terça-feira, 20 de setembro de 2016

Os processos mudam, os brasileiros não.

Imagem apenas ilustrativa captada do google.
Brasil, um país de dois povos: os que são e os que imaginam ser.


As redes sociais de forma bastante interessante têm contribuído muito para uma mudança radical na forma de pensar, agir e enxergar o mundo das atuais gerações e certamente serão muito mais eficientes para as próximas. Posso afirmar que me sinto outra pessoa ao saber que quaisquer dos meus maus textos e pouco instrucionais como são os meus, ganham o mundo em segundos. Não faz muito tempo que apenas três ou quatro meios de comunicações chegavam a maioria da população com as notícias trazendo os novos acontecimentos sociais e políticos do nosso país, um deles muito eficiente até hoje é o rádio, adoro até nos dias atuais. Praticamente não faz mais sentido hoje ficar na frente de uma TV esperando o telejornal preferido, tenho tudo na palma da minha mão praticamente em tempo real, algumas coisas até são em tempo real.

Realmente, tudo mudou ou quase tudo. Será que o ser humano mudou de tal forma como os processos? Claro que não. Exatamente por não ter mudado é que continua existindo um grande gap entre desenvolvimento científico/tecnológico e as atitudes humanas. O homem lida com tudo de novo, se adapta rapidamente às mudanças, buscam novas alternativas e criações, mas não evolui na mesma velocidade a sua forma de agir, tomar atitudes, se relacionar com seus semelhantes e principalmente se comportar socialmente.

Nos dias atuais a maioria dos brasileiros tem opinião formada sobre corrupção, crise política e econômica, golpes, desvios de verbas, propinas e outros do gênero. Temos mais de duzentos milhões de juízes, cada um com sua receita pronta de como agir contra tudo e todos que não lhes agradam, vivemos uma desenfreada onda de protestos dos mais variados, porém fica a pergunta. Quem tem dado exemplo positivo que justifique suas posições contrárias a tudo que vem acontecendo? Certamente esse montante de juízes sofrerá uma grande redução.

Há mais de trinta anos quando eu estava por trás de um balcão de farmácia eu já olhava de longe para os clientes que entravam na loja, e numa velocidade incrível eu já identificava o perfil daquele cliente, tinha uma quase certeira identificação se o indivíduo tinha origem simples, humilde, pessoa do interior com menos esclarecimentos ou o contrário disso. Essa compra de livro pela capa eu fazia com o objetivo de seleciona-la para indicar um medicamento ou sugerir até uma troca do produto solicitado por um daqueles que me pagavam 10% de comissão.

O tempo passou, optei seguir no mesmo segmento, mas dessa vez como propagandista de uma indústria farmacêutica que por sinal não trabalhava com as mesmas políticas daquelas que através de negociação com o proprietário nos pagavam tais comissionamentos. Mas quem disse que pagar comissão é crime? Claro que não é, até hoje muitos empresários optam por essa modalidade de remuneração de seus empregados. Medicamento é uma mercadoria igual a qualquer outra? Entendo que não. Entendo hoje que medicamento é produto de saúde e saúde não é mercadoria. Quando eu escolhia meu alvo, eu tinha uma prioridade, ganhar 10% daquele valor pago pelo cliente, confesso que eu não estava preocupado com a necessidade do cliente e sim com minhas metas.

Hoje chego nos pontos de vendas para expor meus produtos, falar de seus benefícios, de suas vantagens e outras características e escuto com todas as letras de muitos balconistas a seguinte frase: O que vamos ganhar a mais com isso, esfregando o dedo polegar no indicador. Não tenho como pensar diferente a não ser, nada mudou. Muitos fatores contribuem para tais práticas: desinformação, descaso com a saúde, falta de acesso aos serviços públicos básicos de saúde, cultura oportunista do mercado, falta de atenção com o próximo, falta de compromisso e respeito, ausência total de ética, entre tantas outras mazelas que só enxergamos quando não estamos envolvidos, mas quando sim logo afirmamos que isso é o normal. É inadmissível que a automedicação mate tanto como anda matando e deixem tantas sequelas de forma assustadora e ninguém faça nada, ora, mas quem vai fazer alguma coisa? Certamente quem deveria fazer alguma coisa seriam as vítimas se conscientes fossem. Quem pode eliminar as mazelas da política senão os eleitores? Qual é o respeito que a maioria dos eleitores têm com seus votos? Pode hoje o cidadão que não respeita a saúde, que é a base de sua vida e dos seus semelhantes, fazer valer seu direito como cidadão para criticar maus gestores do dinheiro público? O Brasil do jeito que está não tem jeito, mas tem muito potencial se mudar os valores de seus cidadãos para se tornar uma das maiores potências econômicas do planeta.

Não precisa ser cientista bem formado, um doutor das letras ou grande sábio para enxergar o básico que está logo a nossa frente. Nossa falta de educação doméstica, nosso mal suporte educador hoje oferecido nas escolas, inclusive na rede privada, e o desconhecimento da ética junto a falta de amor ao próximo, colocam nossa sociedade onde ela está. Colhemos o que plantamos, mesmo que em terrenos diferentes. Brasileiro cobra dos brasileiros seriedade, moral, respeito e outros direitos a mais que se julga tê-los, mas quando avaliamos o que oferece, encontramos uma grande lacuna entre uma coisa e a outra.


Texto escrito por Teófilo Fernandes, cidadão brasileiro.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Brasil, um país carente de Ômega 3 em sua população...

Imagem apenas ilustrativa. Fonte: www.dsm.com/nutritional-lipids
Um profissional competente faz a diferença.


