Palocci, na semana passada, evidenciou a natureza do mesmo vício: políticos que ficaram milionários por causa da política e transformaram o Estado em instrumento de poder político e econômico.

Segundo a investigação da Lava Jato, Palocci era peça central de um esquema de corrupção também formado pela empreiteira Odebrecht e que teria movimentado R$ 128 milhões. O ex-ministro petista dos governos Lula e Dilma Rousseff teve R$ 30,8 milhões bloqueados em suas contas bancárias (pessoa física e jurídica) pelo Banco Central.

Antonio Palocci prosperou quando na política com impressionante rapidez. Em 2006, quando se elegeu deputado federal, tinha patrimônio estimado em R$ 375 mil. Quatro anos depois, seu patrimônio era 20 vezes maior. Pouco antes de assumir o cargo de chefe da Casa Civil do governo Dilma, Palocci, segundo a Folha de S. Paulo, “comprou um apartamento de luxo em São Paulo por R$ 6,6 milhões”. E “um ano antes” adquiriu “um escritório na cidade por R$ 882 mil”. Ambos os imóveis foram comprados em nome da empresa de que era sócio majoritário, a Projeto Administração de Imóveis.

“José Dirceu deve ter sido o presidiário mais próspero da história deste país”

Eduardo Cunha é outro exemplo notável e ordinário de um homem que conquistou poder e dinheiro pela política. Ele é dono de empresas como Jesus.com e C3 Produções. Oficialmente, seu patrimônio é de R$ 1,537 milhão e o da sua mulher, Claudia Cruz, é de R$ 4,02 milhões. A estimativa realizada pelo banco suíço Julius Baer, quando Cunha abriu uma conta, foi além: US$ 16 milhões (R$ 61,3 milhões).

Assim como Palocci, Cunha teve parte de seu dinheiro bloqueado, mas na Suíça. A Justiça de lá reteve US$ 5 milhões de quatro das 13 contas bancárias que Cunha e seus familiares teriam no exterior. Antes de ser cassado, Cunha era o 162.º deputado federal mais rico do país, segundo a lista elaborada pelo Congresso em Foco.

Lembram de José Dirceu, o ex-todo-poderoso do PT condenado no julgamento do mensalão? Entre 2006 e 2013, sua empresa JD Consultoria recebeu R$ 29,2 milhões de grandes empresas que estão sendo investigadas na Operação Lava Jato (OAS, UTC, Engevix, Galvão Engenharia, Camargo Corrêa e Egesa).

O sucesso profissional de José Dirceu impressiona. No ano em que foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal e começou a cumprir pena de prisão em regime semiaberto, sua empresa de consultoria faturou R$ 4,159 milhões. Deve ter sido o presidiário mais próspero da história deste país.
Diante desses exemplos de extraordinária bonança, algumas indagações se impõem: por qual razão empresas privadas contratam políticos com ou sem mandato, especialmente aqueles que fizeram ou fazem parte de partidos que estão no exercício do poder? O que exatamente essas empresas de consultoria cujos donos são políticos oferecem aos seus clientes, e o que querem efetivamente os empresários que as contratam?

A Lava Jato está fornecendo muitas respostas no âmbito do governo federal, mas esse tipo de conduta está disseminado pelo país na relação entre empresas e políticos nas esferas municipal e estadual. Se nada for feito, o que passa por tirar poder dos políticos e punir severamente os criminosos, tudo continuará como sempre esteve.

Cunha, Palocci, Dirceu são agentes de um sistema que continuará em operação enquanto houver uma arquitetura política, legal e burocrática que lhes dê poder para usar o Estado a serviço de projetos pessoais ou do partido. A queda de alguns de seus próceres não mudará a natureza desse sistema, pois a legião que eles representam permanece no poder.



terça-feira, 20 de setembro de 2016

Os processos mudam, os brasileiros não.

Imagem apenas ilustrativa captada do google.
Brasil, um país de dois povos: os que são e os que imaginam ser.


As redes sociais de forma bastante interessante têm contribuído muito para uma mudança radical na forma de pensar, agir e enxergar o mundo das atuais gerações e certamente serão muito mais eficientes para as próximas. Posso afirmar que me sinto outra pessoa ao saber que quaisquer dos meus maus textos e pouco instrucionais como são os meus, ganham o mundo em segundos. Não faz muito tempo que apenas três ou quatro meios de comunicações chegavam a maioria da população com as notícias trazendo os novos acontecimentos sociais e políticos do nosso país, um deles muito eficiente até hoje é o rádio, adoro até nos dias atuais. Praticamente não faz mais sentido hoje ficar na frente de uma TV esperando o telejornal preferido, tenho tudo na palma da minha mão praticamente em tempo real, algumas coisas até são em tempo real.

Realmente, tudo mudou ou quase tudo. Será que o ser humano mudou de tal forma como os processos? Claro que não. Exatamente por não ter mudado é que continua existindo um grande gap entre desenvolvimento científico/tecnológico e as atitudes humanas. O homem lida com tudo de novo, se adapta rapidamente às mudanças, buscam novas alternativas e criações, mas não evolui na mesma velocidade a sua forma de agir, tomar atitudes, se relacionar com seus semelhantes e principalmente se comportar socialmente.

Nos dias atuais a maioria dos brasileiros tem opinião formada sobre corrupção, crise política e econômica, golpes, desvios de verbas, propinas e outros do gênero. Temos mais de duzentos milhões de juízes, cada um com sua receita pronta de como agir contra tudo e todos que não lhes agradam, vivemos uma desenfreada onda de protestos dos mais variados, porém fica a pergunta. Quem tem dado exemplo positivo que justifique suas posições contrárias a tudo que vem acontecendo? Certamente esse montante de juízes sofrerá uma grande redução.

Há mais de trinta anos quando eu estava por trás de um balcão de farmácia eu já olhava de longe para os clientes que entravam na loja, e numa velocidade incrível eu já identificava o perfil daquele cliente, tinha uma quase certeira identificação se o indivíduo tinha origem simples, humilde, pessoa do interior com menos esclarecimentos ou o contrário disso. Essa compra de livro pela capa eu fazia com o objetivo de seleciona-la para indicar um medicamento ou sugerir até uma troca do produto solicitado por um daqueles que me pagavam 10% de comissão.

