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sábado, 13 de julho de 2013

Número elevado de farmácias favorece automedicação, diz médica

13/07/2013 10h00
Pesquisa indica que em Curitiba há mais farmácias do que o indicado.
Professora da UFPR fala dos riscos se tomar remédio sem prescrição.

Bibiana Dionísio Do G1 PR

Ir a uma farmácia e comprar remédio por conta própria ou apenas a partir da indicação do balconista é comum entre brasileiros, a ponto de ser um hábito. No caso da analisa de treinamento e desenvolvimento na área de Recursos Humanos Mariane Garbuio, de 30 anos, é um costume que foi passado de mãe para filha. “Desde que eu era pequena, eu cresci com a minha mãe me dando remédio. Eu sentia uma dor de garganta, minha mãe me dava um Cataflam. Eu ficava com febre, ela me dava um antitérmico, antes de me levar no médico. Eu acabei pegando este hábito”.
Mariane conta que se automedicava principalmente em casos de dor de cabeça, de garganta, dor de estômago e tosse. Mas, agora, esse hábito pertence ao passado. Por estar grávida de dois meses e meio, ela está impedida de ingerir qualquer remédio sem avaliação médica. “Estou sofrendo horrores. Eu sinto uma dorzinha e não posso tomar remédio. Antes eu sentia uma dor de cabeça, tomava algo e passava. Agora, eu não posso tomar nada. Essa semana eu tive uma crise de enxaqueca e não pude tomar nada, então, isso me faz sofrer”, confessou.
A automedicação e os possíveis impactos são minimizados pela população e por isso acaba sendo tão corriqueira. Uma pesquisa, coordenada pela professora Domique Muzzilo do Departamento de Clínica Médica da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e médica hepatologista do Hospital de Clínicas (HC), indica que no Centro de Curitibaexistem mais farmácias por habitante e por área do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Enquanto o indicado é uma farmácia para oito a 10 mil habitantes, na capital paranaense a proporção é de três para mil. “A oferta é tão grande porque tem procura e, como a oferta é tão grande, a procura permanece presente”, pontuou a professora.

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Essa oferta, no entendimento da professora, é exuberante e corrobora com a automedicação. Segundo Muzzilo, um levantamento da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) mostrou que cerca de 80 milhões de brasileiro se automedicam. Além disso, dados do Ministério da Saúde mostram que de cada três medicamentos vendidos em farmácia, apenas um tem receita médica. A pesquisa do governo federal apontou ainda que os outros dois medicamentos foram adquiridos após indicação, por exemplo, de parentes, amigos, vizinho e balconistas.
“Isso é muito grave. Quando a pessoa toma a medicação, sem a indicação médica, ela não sabe o que aquele remédio pode causar em termos de efeitos adversos. Ela não sabe se realmente tem uma doença que precise daquele medicamento ou se ela tem alguma situação que pode até piorar por causa daquele medicamento”, alertou a professora.
Segundo a professora, o medicamento mais vendido livremente nas farmácias é o anti-inflamatório não hormonal – indicado, por exemplo, para dor e inflamação -, que é o medicamento que mais pode causar complicações. “Uma das mais comuns são os problemas gástricos, a ponto de a pessoa ter hemorragia por reação do remédio. São remédios muito importantes para a população que tem a indicação adequada, no entanto, os colaterais podem ser graves”.

Quando a pessoa toma a medicação, sem a indicação médica, ela não sabe o que aquele remédio pode causar em termos de efeitos adversos

Domique Muzzilo, médica e professora da UFPR

Aliado a esta questão numérica, existe um mecanismo criado para impulsionar a venda de medicamentos em detrimento da saúde. “Os balconistas são treinados para dar orientações breves, mas a função deles é literalmente vender. Eles têm cotas para atingir. Nós sabemos que existem subsídios e estímulos financeiros de quem vendem as medicações para as farmácias, que premiam esses balconistas quando eles atingem estas cotas”.
No entendimento da professora, o medicamento é tratado como se fosse um pacote de biscoito. Ela exemplifica com uma experiência própria. A professora e médica do HC foi comprar um remédio e o balconista sugeriu que ela levasse mais do que o necessário porque estava em promoção.