A grande maioria dos brasileiros, não é diferente em muitos outros países, é pouco informada no tocante aos valores nutricionais dos alimentos que fazem uso diariamente. Não podemos negar que nas últimas décadas o número de profissionais especializados nesse segmento aumentou muito, não apenas novos cursos de nutrição, mas outros profissionais têm buscado especializações nessa ciência. O campo é enorme e a complexidade também.

Sempre que algo novo ganha notoriedade, muitos outros segmentos acabam buscando participar desse sucesso, seja de forma regular, dentro da legalidade ou como apenas oportunistas. É comum se ouvir diferentes pessoas emitindo opiniões sobre assuntos que só deveriam ser tratados por quem tem formação e conhecimento prático dos mesmos.

No tocante a informação, essa pode ser propagada dentro dos moldes recomendáveis, sempre com fundamentos e referências que credencie a mesma. Em torno de um assunto seja ele qual for, diversos profissionais de segmentos diferentes poderão ser envolvidos naturalmente, desde que cada um se limite ao seu conhecimento e habilitação profissional reconhecida pelos órgãos competentes. O cidadão leigo pode também contribuir com suas experiências desde que vise como fim ajudar aos demais leigos sem coloca-los em riscos.

Lamentavelmente encontramos práticas não recomendadas sendo executadas todos os dias em todas as regiões de nosso Brasil, não é raro encontrar pessoas sem nenhuma formação prescrevendo/indicando produtos sob o argumento que qualquer um pode usar por ser um produto natural, ora, nem mesmo um simples chazinho é certo se fazer uso de forma indiscriminada sem conhecer suas propriedades.

A ciência nos mostra hoje que saúde pode ser preservada a partir dos alimentos que ingerimos ou deixamos de ingerir, basicamente tudo que precisamos para viver estão presentes nos alimentos que podemos ingerir diariamente, claro, nada é tão simples assim, temos muitos detalhes para serem avaliados e isso requer conhecimentos específicos e embasamento científico, portanto uma equipe multiprofissional fará toda diferença na vida do indivíduo que precisa e busca tais cuidados.

Existem diversos trabalhos científicos realizados no mundo, outras tantas pesquisas com aplicações científicas também, que mostram as mais diversas falhas tais como: erros alimentares, usos inadequados de medicamentos, procedimentos inadequados e desnecessários, entre tantas outras falhas.

Informações disponíveis para que todos os cidadãos enriqueçam seus conhecimentos e façam bom uso deles em seu favor ou de outrem são importantes e existem em abundância. Recentemente circulou nas mídias, principalmente redes sociais, que o Brasil está inserido entre os países que apresentam um baixo consumo de ômega 3. Uma dessas 1publicações, um mapa que relata uma série de estudos, mostra que baixos níveis de ômega 3, especialmente os níveis de EPA e DHA, colocam essa população em risco maior de desenvolver doenças crônicas tais como: câncer, doenças cardiovasculares e diabetes. A OMS estima que tais doenças são responsáveis por causa morte de 38 milhões de pessoas no mundo todos os anos.

O fato do Brasil está inserido em uma região de baixo consumo de ômega 3, não significa que devemos correr às drogarias, lojas de suplementos, produtos naturais, sites e outros pontos de vendas para adquirir tal produto para suplementar. Também não é racional alterar sua alimentação para itens ricos em ômega 3 sem nenhum acompanhamento. Mudanças de hábitos e comportamentos não são fáceis e, portanto, a orientação de quem estudou para isso é fundamental.

Como se não bastassem a carência de nutrientes necessários para o bom funcionamento do corpo, muitos tomam atitudes equivocadas que poderão trazer maiores transtornos, sem esquecer dos interesses por parte de indústrias, profissionais e outros oportunistas que visam apenas lucros financeiros. Cuidado, procure um profissional competente, pesquise sobre o mesmo, não acredite só em propaganda, seja um fiscal de seus direitos e do destino de sua saúde e vida. Não compre gato por lebre, fique atento.

Consulte:
1For more information on nutritional lipids, visithttp://www.dsm.com/nutritional-lipids or www.nutri-facts.org.


Texto escrito por Teófilo Fernandes. Não sou profissional de saúde, portanto não considere o conteúdo do mesmo como orientação técnica, apenas uma opinião pessoal. Quer cuidar da saúde procure um profissional habilitado.

sábado, 10 de setembro de 2016

Estudo afirma que remédio para colesterol aumenta chances de diabetes, derrame e miopatia.

Imagem ilustrativa (Captada do Google).
Foi publicado nos últimos dias em jornais de grande circulação no Brasil, uma nota sobre um estudo publicado no The Lancet referente ao uso contínuo de “estatinas” (fármacos usados no combate ao colesterol) sendo tais fármacos responsáveis por maiores chances de causarem diabetes, derrame e miopatia.

É importante registrar, que a probabilidade é relativamente baixa desses malefícios, principalmente nos casos de miopatia, levando em consideração os transtornos causados pelo colesterol que são bem mais desastrosos à saúde. Mesmo citando a nota que nos casos de miopatia é apenas 01 caso para cada 10 mil usuários, para esse único caso dentro desse universo a incidência é 100%, estamos falando de saúde. Não gostaria eu de ser esse caso.

É sabido também, que o uso desses fármacos trazem outros efeitos negativos além desses citados no referido estudo, efeitos que precisam ser corrigidos. Muitos especialistas afirmam que o uso contínuo de “estatinas”, principalmente em idosos, com a finalidade de bloquear a ação da enzima produtora de colesterol, também bloqueia a enzima produtora de coenzima Q10, que naturalmente a partir da idade adulta ocorre uma redução na produção da mesma. Nesses casos, os profissionais de saúde responsáveis por esses pacientes, costumam fazer reposição dessa enzima que é comum em diversos alimentos como: carnes, peixes e vários vegetais ou prescrevem suplementos industrializados.