O tempo passou, optei seguir no mesmo segmento, mas dessa vez como propagandista de uma indústria farmacêutica que por sinal não trabalhava com as mesmas políticas daquelas que através de negociação com o proprietário nos pagavam tais comissionamentos. Mas quem disse que pagar comissão é crime? Claro que não é, até hoje muitos empresários optam por essa modalidade de remuneração de seus empregados. Medicamento é uma mercadoria igual a qualquer outra? Entendo que não. Entendo hoje que medicamento é produto de saúde e saúde não é mercadoria. Quando eu escolhia meu alvo, eu tinha uma prioridade, ganhar 10% daquele valor pago pelo cliente, confesso que eu não estava preocupado com a necessidade do cliente e sim com minhas metas.

Hoje chego nos pontos de vendas para expor meus produtos, falar de seus benefícios, de suas vantagens e outras características e escuto com todas as letras de muitos balconistas a seguinte frase: O que vamos ganhar a mais com isso, esfregando o dedo polegar no indicador. Não tenho como pensar diferente a não ser, nada mudou. Muitos fatores contribuem para tais práticas: desinformação, descaso com a saúde, falta de acesso aos serviços públicos básicos de saúde, cultura oportunista do mercado, falta de atenção com o próximo, falta de compromisso e respeito, ausência total de ética, entre tantas outras mazelas que só enxergamos quando não estamos envolvidos, mas quando sim logo afirmamos que isso é o normal. É inadmissível que a automedicação mate tanto como anda matando e deixem tantas sequelas de forma assustadora e ninguém faça nada, ora, mas quem vai fazer alguma coisa? Certamente quem deveria fazer alguma coisa seriam as vítimas se conscientes fossem. Quem pode eliminar as mazelas da política senão os eleitores? Qual é o respeito que a maioria dos eleitores têm com seus votos? Pode hoje o cidadão que não respeita a saúde, que é a base de sua vida e dos seus semelhantes, fazer valer seu direito como cidadão para criticar maus gestores do dinheiro público? O Brasil do jeito que está não tem jeito, mas tem muito potencial se mudar os valores de seus cidadãos para se tornar uma das maiores potências econômicas do planeta.

Não precisa ser cientista bem formado, um doutor das letras ou grande sábio para enxergar o básico que está logo a nossa frente. Nossa falta de educação doméstica, nosso mal suporte educador hoje oferecido nas escolas, inclusive na rede privada, e o desconhecimento da ética junto a falta de amor ao próximo, colocam nossa sociedade onde ela está. Colhemos o que plantamos, mesmo que em terrenos diferentes. Brasileiro cobra dos brasileiros seriedade, moral, respeito e outros direitos a mais que se julga tê-los, mas quando avaliamos o que oferece, encontramos uma grande lacuna entre uma coisa e a outra.


Texto escrito por Teófilo Fernandes, cidadão brasileiro.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

O Brasil dos cidadãos brasileiros versus seus representantes políticos.

Como um cidadão simples se sente diante dos políticos brasileiros.

Impressionante o que acontece no Brasil no tocante a algo tão importante para vida de cada um de seus cidadãos. Acompanhando no último domingo a transmissão do evento da votação do encaminhamento do pedido de impeachment, tive a terrível sensação de que a cada dia a situação fica pior. Observando cada Deputado ali presente, tirei as seguintes conclusões:
  •         O Brasil não é um país sério.
  •          Seus cidadãos são representados por pessoas incompetentes na sua grande maioria.
  •          Entendo que não basta à prática da corrupção e dos interesses pessoais de cada um deles para tamanha frustação minha, mas a falta de capacidade em muitos deles de exercer o papel de representante de uma comunidade ou parte dela. São verdadeiras carrancas expostas para espantar ameaças inexistentes.
  •          A maioria deles usa de uma retórica ultrapassada, inútil e irritante aos que têm o mínimo de respeito à sociedade, conhecimento e vivência pública.
  •          Os jovens Deputados em sua maioria se apresentam muito mais como herdeiros de raposas velhas da política do que como renovação, certamente esses são um dos maiores malefícios feitos a sociedade, pois esses jovens representam a perpetuação dos sugadores do dinheiro público, donos das cadeiras pertencentes ao povo, tornando-se um ciclo vicioso que não acaba nunca.
  •          Não temos oposição nenhuma por falta de sustentação moral, ética e técnica.
  •        Temos uma situação arcaica e embriagada no poder que não conseguem pensar fora da caixa, querendo a qualquer custo a perpetuação, assim como sempre foram os demais considerados de direita conservadora,  sem  se quer conseguir um discurso moderno, atualizado e menos enjoativo. Trata-se de discursos formatados na síndrome da inferioridade de três ou quatro décadas passadas.

Por fim, olhar para os poderes Executivo e Legislativo que juntos tem o verdadeiro e maior poder, o poder do povo, povo esse que pode colocar e tirar de lá que ele quiser a qualquer tempo, basta ter respaldo legal, tenho o sentimento de que nada mudou, pelo contrário, ficou pior, uma vez que o povo hoje tem muito mais acesso ao conhecimento do que antes e seus representantes estão estagnados, presos em um passado de enganação, desmoralização e uso do poder para exercê-lo de má fé para atenderem exclusivamente aos seus interesses e nada mais em favor de seus representados.
O Brasil dos homens e mulheres bem está muito distante daquele Brasil que ali estava reunido para definir o futuro da atual Presidente. ( Texto de: Edson Teófilo Fernandes)

domingo, 19 de julho de 2015

Brasil, um pais carente de ética e moral da maioria de seus cidadãos.

Imagem ilustrativa captado no Google
(http://pt.slideshare.net/maycle40/tica-e-cidadania-2)

Brasil, um país de acomodados.

19/07/2015
Algumas dúvidas me consumem, por exemplo: Como pode um povo ser tão passivo como o povo brasileiro? Talvez alguns fatos justifiquem, tais como: falta de amor próprio e ao próximo, falta de educação doméstica , ausência de conhecimentos dos fatos, incapacidade de fazer autocrítica, excesso de ignorância política, desvalorização de princípios relacionados a ética, falta de dignidade e vergonha, entre outras qualificativas inerentes aos cidadãos que se julgam pessoas de bem.