Além disso, lembrou Muzzilo, os balconistas estão despreparados para a função. Pelo menos, foi o que mostrou outra pesquisa realizada há dois anos também sob a supervisão da professora. Neste levantamento, alunos de medicina questionavam os balconistas sobre o paracetamol – que é um analgésico - com o intuito de saber o grau de conhecimento do balconista.  De acordo com Muzzilo, os balconistas não respondiam adequadamente sobre a dosagem e nem sobre efeitos adversos. “Eles estimulavam que fosse tomada uma dose muito maior do que a devida”. Esta é uma amostra, que na avaliação da professora, pode ser estendida a outros remédios.
A complexidade da automedicação, destaca a professora, não está nos balconistas. É preciso considerar que atualmente as farmácias ampliaram a oferta de produtos. Além do carro-chefe, os consumidores encontram uma infinidade de opção como cosméticos, chocolates, salgadinhos, pão, chás, eletrônicos, etc.
Há ainda a questão da legislação, que para a professora, é permissiva. “É ruim a facilidade que o cliente tem para obter qualquer tipo de medicamento”, disse.  Atualmente, a receita médica é exigida apenas na compra de antibióticos e remédios de tarja preta. As outras medicações são de aplicação livre.
Diante deste cenário, a professora levanta a questão: por que é dada a licença indiscriminada para a abertura de um número tão grande de farmácias? Muzzilo destaca que a farmácia está simplesmente cumprindo o papel dela que é ser simplesmente um comerciário. Não há nenhum desrespeito a lei. “Eles são livres para venderam o que quiserem, com exceção dos antibióticos e dos remédios tarja preta. O que eu entendo é que nossa legislação é muito frouxa, muito livre nisso”, argumentou. A professora também acredita que deveria ser proibida a publicidade de medicamentos nos veículos de comunicação para que fosse minimizada esta prática da automedicação.

 
 

terça-feira, 16 de abril de 2013

Médicos agora miram anti-inflamatório.

Após fechar cerco aos antibióticos, sociedades médicas defendem mudança na forma de prescrição, com retenção de cópia da receita. Lígia Formenti / BRASÍLIA Um dos campeões de vendas nas farmácias e da automedicação, os anti-inflamatórios estão na mira das sociedades médicas. Com aumento de complicações e atendimentos de urgência provocados pelo uso inadequado, algumas entidades passaram a defender uma mudança na forma da prescrição. A proposta é que todos os medicamentos dessa classe sejam vendidos com a retenção de uma cópia da receita.“É preciso fazer algo. Boa parte dos atendimentos de urgência, como hemorragias e lesões agudas gástricas, é provocada pelo uso exagerado do remédio”, afirma o presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia, José Roberto Almeida. “Somos uns dos campeões mundiais no uso dessa classe de medicamento. Eles são importantes, úteis,mas quando usados de forma adequada”, afirma o diretor médico do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Anthony Wong. Um dos principais erros, diz Wong, é usar anti-inflamatórios como ferramenta para reduzir a dor. “O remédio não foi desenvolvido com essa finalidade.” Ele atribui a grande incidência de complicações ao desconhecimento das interações que o medicamento pode trazer. “Geralmente esse tipo de remédio é usado por pessoas idosas, que já têm outros tipos de problemas.” Aideia, portanto é estabelecer como regra geral para todos os anti-inflamatórios o que já acontece com alguns medicamentos da classe e todos os antibióticos. O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária(Anvisa), Dirceu Barbano, afirma que pedidos de regras mais rígidas já chegaram à agência. “Por enquanto temos outra prioridade. Não acreditamos que o comportamento possa ser mudado só com o aumento de restrições.” Barbano diz que a agência quer encontrar mecanismos para fazer valer uma regra antiga, mas que raramente é respeitada: a necessidade da apresentação da receita para remédios de tarja vermelha. Em fevereiro, a Anvisa publicou pela segunda vez um edital para interessados em participar de uma força de trabalho encarregada de estabelecer medidas para estimular o uso racional de medicamentos. Cerca de 120 inscrições foram feitas. A expectativa é a de que até o fim do ano uma política já esteja traçada. A intenção é alertar a população sobre os riscos da automedicação, chamar a atenção dos locais de venda para a necessidade do cumprimento das regras e reforçar a vigilância. “Vamos alertar todos os setores envolvidos, discutir estratégias de tal forma que, quando a cobrança começar a ser feita, ninguém possa dizer que não estava preparado.” O presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo( Sindusfarma), Nelson Mussolini, considera acertada a estratégia da Anvisa. “Toda venda de medicamento com tarja deve ser feita mediante a apresentação da receita.” Para ele, a automedicação tem de ser reduzida não com mais burocracia, mas com a criação de campanhas de esclarecimento. Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica,concorda. “É preciso exigir receita, mas também garantir o acesso da população a atendimento médico”, disse.“Enquanto o acesso for difícil, as pessoas vão recorrer ao palpite da vizinha ou aos medicamentos sugeridos nas farmácias.” Roberto Almeida diz que atividades educativas são imprescindíveis. “Se isso não funcionar, é preciso pensar em algo mais restritivo.” Vendas. Em 2012, 129.279 caixas de anti-inflamatórios foram vendidas no País, segundo o levantamento feito pelo Sindusfarma e IMS Health. Essa classe de medicamentos, representa 4,9% da movimentação do setor. Em 2010, haviam sido vendidas 106.043, ou seja, uma alta de 21,9% em dois anos. “Houve um aumento, mas equivalente ao crescimento que ocorreu no mercado neste período”, diz o presidente do sindicato. Em 2012, foram vendidas no País 2.587.868 caixas de remédios, uma alta de 25% em comparação ao total de 2010 (2.069.607).
FONTE: O ESTADO DE SÃO PAULO – SP