Certamente, esse estudo não é motivo para usuários desses fármacos ficarem desesperados, mas sabemos que abordar ao médico e ao nutricionista sobre o assunto não faz mal a ninguém.

“Como todas as atividades celulares dependem de energia, a Coenzima Q10 é essencial para a saúde de todos os órgãos e tecidos. 
http://www.nutritotal.com.br/perguntas/?acao=bu&id=780&categoria=23


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Envelhecer com Saúde

Imagem ilustrativa (Fonte:Google)
O artigo abaixo é uma cópia fiel extraída do original que pode ser visto em http://www.jocelemsalgado.com.br/ site oficial da autora.

“Envelheça com saúde e disposição

Nos últimos 50 anos, o número de pessoas com idade acima de 65 anos, especialmente nos países desenvolvidos, tem aumentado consideravelmente. O Brasil, à semelhança dos demais países latino-americanos, está passando também por um processo de envelhecimento populacional rápido e intenso. Espera-se que em 2025, 14% da população brasileira (cerca de 32 milhões) esteja acima dos 60 anos. Por isso, agora, mais do que nunca, existe um interesse crescente em se identificar os fatores que levam a um envelhecimento sadio. Além disso, existe também um grande interesse dos estudiosos em nutrição para ligar as práticas dietéticas com a redução ou retardo das mudanças e doenças que surgem com o envelhecimento, já que a boa nutrição está associada com o aumento da qualidade e expectativa de vida das pessoas.

O processo de envelhecimento e a importância da boa alimentação

O envelhecimento é um processo normal que começa com a concepção e termina com a morte. O envelhecimento fisiológico de uma pessoa começa no final do período de crescimento e desenvolvimento. As mudanças ocorrem lentamente e são influenciadas pelos eventos da vida, enfermidades, heranças genéticas, stress ou estado sócio-econômico, acesso à cuidados médicos e com o ambiente. Em razão dessas influências sobre as pessoas, está cada vez mais claro que o envelhecimento cronológico é bem diferente de um envelhecimento fisiológico e funcional. Portanto, pessoas da mesma idade cronológica, sobretudo após os 60 anos, podem ter seu envelhecimento funcional e fisiológico diferenciado. Essa diferenciação é acentuada com o avanço da idade, tornando as pessoas diferentes de seus contemporâneos, de mesma idade cronológica.
As mudanças degenerativas que acompanham o envelhecimento não são bem entendidas, embora um certo número de teorias tenham sido propostas para explicar, pelo menos em parte, a deterioração que é observada. Não se sabe se as mudanças são programadas de forma inevitável no genoma, ou se elas ocorrem como resultado de uma exposição durante a vida toda à influências ambientais, tais como stress, nutrição ou radiação solar.
Entretanto, estudos mostram que dentre os fatores que podem condicionar a qualidade de vida e a longevidade do ser humano, a nutrição é um dos principais, sendo que várias mudanças decorrentes do processo de envelhecimento podem ser atenuadas com uma alimentação adequada e balanceada nos aspectos dietético e nutritivo.
Estudos tem demonstrado que as condições nutricionais da população idosa brasileira é preocupante. Os efeitos da alimentação inadequada, tanto por excesso como por déficit de nutrientes, tem grande incidência, o que reflete num quadro latente de má-nutrição em maior ou menor grau. Em termos absolutos, estima-se que no Brasil exista cerca de 1.300.000 idosos com baixo peso, sendo que a desnutrição representa, atualmente, mais de 35% nos registros de mortes de idosos brasileiros nas regiões metropolitanas. Estima-se também que mais de 15% dos idosos consumam menos de 1000 Kcal/dia.
Dentre as principais causas que levam o idoso à perda de peso e à desnutrição estão as alterações fisiológicas próprias do envelhecimento, as enfermidades crônicas e fatores relacionados à situação social do idoso. Com relação às alterações fisiológicas, sabe-se que o envelhecimento leva a efetivas reduções na capacidade funcional, desde a sensibilidade para os gostos primários até os processos metabólicos do organismo. Mastigação e deglutição prejudicados, falta de dentes, entre outros fatores, levam o idoso a uma ingestão nutricional deficiente. As doenças crônicas, que muitas vezes são decorrentes de uma má alimentação na vida adulta, são também citadas como fatores que levam o idoso à desnutrição. O uso de múltiplos medicamentos, os quais influenciam a ingestão de alimentos, a digestão, absorção e utilização dos diversos nutrientes, pode comprometer o estado de saúde e o requerimento nutricional do idoso. Fatores sociais como a perda do cônjuge, isolamento social e depressão, podem interferir amplamente. O modo de vida, geralmente solitário da maioria dos idosos, impõe-lhes muitas limitações. A solidão predispõe o idoso à falta de ilusão e preocupação consigo, fazendo com que se alimente mal e pouco. Nesses casos, há uma tendência ao desestímulo para preparar alimentos variados e nutritivos. Verifica-se, com freqüência, elevado consumo de produtos industrializados como doces e massas, ou de fácil preparo como chás e torradas, o que afeta a adequação de nutrientes ao organismo e o coloca em risco de má-nutrição.
A capacidade de deslocamento do idoso, ou seja, de realizar sozinho as atividades cotidianas, gera má-nutrição também, pois nessas circunstâncias, a aquisição de alimentos e o preparo das refeições pode se tornar muito difícil.