Hoje morando em uma das mais lindas capitais desse país que é Aracaju, fico me perguntando o motivo que leva a essa sociedade ser tão passiva, estamos diante de fatos recentes no nosso Estado que já começam a cair no esquecimento da população, apesar de ser recente, me refiro a um dos maiores escândalos registrados em uma Assembleia Legislativa de um Estado do Brasil, 100% dos deputados se envolveram em um escândalo antigo e costumeiro naquela casa, sendo uns menos e outros mais, mas todos foram de certa forma cúmplices do uso indevido de verbas. Outros que lá já não mais estão também foram irresponsáveis ao ponto de se locupletarem de dinheiro público e por incrível que pareça, foram promovidos ocupando cadeiras no cenário federal e no tribunal de contas, nesse último caso a raposa cuidando do galinheiro.

A falta de medicamentos básicos, de materiais no principal hospital do Estado de Sergipe, a falta de atenção com as rodovias, o descaso do prefeito da Capital desse Estado e de outros municípios sergipanos com suas ruas que estão abandonadas, são mazelas presentes no dia a dia. A política da muita conversa e pouca ação, cada dia é mais evidente pelos secretários de Estado e Municípios. Tem sido assim uma constante.

A operação Lava Jato já começa a ser abafada por outras operações que envolvem rombos tão expressivos quanto aos rombos identificados que geraram várias prisões pela operação Lava Jato até o momento. Antigamente quando tínhamos um escândalo exposto na mídia, logo era abafado com fatos diferentes daquele gerador do escândalo em evidência. Por exemplo, um crime bárbaro passava a ser explorado na mídia como fato novo, assim sendo o crime de corrupção caía no esquecimento. Hoje os crimes de corrupção são abafados por outros crimes de corrupção. Assim como a operação Lava Jato que busca mostrar ao cidadão brasileiro um roubo bilionário na Petrobrás, na esperança de severas punições, sendo esta instituição Petrobrás vítima assim como cada brasileiro desses bandidos de gravatas, outras operações estão em andamento que se não tiver um empenho merecido do legislativo, representante de cada cidadão, não surtirão os efeitos necessários.

No dia em que o caso BNDS, Caixa, Banco do Nordeste, Banco do Brasil, e outros caírem na mão de um juiz que tenha vontade pelo menos de dá mobilidade ao processo, não precisa nem celeridade, serão dezenas de pilantras revestidos de autoridades e cidadãos de bem desmascaradas perante a opinião pública.

Atualmente estamos enxergando pessoas de destaque do PT e outros partidos, das empreiteiras, Deputados e Senadores, diretores de estatais entre outros, mas estamos nos esquecendo de um fogo de monturo que se espalha sem alarde, são os pequenos peixes, eles têm um poder de destruição do erário público tremendo. Não imaginamos quanto dinheiro tem sido desviado por mau uso nas mais diversas formas de ações sociais nos municípios brasileiros.

Não faz muito tempo, questão de semanas, que o SBT veiculou uma matéria que causou um reboliço dos diabos no Estado de Sergipe, mas precisamente no município de São Cristóvão, um escândalo envolvendo a merenda escolar. Ficou claro na matéria que muitas escolas não estavam oferecendo o que deveria, com diversos relatos de funcionários e moradores daquele município, um dos empresários que se julga prejudicado em concorrências públicas naquele município, apoiou a matéria e chegou às principais peças envolvidas nesse escândalo. A denuncia foi tão grave, que se sentido impossibilitada de se sustenta no quadro de prefeita do município, mesmo sendo apenas uma testa de ferro do seu marido, segundo a própria matéria deixa patente, a prefeita renunciou ao cargo, deixando em seu lugar o vice-prefeito, um fiel capataz do marido dela e de seu partido, ou seja, apenas a matéria que senta na cadeira de prefeito mudou, mas as diretrizes nefastas da ex-prefeita e seu marido permanecerão, salvo ocorra uma traição por parte de seu fiel escudeiro. Não me surpreenderei se essa traição um dia acontecer. Quer saber quem é o ser humano dê poder e dinheiro a ele. No caso específico talvez o poder não tenha sido dado ao vice-prefeito, atual prefeito, em sua plenitude de fato, apenas foi dado de direito.

Recentemente li uma matéria sobre quatro projetos focados na coibição de irregularidades no mercado de implantes de órtese e próteses no Brasil, tenho procurado acompanhar esse assunto e sinceramente, não vejo o envolvimento dos brasileiros em um assunto tão impactante como esse, impactante no sentido de envolver bilhões de reais que não só do erário público, como também do privado, sendo que o do privado impacta da mesma forma do público, sim, as empresas de planos de saúde que acabam repassando para seus assegurados os custos assim como os cidadãos que são lesados por fabricantes, distribuidores, hospitais e médicos. Esses atos criminosos na maioria são pagos por aqueles que não buscam o SUS por entender que tem condição de bancar uma saúde para si ou para seus entes queridos de melhor qualidade, mas o fato de poder pagar por uma saúde de melhor qualidade não significa que podem ser lesados. Esse crime que acontece há anos pode ter leis que o combata, mas a sociedade não está interessada por falta de conhecimento das consequências que crime causa sobre todos.

Nossa sociedade não tem o hábito de se preocupar com o bem estar no coletivo, não tem a cultura da honestidade por formação, não pensa no amanhã e muito menos naqueles que estão totalmente fora das estatísticas, os literalmente miseráveis.

Não por pura maldade, mas por má formação educacional no meio social, o cidadão brasileiro é adepto, talvez até de forma involuntária e muito mais cultural, da política “na falta de farinha primeiro no meu pirão” ou do “puxar primeiro a brasa para meu peixe”.

O Brasil continua carente de um choque ético/moral, certamente que um dia teremos cidadãos com formação segura para tanto, mas no momento acredito que ainda não foram fecundados, quem sabe somos nós os que poderemos registrar nossos sonhos e um dia eles serem realidade por aqueles que virão.

Teófilo Fernandes – cidadão brasileiro.