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Automedicação causa danos ao fígado e pode levar à morte

12/12/2012 - 08:22
Bastar uma dor de cabeça, que a farmácia é logo acionada. Seja ela a drogaria do bairro ou a caixinha de remédios em casa. Estudo recente divulgado pelo Centro Multidisciplinar da Dor, no Rio de Janeiro, constatou que pelo menos metade dos pacientes fazem consultas informais na hora de tomar um medicamento e que 40% repetem a mesma medicação prescrita em outras ocorrências. O hábito não só prejudica o nosso organismo, como também pode levar a sérias complicações no fígado e reações alérgicas graves, inclusive induzindo à morte.

“A automedicação é a primeira opção de boa parte das pessoas. Muitos não procuram qualquer auxílio médico. É preciso entender que quase todos os fármacos fazem algum mal à saúde, por isso o médico prescreve a dose e a duração do tratamento”, esclarece Ana Carolina Cardoso, hepatologista da clínica HepatoScan. A especialista explica ainda que, como a maior parte dos remédios é processada pelo fígado, há casos recorrentes em que o paciente desenvolve um grave processo inflamatório (hepatite) e até lesões avançadas, com o passar do tempo.

As “farmácias em casa” constituem o mais preocupante fator do automedicamento. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), cerca de 23% dos casos de intoxicações infantis são causadas pelo armazenamento incorreto de medicamentos pelos pacientes. Os números alarmantes não são características apenas do Brasil. A Universidade do Algarve, em Portugal, observou que a prevalência no uso da automedicação de sua população adulta se situa de 21,5% a 31,6%, de 17,7% a 35,5% entre a população idosa e de até 77,5% entre as crianças medicadas apenas pelos responsáveis.

Para Ana Carolina Cardoso, o uso de medicamentos como analgésicos, anti-inflamatórios e antibióticos por conta própria deve ser suspenso imediatamente. “O uso indiscriminado de anti-inflamatórios, por exemplo, pode causar lesões hepáticas graves e hemorragias digestivas seriíssimas, enquanto o excesso de analgésicos pode acabar transformando dores pontuais, em crônicas”, alerta a hepatologista, ressaltando que o ideal é que as pessoas que tem se automedicado com regularidade façam exames de rotina para verificação do fígado e órgãos como o intestino, o estômago e o coração.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Dificuldade para marcar consulta médica é uma das principais causas da automedicação entre menores de cinco anos.

28/08/2012

Segundo estudo, prática é mais comum entre mães que mantêm medicamentos estocados em casa.
Uma pesquisa publicada na Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil em junho deste ano revelou uma alta prevalência de automedicação por parte das mães em crianças menores de cinco anos. O estudo foi realizado nos municípios de Caracol, no Estado do Piauí, e Garrafão do Norte, no Pará, por Ivana da Cruz Goulart, da Universidade Federal do Rio Grande, e colegas.