Homem X Envelhecimento X Doenças

Dentre as mudanças que ocorrem com o envelhecimento e que estão ligadas à nutrição podem-se destacar mudanças no paladar, havendo uma diminuição da sensibilidade ao gosto de doce e salgado; a falta de dentes e a menor secreção salivar diminui a capacidade para mastigar e deglutir o alimento; mudanças no apetite podem contribuir para a anorexia; uma menor absorção da vitamina B12, levando ao aparecimento de anemia; a menor motilidade no intestino grosso pode levar à constipação; uma diminuição na tolerância à glicose pode levar a um aumento na glicose plasmática de 1,5mg/dL por década, podendo levar à hiperglicemia e possível diabetes; os vasos sangüíneos tornam-se menos elásticos e a resistência periférica total aumenta, levando a uma prevalência crescente de hipertensão; os níveis de colesterol e LDL-colesterol séricos aumentam, podendo levar à doenças cardiovasculares; a função do rim pode diminuir em 50%, levando à deficiência renal; a diminuição da densidade óssea pode levar à osteoporose, e além disso, o encurtamento da coluna espinhal pode levar a uma perda de estatura.
O sistema imunológico é também um dos mais importantes alvos do envelhecimento. O declínio da função imunológica, associado com a idade, aumenta a susceptibilidade dos idosos aos agentes infecciosos. Observa-se também com o envelhecimento que na gênese da maioria das doenças citadas estão as agressões internas provocadas pelos radicais livres. Tais radicais são produzidos continuamente como resultado de reações químicas essenciais que ocorrem naturalmente no corpo e podem ter sua produção aumentada na presença de uma alimentação pouco saudável. Em pessoas com hábitos de vida saudáveis, esses radicais livres acabam sendo controlados. Portanto, o uso de fontes alimentícias ricas em vitaminas do complexo B e de antioxidantes como vitamina C, E, betacaroteno, magnésio, zinco, selênio, manganês e cromo, bloquearia o efeito nocivo destes radicais. Além disso, alimentos refinados, bem como o excesso de álcool devem ser evitados. Recomenda-se, também, moderar o consumo de gordura, pois essa é a principal fonte de produção interna de radicais livres.

As necessidades nutricionais do idoso

As necessidades nutricionais das pessoas idosas são essencialmente individuais, em razão das diferenças na progressão do processo degenerativo e da intercorrência de enfermidades. Em pessoas idosas, as exigências nutricionais dependem do estado geral de saúde, dos níveis de atividade física, das alterações na capacidade de mastigação, digestão e absorção dos nutrientes e da eficiência do metabolismo, além de alterações no sistema endócrino e no estado emocional.
Geralmente, as necessidades energéticas são consideradas mais baixas após os 55 anos para ambos os sexos. As recomendações dietéticas pedem após os 55 anos de idade, normalmente, uma redução das doses médias de energia de 600 Kcal/dia para o homem e 300 Kcal/dia para as mulheres.
O uso de carboidratos complexos e fibras na dieta (cereais como aveia, farelo de trigo, arroz integral, frutas e hortaliças) são altamente indicados por serem importantes na prevenção e controle de doenças cardiovasculares, diabetes, constipação, entre outras, comuns nesta fase da vida. O uso de açúcar (principalmente o refinado) deve ser reduzido a fim de melhorar a sensibilidade à insulina, pois existem evidências de que com o avanço da idade ocorre uma diminuição da tolerância à glicose.
Com relação à proteína, estudos recentes mostram que o requerimento protéico para a pessoa idosa saudável não diminui com a idade e deve estar entre 0,8 a 1,0g/Kg de peso corporal/dia. Mas, em casos de doença (traumas, cirurgias e infecções), a oferta de proteína deverá corresponder a até 16% do valor energético ingerido.
Quanto aos lipídios, existem evidências de que o consumo elevado de gorduras saturadas no idoso está relacionado com a maior incidência de desordens cardiovasculares e câncer. Por isso, recomenda-se que a pessoa reduza o uso de gordura saturada e colesterol, substituindo-os pela gordura insaturada. Substituir as carnes gordas (bovina, suína), embutidos em geral (linguiça, salsicha, salame, etc), por alimentos como as carnes magras e carnes brancas (frango sem pele e peixes) e dar sempre preferência ao azeite de oliva no preparo dos alimentos.
Com relação as vitaminas e minerais, vários estudos tem demonstrado que os requerimentos de minerais e vitaminas no idoso não se encontram alterados, desde que as pessoas sejam saudáveis e possuam bons hábitos alimentares. Mas determinadas condições de saúde, como por exemplo o estilo de vida solitário do idoso, indicam suplementação vitamínica e de minerais.
A água, que é um nutriente muito importante nos idosos, muitas vezes é esquecida. A inadequada ingestão de água pelos idosos leva a uma desidratação rápida e a problemas associados com hipertensão, elevação na temperatura corporal, constipação, náuseas e vômito, secura das mucosas, diminuição da excreção da urina e confusão mental.