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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Médicos são contras às Clínicas Farmacêuticas e protestam através de seus Conselhos...

12/05/2015
"Clínicas Farmacêuticas despertam protestos das Entidades Médicas

Por Egle Leonardi

Mais de 70% dos brasileiros declaram praticar autoconsumo de medicamentos e quarenta por cento afirmam não saber como consumir um medicamento de forma adequada a fim de assegurar seus efeitos e eficácia com segurança. Esses dados fazem parte de uma pesquisa do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico em parceria com o Datafolha.

Frente a este cenário lamentável, uma excelente notícia para a sociedade é a abertura de clínicas farmacêutica, com a missão de contribuir com a promoção da saúde pública, resolvendo problemas simples, prescrevendo medicamentos isentos de prescrição médica e protegendo a qualidade de vida da população que, segundo o estudo do ICTQ, não sabe por exemplo, como lidar com os medicamentos.

No entanto, a péssima noticia é que algumas entidades ligadas à área médica são contra essas clínicas e resolveram apresentar denúncias contra elas. Dois casos nos chamam a atenção: um deles é no estado do Rio de Janeiro e outro em Minas Gerais.

O farmacêutico Silvio Antão, que abriu sua clínica farmacêutica na cidade maravilhosa, recebeu uma denúncia do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj), alegando que, diante de várias indagações dos médicos afiliados ao órgão, o farmacêutico não poderia prescrever. “A denúncia partiu diretamente do presidente, Pablo Vazquez Queimadelos. Acredito que isso ocorreu por motivos políticos e institucionais. O pior é que ele desconhece a resolução do Conselho Federal de Farmácia (CFF)” relata o farmacêutico denunciado.

Antão conta que a primeira denúncia contra sua clínica ocorreu diretamente ao CRF-RJ e o presidente, Marcus Athila, deu ciência ao assunto, porém pediu ao órgão que identificasse onde estava sendo transgredida a lei, para o qual não houve resposta.

O Cremerj, não satisfeito, deu sequência à denúncia. Antão participou de audiência em março e conta que o juiz entendeu que não há indícios para a denúncia e que ele não infringiu a resolução 586/13 do CFF.

“Cada classe luta pelos próprios interesses. No caso da classe médica, além da vaidade, há o fator econômico. Como somos da classe que mais entende de medicamentos, ganharemos nosso espaço e cada paciente dentro do meu consultório é um paciente a menos em um consultório médico”, polemiza ele.

Antão ressalta que a classe médica sempre teve a certeza de ser onipotente e, com isso, se esqueceu que o principal membro da equipe multidisciplinar é o próprio paciente, já que sem ele não há atendimento. “Temos que redescobrir a humanização do atendimento ao paciente, trazê-lo a acompanhar o tratamento para que tenha maior eficácia. Quem vai prescrever é o que menos importa. O importante é o restabelecimento da saúde do paciente”, fala ele. O farmacêutico declara que recebeu total apoio do Conselho Regional de Farmácia do Estado que, além de defender a sua causa, comprou essa briga com ele.

O caso de Minas Gerais

A outra polêmica recente aconteceu em Belo Horizonte, quando o farmacêutico Henrique Marquez Henriques desenvolveu um projeto de gravar vídeos e criar um canal no YouTube com o intuito de divulgar conhecimento verdadeiro e ético sobre homeopatia, florais e fitoterápicos, além do serviço de prescrição farmacêutica. O projeto é novo, mas já conquistou importante repercussão por muitas pessoas em todo o Brasil. Dentre elas estão clientes, pacientes, leigos, homeopatas e outros profissionais da saúde.

Desta vez, o autor da denúncia foi a Associação Médica Homeopática Brasileira (AMHB), por intermédio do seu presidente, Ariovaldo Ribeiro Filho. A entidade enviou um ofício de denuncia à Associação Brasileira de Farmacêuticos Homeopatas (ABFH). Para a associação, Henriques estava invadindo o espaço do médico homeopata. Porém, felizmente, denúncia não gerou resultados para o reclamante.

“Acredito que a homeopatia não tem dono, não é do médico, não é do farmacêutico, não é do terapeuta e de nenhum outro profissional. A homeopatia é uma ciência universal que pertence a todos. Para exercê-la precisamos seguir as leis vigentes, muito estudo e muita capacitação, respeito, verdade e amor”, defende o farmacêutico.

Para ele, a união e definição de atuação entre todos os homeopatas é uma solução para o caso. Só assim conseguirão auxiliar e atender a todas as demandas da população em relação à homeopatia. “Não há número suficiente de homeopatas no Brasil para atender à população, ou seja, há campo de trabalho para todos. Necessitamos conversar e ajustar os pontos de atrito com urgência, pois a população não pode mais esperar as brigas de egos”, dispara ele, que acrescenta dizendo que o médico enxerga o farmacêutico somente como manipulador de medicamentos, nada mais. “Eu acredito que ele se sente ameaçado com a possibilidade de perder mercado. Resolveremos isso com muito diálogo e fazendo nossa tarefa de farmacêutico prescritor muito bem feita, para sensibilizar a sociedade”.

Já para Antão, ver farmacêuticos caminhando em busca de seus sonhos, saindo de casa para fazer cursos de pós-graduações em prescrição farmacêutica é uma vitória para a categoria. “Tenho certeza de que os colegas não aceitam mais ser simplesmente farmacêuticos burocratas. Quero contribuir com a classe e contar minha história e a forma como luto diariamente para ter meus consultórios lotados e com grande aceitação pela população”, enfatiza o farmacêutico.

Exemplo ímpar

Fundamental também ressaltar o lançamento, em Curitiba, do Projeto de Cuidado Farmacêutico na Atenção Básica, que  faz parte do Programa Nacional de Qualificação da Assistência Farmacêutica no âmbito do Sistema Único de Saúde (QualifarSUS), do Governo Federal.

Com o objetivo de aplicar no SUS o conceito de clínica farmacêutica, o Ministério da Saúde identificou na rede municipal de saúde de Curitiba um polo para a implementação do projeto piloto que deverá ser estendido a outros municípios brasileiros. O projeto recebeu investimento em torno de R$ 400 mil. A experiência foi financiada por meio do projeto Qualisus Rede – cooperação entre o Banco Mundial e o Mistério da Saúde, que tem como proposta de intervenção apoiar a organização de redes de atenção à saúde no Brasil."