Das 590 crianças avaliadas em Caracol e das 1081 em Garrafão, 30% e 25% haviam sido automedicadas nos últimos 15 dias antes do estudo, respectivamente. "O fato de não conseguir atendimento para o filho doente nos últimos 15 dias nos dois municípios, assim como de residir há mais de 1 km dos serviços de saúde em Caracol e de a mãe exercer trabalho remunerado nos últimos 12 meses em Garrafão mostraram-se significativamente associados à automedicação entre menores de cinco anos", explicam os autores no artigo.

Segundo a pesquisa, a automedicação é mais comum entre mães que mantêm medicamentos estocados em casa, que se utilizam de receitas prévias fornecidas por médicos e que obtiveram previamente bom resultado com a mesma criança. "Isto é mais facilmente observado no caso de doenças de longa duração como, por exemplo, asma, mas pode, também, ocorrer em casos de doenças comuns, particularmente febre, cólicas e resfriado comum", diz a equipe.

Os pesquisadores lembram alguns efeitos nocivos da automedicação sobre a saúde infantil como, por exemplo, indução de resistência bacteriana, mascaramento de doenças e intoxicação medicamentosa.

Confira a íntegra da pesquisa.

domingo, 2 de setembro de 2012

Entidades desaprovam venda de remédios fora do balcão

Desde o fim de julho, está liberada a venda de 2,3 mil produtos sem prescrição médica

SÃO LUÍS – Desde o fim de julho, está liberada a venda de 2,3 mil produtos sem prescrição médica, como analgésicos e antitérmicos, fora das prateleiras das farmácias e drogarias. Após consultas públicas e estudos para medir o impacto da medida, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que alterou a resolução nº 44 de 2009 que trata sobre a proibição da venda desses medicamentos fora do balcão. Em pelo menos onze Estados, a venda já era liberada por meio de liminares judiciais.

Pelo menos 30% do volume de vendas nas farmácias é de medicamentos isentos de prescrição médica, geralmente indicados para dores de cabeça, acidez estomacal, azia, febre, tosse, prisão de ventre, aftas, dores de garganta, assaduras, hemorroidas e congestão nasal. Pela nova regra, as farmácias deverão expor, na área destinada a esses remédios, cartazes com a orientação: "Medicamentos podem causar efeitos indesejados. Evite a automedicação: informe-se com o farmacêutico". A portaria estabelece, ainda, que esses medicamentos devem ficar isolados da área destinada a produtos correlatos, como cosméticos e dietéticos.

Entidades como o Conselho Federal de Farmácia (CFF) não aprovam a ideia porque incentiva a prática da automedicação. Segundo o presidente do CFF, Walter da Silva Jorge João, medidas já estão sendo tomadas para que haja o uso racional desses medicamentos. "Nós somos contra por vários motivos. O principal é a indução à automedicação e as consequências que isso pode trazer. Se fala em medicamentos isentos de prescrição, mas é preciso que a sociedade tenha a clareza de que eles podem ser isentos de prescrição, mas não são isentos de risco", disse em entrevista ao Imirante na manhã desta sexta-feira (31). Ainda de acordo com o CFF, estudos mostraram que grande parte da sociedade é declaradamente contra a venda de remédios sem prescrição médica.

A recomendação da entidade é que os pacientes consultem os profissionais farmacêuticos. "Esse direito tem que ser garantido ao usuário. Quando nós lutamos para levar esses medicamentos para trás do balcão foi justamente buscando proteger a saúde das pessoas", conclui. Walter da Silva defende que, para combater a automedicação, seja proibida a veiculação de propaganda sobre medicamentos. Agora, o CFF busca apoio de entidades internacionais e já entrou com ações judiciais contra a Anvisa interpelando a agência sobre a questão

domingo, 5 de agosto de 2012

Balconista de farmácia X Empurroterapia X BO (bonificados).

Nota de C&T: O artigo abaixo foi escrito em 2004, mas está atualizado para realidade dos dias atuais, nada mudou, pelo contrário, está pior, basta procurar saber os índices de intoxicação registrados nos órgãos competentes.