Estudo no Lar dos Velhinhos de Piracicaba

Há algum tempo, eu e minha equipe vínhamos trabalhando em um alimento para pessoas com mais de 55 anos de idade. O objetivo principal desse trabalho era de desenvolver um alimento que satisfizesse às necessidades nutricionais que muitas vezes não são proporcionadas pela dieta do dia a dia devido às deficiências existentes numa alimentação inadequada.
Com o passar do tempo, dos estudos e pesquisas surgiu um alimento altamente nutritivo, rico em carboidratos complexos e fibras (importantes na prevenção e controle de doenças do intestino como, diverticulite, constipação e câncer de cólon e doenças cardiovasculares e diabetes), rico em proteínas de alto valor biológico que contribuem para o reparo, construção e manutenção dos tecidos e com bons níveis de cálcio, ferro, zinco, vitamina A, ácido fólico e selênio que previnem doenças como a osteoporose, anemia, ajuda no fortalecimento do sistema imunológico e combate a formação de radicais livres.
Este alimento, que ficou conhecido como Suprinutri Senior, foi então testado em idosos vivendo no Lar dos Velhinhos de Piracicaba, e os resultados do estudo foram bastante animadores. Os idosos que consumiram o alimento apresentaram melhora no funcionamento do intestino, na disposição geral, ganharam um quilo de peso em média durante o estudo e apresentaram níveis sangüíneos de cálcio maior que aqueles que não consumiram o alimento. A pesquisa foi apresentada no I Simpósio Internacional de Medicina Antienvelhecimento e está publicada no livro Odontogeriatria da editora Artes Médicas.”



segunda-feira, 18 de abril de 2016

O Brasil dos cidadãos brasileiros versus seus representantes políticos.

Como um cidadão simples se sente diante dos políticos brasileiros.

Impressionante o que acontece no Brasil no tocante a algo tão importante para vida de cada um de seus cidadãos. Acompanhando no último domingo a transmissão do evento da votação do encaminhamento do pedido de impeachment, tive a terrível sensação de que a cada dia a situação fica pior. Observando cada Deputado ali presente, tirei as seguintes conclusões:
  •         O Brasil não é um país sério.
  •          Seus cidadãos são representados por pessoas incompetentes na sua grande maioria.
  •          Entendo que não basta à prática da corrupção e dos interesses pessoais de cada um deles para tamanha frustação minha, mas a falta de capacidade em muitos deles de exercer o papel de representante de uma comunidade ou parte dela. São verdadeiras carrancas expostas para espantar ameaças inexistentes.
  •          A maioria deles usa de uma retórica ultrapassada, inútil e irritante aos que têm o mínimo de respeito à sociedade, conhecimento e vivência pública.
  •          Os jovens Deputados em sua maioria se apresentam muito mais como herdeiros de raposas velhas da política do que como renovação, certamente esses são um dos maiores malefícios feitos a sociedade, pois esses jovens representam a perpetuação dos sugadores do dinheiro público, donos das cadeiras pertencentes ao povo, tornando-se um ciclo vicioso que não acaba nunca.
  •          Não temos oposição nenhuma por falta de sustentação moral, ética e técnica.
  •        Temos uma situação arcaica e embriagada no poder que não conseguem pensar fora da caixa, querendo a qualquer custo a perpetuação, assim como sempre foram os demais considerados de direita conservadora,  sem  se quer conseguir um discurso moderno, atualizado e menos enjoativo. Trata-se de discursos formatados na síndrome da inferioridade de três ou quatro décadas passadas.

Por fim, olhar para os poderes Executivo e Legislativo que juntos tem o verdadeiro e maior poder, o poder do povo, povo esse que pode colocar e tirar de lá que ele quiser a qualquer tempo, basta ter respaldo legal, tenho o sentimento de que nada mudou, pelo contrário, ficou pior, uma vez que o povo hoje tem muito mais acesso ao conhecimento do que antes e seus representantes estão estagnados, presos em um passado de enganação, desmoralização e uso do poder para exercê-lo de má fé para atenderem exclusivamente aos seus interesses e nada mais em favor de seus representados.
O Brasil dos homens e mulheres bem está muito distante daquele Brasil que ali estava reunido para definir o futuro da atual Presidente. ( Texto de: Edson Teófilo Fernandes)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Quando uma necessidade gera um invento.


Estas cinco inovações não foram feitas

por médicos

Uma prótese de baixo custo, um vibrador de frequências, vestuário resistente à água, uma mochila para dispositivos e bonecas e um tablet para melhor comunicar: pais e filhos encontraram as soluções que hoje são comercializadas e venceram prémios.

A mão 3D nascida de uma marioneta

Uma mão gigante feita para um peça de teatro por um artista residente em Seattle, nos Estados Unidos. Assim começa esta história improvável. Ivan Owen fazia marionetas e, certo dia, decidiu partilhar no YouTube um vídeo onde mostrava essa tal mão. O espanto dele veio depois, quando da África do Sul um carpinteiro o contactou com um pedido insólito: poderia o americano fazer-lhe uma mão para ele utilizar como substituta de três dedos cortados numa máquina de trabalho? Ivan Owen acedeu ao pedido — e depois desse choveram solicitações. Uma delas de Portugal. A mãe de Nuno, uma criança que por um problema na gestação ficou sem braço a partir do cotovelo, pediu-lhe ajuda. As próteses existentes no mercado são de tal forma dispendiosas que se tornam proibitivas para a maior parte das pessoas — e, para crianças, em crescimento, acresce o facto de uma prótese ter um período de vida curto. Ivan Owen começou a usar a impressão 3D para fazer as mãos e lembrou-se de uma ideia: e se fosse criado um código que permitisse a qualquer pessoa no mundo poder usá-lo depois? A Patient Innovation entra aqui, contactada pelo próprio artista. Em Julho do ano passado, juntaram-se e, com a impressora 3D da Universidade Católica, deram a Nuno, sete anos, uma mão prostética. Uma das grandes diferenças para as próteses do mercado? O preço. A de Nuno custou apenas 18 euros.