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Governo loteando cargos e colocando a meritocracia em segundo plano

Nota de C&T:
Nada contra a competência dos indicados, mas esse poder absoluto do Estado de ter que ser indicação para cargos de diretoria de um(a) Presidente é desnecessário. É prova do loteamento do poder, é vincular o cargo de cada um dos indicados a interesses políticos, tornando-se mais grave quando precisa do crivo do Congresso Nacional que não atualmente uma instituição formada em sua maioria por pessoas sérias.
Essas agências espalhadas pelo Brasil são o pulmão da incompetência administrativa operante no Brasil.



Dilma indica nomes para diretoria da Anvisa e ANS

Paulo Victor Chagas – Repórter da Agência Brasil Edição: Denise Griesinger

"A presidenta Dilma Rousseff indicou três pessoas para ocupar cargos de direção na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O encaminhamento dos nomes está publicado na edição desta terça-feira (28) do Diário Oficial da União.

Dilma indicou Karla Santa Cruz Coelho, para ser diretora da ANS e Jarbas Barbosa da Silva Júnior e Fernando Mendes Garcia Neto, para ocuparem diretorias da Anvisa. Os nomes, no entanto, precisam ser apreciados pelos senadores.

Indicada para a diretoria da ANS, Karla Santa Cruz trabalha na agência desde 2001, tendo ocupado cargos de gestão na área de saúde suplementar. Ela é doutora pelo Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro na área de epidemiologia em Saúde Coletiva.

Jarbas Barbosa foi secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde entre 2011 e janeiro de 2015. Doutor em saúde coletiva pela Universidade Estadual de Campinas, ele atualmente é secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos da pasta. Fernando Mendes ocupa um cargo na diretoria de Coordenação e Articulação do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária da Anvisa. Mendes também chefiou, em 2011, a Subsecretaria de Planejamento, Orçamento e Administração do Ministério da Agricultura.

A presidenta também enviou ao Senado o nome de Delcídio do Amaral (PT-MS) para ocupar a liderança do governo na Casa. A liderança está vaga desde que Eduardo Braga assumiu o Ministério de Minas e Energia do governo Dilma, no dia 1º de janeiro."

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-04/dilma-indica-nomes-para-diretoria-da-anvisa-e-ans 

Muitos jovens não sonham em alcançarem a melhor idade, mas se tornam escravos das aparências desde a mocidade.

A triste geração que virou escrava da própria carreira


RUTH MANUS
29 Abril 2015 | 11:11

“E a juventude vai escoando entre os dedos.

Era uma vez uma geração que se achava muito livre.

Tinha pena dos avós, que casaram cedo e nunca viajaram para a Europa.

Tinha pena dos pais, que tiveram que camelar em empreguinhos ingratos e suar muitas camisas para pagar o aluguel, a escola e as viagens em família para pousadas no interior.

Tinha pena de todos os que não falavam inglês fluentemente.

Era uma vez uma geração que crescia quase bilíngue. Depois vinham noções de francês, italiano, espanhol, alemão, mandarim.

Frequentou as melhores escolas.

Entrou nas melhores faculdades.

Passou no processo seletivo dos melhores estágios.

Foram efetivados. Ficaram orgulhosos, com razão.

E veio pós, especialização, mestrado, MBA. Os diplomas foram subindo pelas paredes.

Era uma vez uma geração que aos 20 ganhava o que não precisava. Aos 25 ganhava o que os pais ganharam aos 45. Aos 30 ganhava o que os pais ganharam na vida toda. Aos 35 ganhava o que os pais nunca sonharam ganhar.

Ninguém podia os deter. A experiência crescia diariamente, a carreira era meteórica, a conta bancária estava cada dia mais bonita.

O problema era que o auge estava cada vez mais longe. A meta estava cada vez mais distante. Algo como o burro que persegue a cenoura ou o cão que corre atrás do próprio rabo.

O problema era uma nebulosa na qual já não se podia distinguir o que era meta, o que era sonho, o que era gana, o que era ambição, o que era ganância, o que necessário e o que era vício.

O dinheiro que estava na conta dava para muitas viagens. Dava para visitar aquele amigo querido que estava em Barcelona. Dava para realizar o sonho de conhecer a Tailândia. Dava para voar bem alto.

Mas, sabe como é, né? Prioridades. Acabavam sempre ficando ao invés de sempre ir.

Essa geração tentava se convencer de que podia comprar saúde em caixinhas. Chegava a acreditar que uma hora de corrida podia mesmo compensar todo o dano que fazia diariamente ao próprio corpo.

Aos 20: ibuprofeno. Aos 25: omeprazol. Aos 30: rivotril. Aos 35: stent.
Uma estranha geração que tomava café para ficar acordada e comprimidos para dormir.

Oscilavam entre o sim e o não. Você dá conta? Sim. Cumpre o prazo? Sim. Chega mais cedo? Sim. Sai mais tarde? Sim. Quer se destacar na equipe? Sim. Mas para a vida, costumava ser não.

Aos 20 eles não conseguiram estudar para as provas da faculdade porque o estágio demandava muito.

Aos 25 eles não foram morar fora porque havia uma perspectiva muito boa de promoção na empresa.

Aos 30 eles não foram no aniversário de um velho amigo porque ficaram até as 2 da manhã no escritório.

Aos 35 eles não viram o filho andar pela primeira vez. Quando chegavam, ele já tinha dormido, quando saíam ele não tinha acordado.

Às vezes, choravam no carro e, descuidadamente começavam a se perguntar se a vida dos pais e dos avós tinha sido mesmo tão ruim como parecia.
Por um instante, chegavam a pensar que talvez uma casinha pequena, um carro popular dividido entre o casal e férias em um hotel fazenda pudessem fazer algum sentido.

Mas não dava mais tempo. Já eram escravos do câmbio automático, do vinho francês, dos resorts, das imagens, das expectativas da empresa, dos olhares curiosos dos “amigos”.