Balconista de Farmácia
Eurípedes Sebastião Mendonça de Souza, gastroenterologista

O balconista de farmácia é uma das ocupações profissionais que goza de certo prestígio. Decifram as receitas médicas e odontológicas e estão sempre disponíveis para esclarecer as dúvidas dos usuários. Vez por outro, extrapolam os limites de sua competência e protagonizam as práticas conhecidas como "empurroterapia" e "remédios B.O (bom para otário). Este autor resolveu discutir este assunto em decorrência de um "Alerta a Classe Médica" que a Federação Brasileira de Gastroenterologia está distribuindo com os médicos especialistas nas doenças do sistema digestório (ex-digestivo).

O "Alerta" denuncia a prática ilegal da venda dos "similares incentivados" (medicamentos bonificados, nos quais os balconistas recebem comissões sobre as vendas) e não os genéricos autorizados pela ANVISA. Medicamentos muitas vezes produzidos em laboratórios desconhecidos dos médicos. O documento supra recomenda que os pacientes não permitam que sua receita seja trocada. E que a compra seja feita em grandes redes ou farmácias de sua confiança.

Claro que "nem tudo que reluz é ouro" e que no fundo está em jogo a ganância financeira desmedida. Mas automedicação pode matar, empurroterapia pode ser barata, mas não eficaz. Logo, o assunto é sério e merece de todos uma profunda reflexão. Notadamente agora, que surgiram os balconistas de internet (pasmem! Comercializam até medicação controlada) e balconistas graduados. Como contribuição, descreve a seguir o autor uma experiência verídica vivenciada, que por razões óbvias omitirá a identificação dos protagonistas.

O sr. MF, então com 60 anos de idade, conhecia este autor e um balconista de farmácia desde que eles eram crianças. Os três moravam no mesmo bairro de João Pessoa. Certo dia o sr. MF começou a apresentar tosse com expectoração, diminuição do apetite e fraqueza. Foi ao balconista que receitou-lhe xarope de iodeto de potássio.

Como os sintomas não melhoraram, o sr. MF voltou ao balconista que desta vez empurrou-lhe um xarope de ambroxol e soro glicosado a 5% para ser ingerido (?!). Como não surtiu efeito - e fiel ao ditado: "caso os sintomas persistirem, procure um médico" - o sr. MF procurou o autor, que na época era recém formado, que após escutar as suas queixas (tecnicamente chamado de anamnese), examiná-lo (ausculta do pulmão e outras técnicas chamadas em conjunto de exame físico) e solicitar uma radiografia do tórax e exame de escarro fez o diagnóstico de tuberculose pulmonar. O sr. MF fez tratamento (gratuito) por seis meses e ficou curado. O paciente estava há alguns meses disseminando o bacilo da doença para seus amigos e parentes. O diagnóstico precoce teria evitado o absenteísmo ao trabalho, gastos desnecessários com medicação e disseminação da doença. A tríade do sucesso terapêutico não é nova: escutar - examinar - avaliar exames - PRESCRIÇÃO. Tal seqüência não pode ser invertida ou "pulada".

Concluindo, a prescrição de medicamentos é a última etapa da assistência médica/odontológica. Tomar medicamentos sem diagnóstico da doença e sem a qualificação do prescritor é um risco à saúde. Não seja otário. Cuide-se

Os perigos da automedicação

Pesquisa mostra que 50% de pacientes se baseiam em opiniões de pessoas não qualificadas para usar um medicamento. Uso inadequado de remédio pode levar até à morte

Uma pesquisa do Centro Multidisciplinar da Dor (RJ) mostra dados alarmantes sobre a automedicação. De acordo com o estudo, 51% dos pacientes se baseiam em sugestões de pessoas não qualificadas para uso de medicamentos e 40%, em prescrições anteriores. A pesquisa também apontou os principais motivos para a automedicação: infecção respiratória alta (19%), dor de cabeça (12%) e má digestão (7,3%).

Observou-se ainda que em 24% dos casos o motivo da procura do medicamento estava relacionado a sintomas de dor (dor de cabeça, dor muscular, cólica, e outros) e 21%, com quadros viróticos ou infecciosos (infecção respiratória alta e diarreia). Ainda neste estudo, muitos pacientes que passaram pelo Centro Multidisciplinar da Dor utilizaram analgésicos simples, anti-inflamatórios, relaxantes musculares e até mesmo medicações de ação no Sistema Nervoso Central, como os ansiolíticos.