Da vergonha num concerto à mudança de vida

De cada vez que os músicos tocavam e as colunas vibravam, Louis Plante tossia. Se os músicos paravam, ele parava. Se retomavam, a tosse voltava. Na situação constrangedora num concerto, o canadiano apercebeu-se de algo que mudou a sua vida: eram as vibrações das colunas que provocavam a tosse e, com isso, ele conseguia libertar secreções. Louis sofre de fibrose cística, uma doença que leva o corpo a produzir muco mais espesso e pegajoso e entope os pulmões, podendo levar a infecções fatais. Engenheiro electrónico, Louis decidiu fazer ele mesmo o que não existia no mercado farmacêutico: um vibrador de frequências baixas que, ao provocar tosse e libertação de secreções, melhorou em muito a sua qualidade de vida . O The Frequencer criado pelo canadiano foi entretanto comercializado e é útil a milhares de pessoas.

Uma t-shirt para vítimas de cancro de mama

Lisa Crites não se conformava com o saco plástico geralmente utilizado para o lixo. Um cancro na mama obrigou-a a fazer uma mastectomia bilateral e a simples tarefa de tomar um banho transformou-se num problema. The Shower Shirt, uma peça de vestuário resistente à água, capaz de manter os drenos secos e com bolsos internos para suportar o peso das lâmpadas e tubos de drenagem, foi a resposta dela. A inovação da americana foi entretanto comercializada e já recebeu vários prémios. 

Uma mochila que não é só uma mochila

Medo. Anna tinha acabado de entrar para a escola mas lembra-se perfeitamente do que sentiu quando descobriu que tinha diabetes tipo I e ia, por isso, passar a precisar de acompanhamento permanente de uma parafernália de dispositivos. Com apenas nove anos lembrou-se, então, de uma solução. A mochila com os dispositivos podia ser adaptada àsAmerican Girl, bonecas típicas do seu país e que Anna adorava. O pacote D-girl é uma combinação de brincadeira e assunto sério — e para a menina, agora com dez anos, pode ser uma ajuda preciosa para quem, como ela, enfrenta esta doença.

Uma app para o pai comunicar com a filha autista

A formação na área informática dava-lhe as ferramentas necessárias. Carlos Pereira queria que a comunicação com a filha Clara, menina de seis anos com paralisia cerebral, fosse para lá do “sim” e “não”, mas as terapias que fazia não estavam a dar resposta. Foi então que lhe ocorreu ser ele mesmo a dar o primeiro passo: o Livox, disponível desde meados de 2015, foi a primeira aplicação pensada em português (do Brasil) para uma comunicação alternativa. Com ela, Clara interage como nunca tinha conseguido. Ouve uma pergunta no tablet e, através de desenhos, por exemplo, responde. A criação já valeu a distinção da ONU como a melhorapp de inclusão do mundo.
Texto de: https://www.publico.pt/tecnologia/noticia/estas-cinco-inovacoes-nao-foram-feitas-por-medicos-1722591

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Hypermarcas, poderá ter dado uma tacada de mestre.

Hypermarcas, que sonhava grande, hoje quer um só mercado


São Paulo – Quando a Hypermarcas nasceu, em 2002, o nome da companhia representava bem a sua ambição. Ela sonhava em ser uma “Unilever brasileira”, com uma atuação ampla, nos mercados de preservativos a adoçantes, de produtos de limpeza a higiene pessoal e medicamentos.

Hoje, a situação é completamente diferente. Ao anunciar a venda de sua divisão de cosméticos para a francesa Coty, a Hypermarcas afirmou que irá se concentrar na área farmacêutica, cuja rentabilidade é maior. A medida foi vista de forma positiva pelo mercado e as ações da empresa subiram.

Ela hoje é dona de 14% do setor e de medicamentos importantes como Benegripe, Engov, Rinosoro e Estomazil.

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A companhia também está negociando a venda da divisão de fraldas, que engloba marcas como Cremer Disney, Sapeka, Pompom e Bigfral, para a Kimberly-Clark.

Crescimento expansivo

O cenário já foi outro. Há cinco anos, a Hypermarcas atingiu seu auge de aquisições. O movimento de compras de empresas começou em 2008, quando ela adquiriu a Niasi, empresa que detinha as marcas Risque, Biocolor e Biorene.

Em 2009, o valor total das aquisições somou 2 bilhões de reais. Naquele ano, ela também passou a deter as marcas Hydrogen, PomPom, Jontex, Olla e outras.

Já em 2010, a empresa realizou 9 aquisições pelo valor somado de 4 bilhões de reais. Na época, o foco era em beleza e higiene pessoal, segmento do qual ela está se afastando atualmente.

Nesse período, a companhia também investiu intensivamente em novas linhas de produtos.
Apenas em 2010, foram lançados 400 novos itens, o que ajudou a empresa a liderar a venda de hidratantes, esmaltes e cuidados masculinos, segundo ela mesma, com as marcas Bozzano, Monange e Risqué.

Dificuldades e retração

Depois de um período intenso de aquisições, ela acrescentou quase 30 empresas ao seu portfólio. Um catálogo tão diverso que incluia o sabão em pó Assim, o molho de tomate Etti e o creme de barbear Bozzano, além de remédios da recém adquirida Neo Química. 

Algumas das marcas compradas traziam margens bem baixas, outras contavam com valor bem acima do mercado, segundo analistas. Para pagar - e segurar - tantos negócios, a companhia passou a contrair dívidas e, com o tempo, a enfrentar dificuldades financeiras.

Ela dividiu os segmentos de consumo e de produtos farmacêuticos em 2011, mesmo ano em que a Flora, controlada pelos donos da JBS, adquiriu as marcas Assim e Mat Inset.