Era uma vez uma geração que se achava muito livre. Afinal tinha conhecimento, tinha poder, tinha os melhores cargos, tinha dinheiro.
Só não tinha controle do próprio tempo.

Só não via que os dias estavam passando.

Só não percebia que a juventude estava escoando entre os dedos e que os bônus do final do ano não comprariam os anos de volta.”



quinta-feira, 23 de abril de 2015

Quando as Instituições perdem o seu respeito. Juiz aposentado devolve sua Medalha da Inconfidência, título conferido pelo Executivo mineiro.

"Juiz aposentado se recusa a dividir título mineiro com João Pedro Stédile

MURILO RAMOS E TERESA PEROSA
22/04/2015

O magistrado mineiro Mozart Hamilton Buenopublicou ontem (21) uma carta aberta ao governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, informando que devolveria sua Medalha da Inconfidência, título conferido pelo Executivo mineiro. O ato foi motivado pela entrega da mesma honraria ao dirigente do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra(MST), João Pedro Stédile, em cerimônia durante o Dia de Tiradentes. “Devolvi por não concordar com o critério atual de oferecimento das homenagens, não direcionado a merecedores, mas a partidários do governo”, diz Bueno. “Discordo que o título seja entregue a um homem que não fez nada por Minas, nem pelo Brasil”, afirma. Juiz em Rondônia e aposentado desde 1994, Hamilton Bueno recebeu a honraria em 1982, depois de sete anos a frente do Colégio Tiradentes da Policia Militar. Recebeu o título do então dirigente mineiro, Francelino Pereira, governador biônico do estado ao final do regime militar. Na carta, Bueno diz: “Não me julgo superior a esse senhor Stédile, mas a minha modesta biografia, a minha devoção ao meu Estado natal, - berço e sacrário da nossa liberdade - recomendam-me não aceitar esse nivelamento, razão pela qual e por imperativo da minha formação cívica, renuncio ao galardão, com pesar, é verdade, mas convicto de que faço o que dita minha consciência.” Hoje morando em Brasília, Hamilton Bueno prometeu enviar a medalha ao Palácio Tiradentes por correio até amanhã (23).
Leia a íntegra da carta abaixo.

Excelentíssimo Senhor
Fernando Pimentel
DD. Governador do Estado de Minas Gerais
“Minas Gerais não aceita a paz morna da submissão”
(Governador Itamar Franco)

Senhor Governador.
No ano de l982 fui agraciado pelo Governo do meu estado com a Medalha da Inconfidência.
Era então, Diretor do Colégio Tiradentes da Policia Militar sediado em Barbacena e Comandante Geral da mesma Corporação o Coronel PM Jair Cançado Coutinho sendo Governador do Estado o Dr. Francelino Pereira dos Santos.
Por indicação daquele Comandante fui agraciado pelo Governador com esta comenda pelos “relevantes serviços prestados” à gloriosa Polícia Militar e ao seu sistema de ensino.
Não sei se tão relevantes foram esses serviços, mas afirmo que durante os sete anos em que dirigi o referido Colégio entreguei-me de corpo de alma à missão e o fiz despontar, coadjuvado por excelente equipe de Especialistas, Professores e Corpo Administrativo, como Padrão em Minas Gerais, segundo avaliação da Secretaria de Educação, e, sem qualquer dúvida, o melhor de Barbacena.
Cheguei à direção daquele Colégio através de uma caminhada pelas fileiras da Corporação, na qual me alistei, em 1.954, com treze anos de idade, como aluno da Escola de Formação Musical do 9º Batalhão, escola essa criada pelo Governador Juscelino Kubitscheck. Nessa caminhada e graças à PMMG logrei alcançar dois cursos superiores, conquistar o primeiro lugar no Estado no Concurso Público para a Cadeira de História, patrocinado pela Corporação e, em seguida, ser nomeado Diretor do referido estabelecimento.
Com dedicação e apoio do saudoso Coronel Walter Rachid Bittar, Chefe do Estado Maior da PMMG e do não menos saudoso Dr. Chrispim Jacques Bias Fortes Secretário de Obras do Estado, edificamos o novo prédio do Educandário, remodelamos a sua administração e implantamos o Serviço de Supervisão Pedagógica.
Foram vinte e oito (28) anos vividos no seio da Corporação, da qual me desliguei para encetar carreira na Magistratura do Estado de Rondônia.
Reconheço, sinceramente, que a comenda a mim conferida, ultrapassa, e muito, os meus méritos, se é que os tenho, mas a recebi com orgulho e a consciência tranquila de quem tudo fez em prol da educação mineira e em especial da juventude barbacenense.
Hoje, assisto no noticiário haver Vossa Excelência conferido igual comenda a um tal Stédile, de quem ouço falar como invasor de propriedades alheias, de incentivador da desobediência civil, da liderança de insurrectos e como comandante de um exército ilegal e nocivo à segurança nacional.
Respeito a escolha de Vossa Excelência por essa atitude, mas me recuso ao nivelamento a que estão submetidos os nomes de grandes brasileiros que também foram distinguidos pelos governadores que lhe antecederam.
No Brasil atual em que a corrupção endêmica é a tônica do noticiário, em que a mediocridade se sobrepõe à criatividade; a esperteza à honestidade, a incompetência à capacidade e o corporativismo partidário aos interesses maiores na nação, sinto quão imerecida se apresenta essa condecoração, eis que grandes nomes do cenário nacional, em todas as áreas da atividade, são ignorados neste momento pelos governantes de plantão.
Prefiro tê-la merecido sem ostentá-la que dividi-la com quem nada fez em prol do Brasil, da ordem pública e muito menos por Minas Gerais onde é ilustre desconhecido.
Nesta oportunidade peço desculpas ao ilustre Coronel PM Jair Cançado Coutinho e ao Governador Francelino Pereira dos Santos por esta atitude, afirmando, contudo que maior que a comenda que me concederam é a gratidão que por eles guardo no recôndito do meu coração.
Não me julgo superior a esse senhor Stédile, mas a minha modesta biografia, a minha devoção ao meu Estado natal, -berço e sacrário da nossa liberdade- recomendam-me não aceitar esse nivelamento, razão pela qual e por imperativo da minha formação cívica, renuncio ao galardão, com pesar, é verdade, mas convicto de que faço o que dita minha consciência.
A medalha, a passadeira e o respectivo Diploma seguem endereçadas ao Cerimonial do seu governo, via SEDEX com aviso de recebimento.