— Com a automedicação, notamos maiores índices de dependência aos remédios, assim como lesões graves nos pacientes, muitas irreversíveis; e por fim, a perpetuação dos sintomas, chegando a diagnósticos de dores crônicas e estados crônicos de ansiedade e depressão — explica o neurocirurgião e diretor médico do Centro Multidisciplinar da Dor, Alexandre Amaral, responsável pelo estudo.

Na última semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a venda de medicamentos sem receita médica em farmácias de todo o país, o que, segundo neurocirurgião, retoma a questão dos perigos da automedicação. Segundo ele, a ingestão de quantidades excessivas de analgésicos e outros remédios para dor podem não só criar a dependência, como desenvolver quadros de reações adversas, como: lesão no fígado (paracetamol); sangramento no estômago e/ou intestinos (anti-inflamatórios), alteração dos rins (anti-inflamatórios); tonturas; e outras reações, sendo algumas delas graves, podendo levar à morte.

Nota de C&T:
A ANVISA dá mais uma prova de instituição manipulada politicamente e que cede facilmente ao poderio financeiro de Indústrias Farmacêuticas, Distribuidoras e Redes de Drogarias. O respeito à vida ficou em segundo plano.
Automedicação é um efeito resultado da falta de educação, políticas sérias de saúde, gestão competente e principalmente falta de consciência do cidadão no tocante ao mal que ele poderá estar fazendo para com sua própria saúde.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A Advocacia-Geral da União (AGU) assegurou, na Justiça, a validade da Resolução 44/2010 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Farmácias e Drogarias não gostaram, mexeu com o caixa.


Nota de C&T:
Que pena, parece-me que o site "direitoce.com.br", citando o Diário do Nordeste como fonte em matéria postada na íntegra abaixo, procurou omitir o nome de uma empresa do ramo farmacêutico que ingressou na justiça para derrubar a RDC 44/2010.
São atitudes como esta tomada pela "desconhecida empresa", que nos garante o direito de afirmar que a automedicação é interessante para o mercado. Os argumentos utilizados pela desconhecida empresa são estapafúrdios. Todos têm o direito de contestar o que não lhes agradam, mas usar fatos inexistentes é um absurdo.
Vender medicamento que se exige prescrição, sem respeitar tal regra, é crime. Não é por falta de atenção do SUS com pacientes que precisam de uma prescrição, que seja justificada a automedicação e o exercício ilegal da profissão. Farmacêutico ainda não faz parte do rol dos profissionais autorizados a prescrever medicamentos, mas este é um assuntos para se discutir em outro forum.
A empresa desconhecida, provavelmente uma grande rede de lojas, certamente está com seus estoques amarrotados de produtos que seriam vendidos sob a prática da empurroterapia, trocas de marcas prescritas por médicos por marcas que lhes oferecem vantagens financeiras, pagamentos de até 15% na venda de determinados produtos aos balconistas, cujas verbas são  asseguradas por determinadas Indústrias de Similares e Genéricos (Pagamento de bonificação, Guelta, etc.), entre outras práticas ilegais, mas comuns no mercado farmacêutico.
Este assunto eu entendo. Qualquer medida que vise moralizar o mercado, pois no momento existem muitas práticas ilegais e imorais, sofrerá forte pressão do mercado farmacêutico para que não se efetive.  O exemplo da resistência contra a RDC44/2010 é clássico.
O nome da empresa omitido pelo Diário do Nordeste eu vou descobrir e postar posteriormente. Esta ação é de domínio público.
Nota postada por Teófilo Fernandes.

Organização farmacêutica contra exigência de receita para remédios esbarra em oposição da AGU
A Advocacia-Geral da União (AGU) assegurou, na Justiça, a validade da Resolução 44/2010 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que obriga as farmácias a reterem uma via da receita médica na venda de antibióticos.
A norma foi questionada por uma empresa farmacêutica, sob o argumento de que a definição da Agência é inconstitucional e viola o livre exercício da profissão. Segundo a tal empresa, a ação da Anvisa deveria inibir os antibióticos fornecidos por unidades de saúde e não por drogarias, já que a Resolução surgiu pelo temor da superbactéria, que só apareceu em hospitais.
Além disso, alegou que o farmacêutico tem o papel de suprir as necessidades dos indivíduos na falta de atendimento médico na rede pública precária e que a Resolução é ilegal, pois viola o direito fundamental de acesso à saúde.
A Procuradoria Regional Federal da 4ª região (PRF4) e a Procuradoria Federal (PF) junto à Anvisa sustentaram que a Lei nº 9.782/99 criou a Anvisa e estabeleceu que cabe a autarquia normatizar, controlar e fiscalizar substância a serviço da saúde pública.
A norma nada interfere no exercício da profissão de farmacêutico que, ao contrário do que pensa a população leiga, não tem competência para prescrever o uso de remédios.
Mesmo antes da edição da Resolução 44, a venda de antibiótico só era permitida com a apresentação da receita médica, a diferença é que uma das vias não ficava retida.
Fonte: Comunicado - Diário do Nordeste