Aos poucos, a estratégia foi se direcionando para o crescimento orgânico e buscando resultados mais estáveis. A receita anual foi de 2,795 bilhões de reais em 2010 para 4,680 bilhões no ano passado.
Agora, a Hypermarcas quer apenas o setor de produtos farmacêuticos, onde tem maiores margens e poder de negociação com as farmácias. A ideia de ser uma Unilever brasileira ficou para trás.



Brasil atrai um alto investimento da Lundbeck.


Artigo publicado em: http://www.grupemef.com.br/noticias_completa.php?not_id=5099  
    

"Lundbeck fará primeiro estudo clínico no Brasil

O laboratório dinamarquês Lundbeck, único do mundo a atuar somente na área do sistema nervoso central e líder na venda de antidepressivos, vai realizar pela primeira vez uma extensão de estudo clínico no Brasil. O país foi escolhido para integrar a fase três das pesquisas com a idalopirdina, droga inovadora usada no tratamento da doença de Alzheimer, que pode chegar ao mercado em 2018. De acordo com o presidente da Lundbeck Brasil, Josiel Florenzano, os estudos envolverão 60 pacientes em 12 centros de pesquisa no país ­ ao todo, cerca de 30 países participam dos estudos. A inclusão do Brasil pela primeira vez em uma iniciativa do laboratório dessa natureza deve­se principalmente ao tamanho do mercado farmacêutico local e ao envelhecimento da população. A idalopirdina é um dos três novos medicamentos que devem contribuir para que a operação brasileira da Lundbeck dobre o faturamento nos próximos três anos, alcançando R$ 300 milhões em 2018 ­ no ano passado, a receita bruta do laboratório no país alcançou R$ 140 milhões. Para atingir esse objetivo, conta Florenzano, a farmacêutica trará ao país, até a segunda metade do ano que vem, uma nova geração de antidepressivos, que acabou de ser aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Nesse segmento, a Lundbeck é líder de mercado com o Lexapro, que responde por 70% dos negócios da operação brasileira. Um dos cinco maiores do mundo no consumo de medicamentos, o Brasil é também o quarto maior na área de antidepressivos. Em 2017, o laboratório dinamarquês pretende ainda lançar no país um antipsicótico (brexpiprazol), que se somará ao portfólio local composto atualmente por cinco drogas. "Com esses três lançamentos, devemos alcançar a meta", comentou. Assim como toda a indústria farmacêutica brasileira, a Lundbeck também tem sentido nas margens de lucro o peso do dólar valorizado ­ todos os medicamentos oferecidos pela empresa no país são importados. Para fazer frente ao câmbio, explicou Florenzano, o laboratório lançou mão de iniciativas de controle de custos. "Mas não estamos discutindo redução de descontos", afirmou. O laboratório oferece um programa de fidelidade, mas não conta com uma política de descontos que alcance todos os pacientes. Fundado em 1915, o laboratório dinamarquês tem 30% de seu capital negociado na Bolsa de Valores de Copenhague ­ a Fundação Lundbeck detém 70% do capital. A farmacêutica concentra sua atuação na pesquisa de tratamentos para Alzheimer, depressão, dependência ao álcool, transtorno bipolar, epilepsia, doença de Huntington, doença de Parkinson e esquizofrenia. No ano passado, teve faturamento global de US$ 2,8 bilhões e conta com centros de pesquisa na China, na Dinamarca e nos Estados Unidos, além de fábricas na China, Dinamarca, França e Itália."



FONTE: TUDO FARMA     

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Imaginem o que gera a indústria da doença no mundo. Pfizer poderá se unir a Allergan e se tornar a maior corporação farmacêutica do mundo.

As 'meias sujas' de um farmacêutico são a chave para reduzir a carga tributária da Pfizer


Zachary R. Mider
02/11/2015

(Bloomberg) -- Se conseguir comprar a Allergan Plc -- e evitar bilhões de dólares em impostos --, a Pfizer Inc. deverá um agradecimento a um farmacêutico da Irlanda do Norte chamado Allen McClay.

Em 1968, McClay criou uma empresa farmacêutica em Craigavon, a meia hora de carro de Belfast. Sem cerimônias, ele às vezes realizava reuniões com os funcionários enquanto descascava batatas na cozinha da empresa. Depois que abriu o capital da Galen Holdings, em 1997, McClay se tornou um dos filantropos mais ativos de seu país e foi nomeado cavaleiro pela rainha.

Mas sua empresa pode ter um impacto maior do que McClay, que morreu em 2010, jamais teria imaginado. Galen foi o veículo que permitiu que quatro empresas farmacêuticas americanas maiores, uma atrás da outra, tirassem suas operações do regime tributário americano. A Pfizer, maior empresa farmacêutica do mundo, poderá ser a quinta a renunciar à sua cidadania americana e a reduzir seus impostos corporativos.

A forma como uma pequena farmacêutica da Irlanda do Norte é capaz de provocar um buraco tão grande no Tesouro dos EUA dá uma mostra do bizarro sistema de impostos corporativos dos EUA. Ele permite que as empresas multinacionais de propriedade estrangeira que operam nos EUA paguem menos impostos que aquelas com donos americanos. Desde 2004, a maioria das empresas americanas foi proibida de simplesmente declarar-se estrangeira para eliminar a desvantagem. Em vez disso, muitas delas estão comprando um endereço estrangeiro por meio de uma fusão no exterior, em transações conhecidas como inversões.