Atenciosamente.
Brasília, 21 de abril de 2015
MOZART HAMILTON BUENO"

Fonte: http://epoca.globo.com/tempo/expresso/noticia/2015/04/juiz-aposentado-se-recusa-dividir-titulo-mineiro-com-joao-pedro-stedile.html

segunda-feira, 16 de março de 2015

Governo Dilma não acreditava que a maioria dos brasileiros está isatisfeita ou continua embreagada pelo Poder?

Governo errou antes e depois dos protestos
Matéria de: Fernando Rodrigues

15/03/2015 20:32
Nos últimos dias, PT e Planalto tentaram desqualificar manifestações

Entrevista de ministros após os atos mostra discurso desafinado
 
O governo da presidente Dilma Rousseff conseguiu errar antes e depois dos protestos deste domingo (15.mar.2015) em todo o país.

Nos últimos dias e semanas, o PT e o Palácio do Planalto trabalharam para tentar desqualificar previamente as marchas de protesto. Nas redes sociais, simpatizantes dilmistas classificavam os manifestantes de "elite branca", "coxinhas", "varanda gourmet" e "almofadinhas". A crítica mais benigna dos governistas era que haveria pouca gente ou que apenas setores da classe média sairiam de casa no domingo.

A forte adesão de centenas de milhares de pessoas destruiu os argumentos petistas e do Planalto. Segundo o Datafolha, São Paulo teve a maior manifestação política (210 mil pessoas) desde as Diretas-Já, em 1984.

Passadas as marchas, a presidente Dilma Rousseff escalou dois ministros para falar com repórteres. Miguel Rossetto (Secretaria Geral da Presidência) e José Eduardo Cardozo (Justiça) apareceram para a entrevista com camisas sociais azuis, sem gravata, ternos desalinhados e semblantes de derrotados. Nessas horas, imagem é quase tudo.

Mas o conteúdo ainda foi mais desalentador para o governo. Um ministro (Cardozo) começou com uma fala mais humilde falando em respeito à democracia. O outro (Rossetto) começou classificando os manifestantes como eleitores que votaram contra Dilma Rousseff em 2014. Disse também que "não é legítimo o golpismo, a intolerância, o impeachment infundado que agride a democracia". Mas como o ministro Rossetto sabe que todos os que foram às ruas queriam o impeachment e votaram contra Dilma?

Tudo somado, Rossetto e Cardozo não trouxeram em suas falas nada que pudesse minimizar o mau humor de brasileiros que estão protestando. Sem contar as velhas desculpas do tipo "o Brasil só melhora depois de uma reforma política".

Para Cardozo, "a atual conjuntura aponta para uma necessária mudança no nosso sistema político-eleitoral (…) é um sistema anacrônico que constitui a porta de entrada principal para a corrupção no país. Então, é preciso mudá-la por meio de uma ampla reforma política".

Ocorre que o governo federal é comandado pelo PT há 12 anos. Durante algum tempo, o presidente no poder (Lula) teve mais de 80% de aprovação popular. Mesmo assim, a administração federal petista não se sentiu compelida a promover uma reforma política. Dizer que agora tudo depende de leis mais rígidas e de uma reforma política é uma possível saída retórica. Mas a eficácia desse argumento é frágil.

Quem conversa com os assessores de Dilma Rousseff sente que o problema no momento parece ser a grande incapacidade do Palácio do Planalto de reconhecer o que está se passando na sociedade. E, em seguida, ter presença de espírito para fazer algum tipo de autocrítica para reconquistar uma parte da confiança perdida entre os brasileiros.

O país passa por um momento curioso do ponto de vista sociológico. A demonstração de indignação se transformou quase numa forma de relacionamento social. Os amigos vão ao restaurante, o garçom demora para atender e em segundos alguém está falando alto: "É um absurdo. O Brasil não dá mais. Nada funciona". Pode-se gostar ou não dessa atitude, mas cenas assim estão se tornando cada vez mais comuns.

O pior para quem está no governo é não entender esse "zeitgeist", esse espírito do tempo que parece estar tomando conta de parte da sociedade brasileira, sobretudo nos grandes centros urbanos.

As imagens da TV mostraram desde cedo no domingo mais de uma dezena de cidades com protestos de pessoas nas ruas. A TV Globo transmitiu vários flashes ao vivo. As TVs de notícias 24h (GloboNews, BandNews e RecordNews) ficaram quase 100% do tempo com imagens dos atos públicos.

País de tradição abúlica, o Brasil tem poucos episódios de grandes passeatas. Teve a direita em 1964. As Diretas-Já, em 1984/85. O impeachment de Collor, em 1992. As jornadas de junho de 2013, que protestaram contra quase tudo, principalmente contra a política tradicional.

Como se observa na história, o Brasil às vezes passa 10 anos ou mais entre um momento e outro de grandes protestos. Agora, essa distância parece estar se estreitando. Menos de 2 anos depois das marchas de junho de 2013 há um novo protesto generalizado. É um fato é raro.

O Brasil não é a Argentina ou outros países latinos nos quais é comum a população ir às ruas reclamar.

O que se passou neste domingo sem fazer juízo de valor sobre determinadas propostas que apareciam nas faixas dos manifestantes tem grande relevância política.

Goste ou não dos manifestantes, o governo Dilma às vezes demonstra não entender que a tessitura do grupo que foi às ruas neste 15 de março é muito semelhante à das massas que fizeram as Diretas-Já e o impeachment de Collor.

Sem uma reação melhor do que a entrevista dos ministros Rossetto e Cardozo será difícil a presidente Dilma se recuperar politicamente.


Fonte: http://fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br/2015/03/15/governo-errou-antes-e-depois-dos-protestos/

domingo, 15 de março de 2015

Sociólogo Sergio Fausto emite opinião sobre a sustentação do Governo Dilma após manifestação democrática de 15 de março.