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Automedicação mata, mas sua existência é interessante para algumas Indústrias Farmacêuticas, Distribuidoras e Drogarias.


Nota do C&T:
Esta foto é de um panfleto encontrado na recepção de um
 consultório médico em Maceió - AL. Autor não identificado.

Enquanto o Presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Laboratórios Nacionais (Abradilan) Sr. Aclair Machado defende uma revisão na RDC 44/10 que exige a prescrição médica para compra de antibacterianos, ou seja, é contra esta resolução que moraliza o mercado de antibióticos, o Brasil comemorou ontem o dia do Farmacêutico com muitos debates, matérias, notas, entre outras formas de manifestações contra a automedicação e a favor da vida, entre outras lutas.
Será que alguns fabricantes e comerciantes de medicamentos não se preocupam com os dados registrados? São inúmeras vidas atingidas pelos efeitos nocivos da automedicação!
A cada 30 minutos um brasileiro recorre a uma instituição do SUS com intoxicação por medicamentos, dados de 2007. São 34.000 casos por ano, 44,47% por tentativa de suicídio. Vale ressaltar que estes registros são apenas do SUS, imaginem se somarmos com os atendimentos da rede privada e dos não assistidos.
O artigo postado neste blog abaixo foi captado no portal do CRF-ES, outras informações relevantes podem ser encontradas lá. Vejam o link se quiserem conferir.
 Nota postada neste blog por Teófilo Fernandes (teofilofernandes@uol.com.br)

Os perigos da Automedicação.
Aos primeiros indícios de um mal estar milhares de pessoas já correm às farmácias. No entanto, embora alguns medicamentos não precisem de receita médica para serem adquiridos, é essencial o bom senso na hora de se automedicar.
No Brasil, segundo dados relativos a 2007, o principal agente de intoxicação humana oficialmente registrado no Sistema Único de Saúde (SUS) são os medicamentos. Dos mais de 34 mil casos de intoxicação por essa causa, 15.119 são referentes a tentativas de suicídio. Os outros 18.909 são casos de pessoas que buscaram no medicamento uma forma de prevenir e tratar doenças ou recuperar a saúde. Dividindo esse número pelos 365 dias do ano, são quase 52 casos por dia, ou seja, um caso oficialmente registrado a cada 30 minutos. E esse número pode ser ainda mais assustador já que esses dados referem-se apenas aos atendimentos pelo SUS.
No Espírito Santo, segundo informações da Secretaria Estadual de Saúde, em 2009 o Centro de Atendimento Toxicológico do Espírito Santo (Toxcen), registrou 3.726 casos de intoxicação por medicamentos. Entre eles, a faixa etária mais acometida foi a de 01 a 04 anos, com 856 ocorrências; seguido dos adultos de 20 a 29 anos, com 648 ocorrências. De 30 óbitos ocorridos em 2009 por intoxicação, cinco foram por medicamentos.
Apesar da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamentar a venda dos medicamentos que podem ser adquiridos sem prescrição médica, os casos mostram que a regulamentação não funciona para quem resolve consumi-los inapropriadamente.
Além disso, muitos remédios que só deveriam ser vendidos com receita, ainda são comprados livremente. Embora a fiscalização dos órgãos competentes (Conselhos e Vigilâncias Sanitárias) esteja cada vez mais atuante, ainda há casos em que a ausência do farmacêutico no estabelecimento de saúde leva o consumidor a agir assim, se automedicando, muitas vezes influenciado pela “empurroterapia” praticada no balcão da farmácia.
Outro fator que leva à automedicação é o sistema público de saúde mal estruturado, que não oferece atendimento médico imediato e adequado.
Mal que pode ser evitado
São vários os causadores de intoxicação. Inclusive, as causas acidentais são bastante comuns, envolvendo, geralmente, crianças que por curiosidade ou por apreciar o sabor de certos medicamentos (como alguns xaropes), ingerem as substâncias. Já os erros de administração são os acidentes causados pela troca ou confusão de frascos de remédios, como por exemplo, utilizar um descongestionante nasal ao invés do colírio.
Aos pais, o conselho é não dizer às crianças que os remédios são balas, a fim de ter sua cooperação na hora de medicá-las e as substâncias devem ser mantidos fora do alcance dos pequenos. Já os que utilizam mais de um medicamento, é recomendável criar maneiras de diferenciá-los para não se confundir.
Àqueles que insistem em tomar medicação por conta própria, fica o aviso: “é preciso consciência. A prática, além de levar pacientes às filas de transplantes e diálises, pode criar muitos outros problemas, como as infecções por superbactérias, causadas pelo mau uso de antibióticos. E, em último caso, ainda pode levar à morte”, alertou o presidente do CRF-ES, Dr. Carlos Bragança.
Fonte: Suellen Barone - Assessoria de Comunicação do CRF-ES
Link originário: http://www.crfes.org.br/noticias_19012011_2.html