Os negócios começaram não muito depois de McClay deixar a Galen Holdings, em 2001. O CEO, Roger Boissonneault, realizou uma aquisição alavancada e trocou o endereço jurídico da empresa de Craigavon para as Bermudas e depois para Dublin, na República da Irlanda, um país de impostos amigáveis. Enquanto isso, comandava a empresa de Nova Jersey.

Em 2009, Boissonneault fechou um acordo para comprar uma divisão de medicamentos da Procter Gamble Co., que tem sede em Ohio, nos EUA, que mais do que duplicou o tamanho da empresa -- e cortou a carga tributária da unidade da P&G.

Depois, em 2013, ele vendeu a empresa à Actavis Inc., com sede não muito longe de seu escritório em Nova Jersey. Embora fosse maior, a Actavis conseguiu adotar o endereço irlandês -- e uma baixa carga tributária --, segundo as regras para impostos dos EUA.

Nos dois anos seguintes, a Actavis realizou mais dois grandes acordos nos EUA, adquirindo a Forest Laboratories Inc. e a Allergan Inc., a fabricante do Botox. As aquisições de ambas mais do que duplicaram as vendas da Actavis novamente. E geraram cerca de meio bilhão de dólares em economia anual com impostos. A empresa combinada é conhecida, agora, como Allergan.

Subsidiárias estrangeiras

Como é que as empresas conseguiram economizar tanto simplesmente tornando-se irlandesas? Os EUA têm a taxa de imposto corporativo mais elevada do mundo desenvolvido -- 35 por cento --, combinada com uma política incomum de tributação do rendimento das subsidiárias estrangeiras das empresas americanas. As empresas de propriedade de estrangeiros conseguem reduzir os impostos americanos mantendo suas operações no país separadas do restante de sua estrutura corporativa; já as corporações americanas não têm essa opção. Muitas empresas que realizam a inversão escolhem a Irlanda, que aplica uma carga mais baixa de impostos sobre o rendimento corporativo, de 12,5 por cento, ou o Reino Unido, que não cobra impostos sobre os lucros estrangeiros.

Não está claro quais termos estão em discussão, mas é provável que a Pfizer, que tem sede em Nova York, a maior das duas empresas, adote o endereço irlandês da Allergan.

Um analista estimou que um negócio semelhante proposto pela Pfizer no ano passado com o objetivo de se tornar britânica reduziria sua carga tributária em cerca de US$ 1,4 bilhão por ano. Os porta-vozes das duas empresas preferiram não comentar o assunto.

Quando se aposentou, em 2001, e vendeu sua participação, McClay disse que estava consternado com o novo foco no mercado americano e com os cortes nos postos de trabalho em sua operação na Irlanda do Norte. Segundo o Financial Times, ele classificou a decisão como "tão fácil quanto tirar meias sujas". Essas meias acabaram se tornando muito valiosas em pés americanos.

Título em inglês: A Pharmacist's 'Dirty Socks' Are Key to Cutting Pfizer Tax Bill
Para entrar em contato com o repórter: Zachary R. Mider, em Nova York, zmider1@bloomberg.net.


O mundo dos negócios é dos fortes, Coty compra divisão da Hypermarcas.

Coty compra divisão de cosmésticos da Hypermarcas por R$ 3,8 bi

Aquisição abrange marcas como Risqué, Monange, Bozzano, e Cenoura & Bronze da empresa brasileira

PUBLICADO EM 02/11/15 - 16h44
FOLHAPRESS

A multinacional de cosméticos Coty, uma das maiores do mundo, comprou nesta segunda-feira (2) toda a divisão de cosméticos da brasileira Hypermarcas, por cerca de R$ 3,8 bilhões.

A aquisição abrange marcas como Risqué, Monange, Bozzano, e Cenoura & Bronze da divisão de cosméticos da Hypermarcas, que gerou receita de R$ 977,5 milhões em 2014.

Elas se juntarão a um portfólio que inclui marcas como OPI, líder mundial no setor de esmaltes, e diversos perfumes, entre eles Calvin Klein e Davidoff.

Em fato relevante publicado nesta quinta, a empresa informa que "os recursos provenientes da transação serão utilizados preponderantemente para redução do endividamento líquido da companhia".

Com a venda, a Hypermarcas fica mais perto de um antigo objetivo de se tornar uma empresa exclusivamente farmacêutica, deixando de lado sua carteira de itens de bens de consumo para focar a produção de medicamentos. Ela já ocupa hoje posição de liderança no ranking de fabricantes de remédios no Brasil.

"Quando finalizada, a transação marcará um passo transformador para a Hypermarcas, cujo foco estratégico estará voltado para o mercado farmacêutico, que oferece potencial atrativo de crescimento e rentabilidade no longo prazo", disse a empresa no comunicado.

Surpresa

O negócio fechado nesta segunda-feira surpreende o mercado, que esperava que a Hypermarcas anunciaria primeiro a venda de sua divisão de fraldas, que reúne marcas como Cremer Disney, Pompom e Sapeka e que têm sido alvo de rumores de uma transação iminente desde o início do ano.

A aquisição realizada pela Coty, empresa fundada em Paris em 1904, ocorre em um momento de incertezas sobre a atração de investidores estrangeiros no Brasil.

Fundada em 2001, a Hypermarcas é campeã em medicamentos isentos de prescrição médica, com marcas como Benegrip, Engov e Rinosoro. É vice-líder em cosméticos para a pele e detém a terceira posição em medicamentos genéricos.

A companhia também é líder em preservativos, com 50% do mercado através das marcas Jontex, Olla e Lovetex, e adoçantes, com Zero-Cal, Finn e Adocyl, que têm penetração no varejo farmacêutico.