Nota de C&T:O texto abaixo não representa para mim a absoluta verdade, mas como cidadão brasileiro não posso me desconectar da realidade. No site da uol, especialmente no áudio disponível, conforme link exposto no final da publicação seguinte, é possível se entender um pouco sobre o que pode acontecer de bom e de expectativas negativas para os próximos dias no Brasil lá para as bandas do Planalto. O sentimento de rejeição ao governo atual gera desconforto aos adversários, mas principalmente aos defensores e aliados do governo atual no sentido de não dar espaço para que os opositores ganhem força. Pensar em uma alternância de governo para 2018 é tudo que os apaixonados pelo PT não querem.

15/03/2015 17h51 - Atualizado em 15/03/2015 18h00


 "Governo Dilma acabou neste domingo", avalia sociólogo

Em entrevista à Jovem Pan, o sociólogo e cientista político Sérgio Fausto avaliou que as manifestações contra o governo deste domingo (15) são um marco no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. "O governo Dilma tal como ele se constituiu até agora acabou neste domingo", disse. "(O governo) precisa se reconstituir e começar a "criar um novo plantel neste domingo", sugeriu.

A força das manifestações, as quais Fausto considera "impressionantes", provocarão mudanças, entende. "A reforma política é inevitável", disse.

O especialista entende também que a causa dos protestos é a falha do diálogo do governo com o povo. "A base aliada no congresso se mostrou inteiramente incapaz de comunicar-se com a sociedade", disse. "É um governo fadado ao fracasso", avaliou. "A manifestação de hoje esfrega isso na cara do governo."


Consequências políticas
Como "político não rasga voto", Dilma deve enfrentar um dilema do que fazer a respeito dessa massa de pessoas que mostraram insatisfação com o governo. "Uma outra equipe precisa assumir a política", ponderou.

Fausto vê um sentimento parecido com o das Diretas Já, embora à época havia palanque político e membros da oposição discursando, algo que o povo não permitiu que acontecesse nesse domingo.

Mesmo assim, o cientista político vê dois partidos que poderiam se beneficiar com os atos: PSDB e PMDB. O PSDB "como principal força de alternância desse governo" e o PMDB, uma vez que pode "tornar mais caro o preço do apoio ao governo na medida em que ele se enfraquece".

Fonte: http://jovempan.uol.com.br/noticias/brasil/politica/governo-dilma-acabou-neste-domingo-avalia-sociologo.html 

quinta-feira, 12 de março de 2015

Jornalista condenado a prisão + pena pecuniária por escrever texto fictício.


Imagem captada no busca do Google, apenas
ilustração sem nenhuma conotação.
Como simples cidadão que sou uma pessoa pacata, desconhecida, sem nenhuma expressão social nessa pátria que a chamo de minha, principalmente por não ser foco para os holofotes da mídia, me resta entrar na solidão do meu eu, me recolher em uma profunda depressão moral. Quem realmente eu sou? Um jornalista, por mais partidário que seja, escreve algo que se assemelha a realidade de seu alvo de críticas, é condenado à prisão e pena pecuniária. O que seria de mim?

No meu Brasil a incoerência está presente em todos meios, a desproporcionalidade é patente nas consequências dos atos de seus cidadãos, é difícil. Para quem não tem muitos detalhes sobre o texto que levou o jornalista Cristian Góis aos tribunais com resultado de condenação, segue uma cópia de uma antiga publicação do portal infonet.

Eu, o coronel em mim

Mando e desmando. Faço e desfaço

Está cada vez mais difícil manter uma aparência de que sou um homem democrático. Não sou assim, e, no fundo, todos vocês sabem disso. Eu mando e desmando. Faço e desfaço. Tudo de acordo com minha vontade. Não admito ser contrariado no meu querer.  Sou inteligente, autoritário e vingativo. E daí?

No entanto, por conta de uma democracia de fachada, sou obrigado a manter também uma fachada do que não sou. Não suporto cheiro de povo, reivindicações e nem com versa de direitos. Por isso, agora, vocês estão sabendo o porquê apareço na mídia, às vezes, com cara meio enfezada: é essa tal obrigação de parecer democrático.

Minha fazenda cresceu demais. Deixou os limites da capital e ganhou o estado. Chegou muita gente e o controle fica mais difícil. Por isso, preciso manter minha autoridade. Sou eu quem tem o dinheiro, apesar de alguns pensarem que o dinheiro é público. Sou eu o patrão maior. Sou eu quem nomeia, quem demite. Sou eu quem contrata bajuladores, capangas, serviçais de todos os níveis e bobos da corte para todos os gostos.

Apesar desse poder divino sou obrigado a me submeter à eleições, um absurdo. Mas é outra fachada. Com tanto poder, com tanto dinheiro, com a mídia em minhas mãos e com meia dúzia de palavras modernas e bem arranjadas sobre democracia, não tem para ninguém. É só esperar o dia e esse povo todo contente e feliz vota em mim. Vota em que eu mando.

Ô povo ignorante! Dia desses fui contrariado porque alguns fizeram greve e invadiram uma parte da cozinha de uma das Casas Grande. Dizem que greve faz parte da democracia e eu teria que aceitar. Aceitar coisa nenhuma. Chamei um jagunço das leis, não por coincidência marido de minha irmã, e dei um pé na bunda desse povo.

Na polícia, mandei os cabras tirar de circulação pobres, pretos e gente que fala demais em direitos. Só quem tem direito sou eu. Então, é para apertar mais. É na chibata. Pode matar que eu garanto. O povo gosta. Na educação, quanto pior melhor. Para quê povo sabido? Na saúde...se morrer “é porque Deus quis”.

Às vezes sinto que alguns poucos escravos livres até pensam em me contrariar. Uma afronta. Ameaçam, fazem meninice, mas o medo é maior. Logo esquecem a raiva e as chibatadas. No fundo, eles sabem que eu tenho o poder e que faço o quero.  Tenho nas mãos a lei, a justiça, a polícia e um bando cada vez maior de puxa-sacos.

O coronel de outros tempos ainda mora em mim e está mais vivo que nunca. Esse ser coronel que sou e que sempre fui é alimentado por esse povo contente e feliz que festeja na senzala a minha necessária existência .”

Acompanhe a coluna no twitter em @cristiangoes