sábado, 27 de novembro de 2010

Automedicação causa 20 mil mortes por ano no Brasil

Fonte: Diário de Pernambuco.
Um costume cultural que ganhou forma com o passar do tempo. A automedicação no Brasil teve origem no período colonial, em plena colonização portuguesa. Na época, a saúde ficava nas mãos dos boticários, que prescreviam receitas sem embasamento científico para a população. Quase três séculos depois, muitos brasileiros se dirigem diretamente às farmácias para solucionar problemas de saúde, como dores de cabeça e crises de pressão arterial. Porém, longe de ser apenas uma prática cultural, a automedicação é responsável pela morte de 20 mil pessoas por ano no país, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma).
Segundo o professor do curso de medicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Josimário João da Silva, os analgésicos, os antiinflamatórios e os antibióticos são os medicamentos mais usados pela população de forma incorreta. Porém, por traz de um remédio aparentemente inofensivo existe o perigo real do enfraquecimento das defesas naturais do corpo. “Um risco bastante comum é o consumo exagerado de antibióticos para gripes e resfriados. O paciente que faz esse uso irregular e chega à unidade de saúde para um caso mais grave não consegue reagir a essa medicação. Pois, as bactérias, como conhecem a fórmula, ficam mais resistentes e inibem a ação do antibiótico”, diz.
Os riscos da automedicação resultam em problemas quase cíclicos. Pois, o paciente que busca uma solução para uma enfermidade pode contrair outra. “O uso incorreto de medicação pode levar à depressão. Existem casos de adolescentes que estão passando por problemas pessoais e que correm aos remédios para solucionar os problemas. São casos que poderiam ser resolvidos com psicólogos. Esses adolescentes querem apenas chamar a atenção e não são orientados devidamente”, diz Josimário.
Um projeto da UFPE e com a orientação do professor Josimário pretende mudar essa realidade. No próximo 1º de outubro será lançada a “Cartilha de Orientação para o Uso Correto de Medicamentos”, que pretende orientar a população aos riscos da automedicação. A produção do material faz parte dos resultados de pesquisas e da disciplina do 6º período do curso no módulo de Bioética.
Segundo o professor Josimário João da Silva, a cartilha tem como objetivo alertar esses pacientes para os riscos dessa prática, mostrando os locais onde os remédios são vendidos de forma criminosa, como sites da internet. “Mostramos os perigos do uso de medicamentos de receita controlada que são consumidos sem prescrição, mas tudo isso numa linguagem clara e objetiva, com gráficos e linguagem para todas as idades. Ainda é bom mencionar que a cartilha será distribuída na rede de saúde do estado, como hospitais e clínicas”, destaca.

Nota:
Tem muitas autoridades contra a RDC44/10 que moraliza o comercio de antibióticos, para estas pessoas recomendo que leiam o artigo acima, não apenas como leitura simples, mas uma matéria para ser refletida e conscientemente fazer comentários construtivos e não passionais. Esta RDC tem que servir de exemplo para muitas outras que precisamos urgentemente.