terça-feira, 13 de maio de 2014

Abramge exige que fornecedores de OPMEs sejam monitorados

Tabela padrão para OPME, parâmetros para comercialização, estímulo para a produção nacional são algumas das sugestões

A incongruências na comercialização de órteses, próteses e materiais especiais no Brasil já são velhas conhecidas do setor, que parece não encontrar solução para que todos os elos envolvidos estejam satisfeitos. A diferença de preços na venda desses produtos levou a Abramge (Associação Brasileira de Medicina de Grupo) a solicitar ao poder público o monitoramento das empresas fornecedoras.

De acordo com o presidente da Abramge PR/SC, Cadri Massuda, o objetivo é estabelecer parâmetros para impedir abusos no que diz respeito aos valores cobrados. Existem materiais que chegam a custar até 10 vezes mais de uma região para outra. “A cadeia entre o fabricante, o distribuidor nacional, o distribuidor local, o hospital e os médicos tem uma equação que vai crescendo exponencialmente, levando a esta diferença brutal que tem afetado o sistema de saúde como um todo”, afirmou a entidade em comunicado.

Para Ronie Oliveira, blogueiro do Saúde Web e especialista em gestão de aquisição de produtos para saúde, enquanto os atores tentarem buscar soluções individuais isoladas, na esperança de que a liquidação dos seus próprios problemas eliminem os conflitos ou riscos da cadeia, o problema vai permanecer.

“Ainda agimos de forma desconexa, como se hospitais pudessem existir sem planos de saúde, como se médicos não precisassem de salas cirúrgicas e como se operadoras conseguissem atender seus pacientes sem leitos hospitalares”, disse em post no Saúde Web sobre Gestão de OPME.

As OPMEs – que são dispositivos como placas, parafusos, hastes, fios, ganchos e fitas implantados por meio de procedimento cirúrgico – têm importância significativa no custo das operadoras. Estudo recente apresentado pela OAB mostrou que a sinistralidade para as operadoras de saúde gira em torno de 86% dos gastos mensais, sendo que os outros cerca de 15% restantes são custos da administração da carteira. Segundo a Abramge, devido a estes “custos absurdos e incoerentes das OPME, as operadoras de saúde estão vivendo no limite máximo de viabilidade econômica, começando a se tornar insustentáveis”. Em nota, Abramge afirma que o problema pertence também ao sistema público.

A quantidade de impostos sobre as importações também tem contribuído para este aumento. A Associação defende a criação de parâmetros para a comercialização das OPMEs, além do estímulo por parte do governo federal pela produção de materiais nacionais, com linhas de crédito para o desenvolvimento dos produtos que poderão reduzir o custo.

O assunto está sendo discutido pela ANS em Câmara Técnica sob a proposição de haver uma tabela padronizada para as OPMEs. Tem alguns setores que, inclusive, solicitaram uma CPI tal o nível a que estas distorções de preços chegaram.

Ronie Oliveira sugere em seu blog um modelo de soluções compartilhadas que obriga os agentes da cadeia a se debruçarem em conjunto sobre as dificuldades reais do mercado, separando os problemas das pessoas ou instituições e partindo para uma postura de responsabilidade comum, tendo a eficiência operacional, o aumento da previsibilidade e a resolubilidade para pacientes seus objetivos finais.

Ações recomendadas:
• Definição de protocolos aceitáveis por todos os agentes
• Avaliação do custo X benefício técnico-comercial
• Busca conjunta pela redução da variabilidade
• Compromisso compartilhado dos resultados
• Diminuição do tempo de espera (documental e de atendimento)
• Comunicação em todas as direções
• Confiança mútua

Oliveira finalizar com a seguinte reflexão: “há razões plausíveis para acreditar que a gestão através das soluções compartilhadas é o caminho mais promissor para harmonizar um parque de relações historicamente desgastadas e cheias de paradigmas. E, como o leitor sabe, modificar a cultura de um mercado requer esforço, comprometimento e um pouco de utopia inspirada por alguns visionários que assumem o risco de criar cenários melhores”.

 


 

A era pós-antibiótico está vindo aí (ou já chegou)

Postado por Dikajob News em 13 maio 2014 às 12:00

Em um relatório pioneiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou hoje que as infecções bacterianas que não podem ser tratadas com antibióticos de último recurso surgiram em todas as partes do mundo. Isto significa que os pacientes que forem infectados pela bactéria E. coli, por estafilococos ou contraírem pneumonia não têm uma forma eficaz de controlar suas doenças. Em alguns países, mais da metade das pessoas infectadas com a bactéria da K. pneumonia não responderá a carbapenemas (uma classe de antibióticos beta-lactâmicos com um largo espectro de atividade antibacteriana). Um percentual semelhante de pacientes com infecções de E. coli não será ajudado ao tomar antibióticos de fluoroquinolonas (um dos tipos de antibióticos mais tóxicos atualmente em uso).
Resistência a antibióticos pode causar desastre “apocalíptico”

O crescimento de cepas de bactérias resistentes significa que as infecções etsão mais difíceis ou impossíveis de controlar, o que poderia levar à rápida propagação de doenças e maiores taxas de mortalidade, especialmente entre pacientes de hospital. Entretanto, ainda mais preocupante, dizem os especialistas como Martin Blaser – diretor do programa de microbioma humano no Centro Médico Langone da Universidade de Nova York (EUA) e autor do livro “Missing Microbes” – é a forma como estes antibióticos estão afetando a composição de boas e más bactérias que vivem dentro nós, o nosso microbioma.
“O primeiro grande custo dos antibióticos é a resistência”, diz. “Porém, o outro lado da moeda é o fato de que os antibióticos estão extinguindo o nosso mocrobioma e alterando o desenvolvimento humano”.
Blaser afirma isso com base em pesquisas crescentes que mostram que os trilhões de bactérias que vivem em nossos corpo desempenham um papel fundamental na nossa saúde. As bactérias e micróbios não são sempre inimigos de um corpo saudável. Eles podem ser aliados como quando nos ajudam a digerir alimentos, combater bacilos causadores de doenças e muito mais.

Os primeiros estudos sugerem que diferentes comunidades de bactérias no intestino, por exemplo, podem afetar o nosso risco de obesidade e de desenvolver certos tipos de câncer. Outro trabalho intrigante sugere que bebês nascidos por via vaginal, expostos à flora do trato reprodutivo da mãe, podem desenvolver diferentes sistemas imunológicos que os prepara melhor para combater os alérgenos em comparação com aqueles que nascem via cesariana. Mas o cientista adverte que o uso excessivo de antibióticos está lentamente acabando com as boas bactérias e isto pode ter consequências graves para a saúde pública daqui a alguns anos.

O relatório da OMS destaca como as decisões individuais sobre a prescrição de antibióticos podem ter consequências generalizadas, até mesmo globais. “Se eu prescrever um medicamento para o coração de um paciente, este remédio vai afetar aquele paciente”, explica Blaser. “Porém, se eu prescrever um antibiótico, este antibiótico vai afetar toda a comunidade de alguma forma. E o efeito é cumulativo”.

O primeiro passo para reverter esta situação, afirmam especialistas em saúde pública, é reduzir o nosso excesso de prescrição de antibióticos para infecções menores que não necessariamente os exigem – isto se aplica tanto a pessoas, quanto a animais para produção de alimentos, tais como aves e gado. Assim como os seres humanos, os animais podem abrigar e passar bactérias resistentes aos medicamentos, e a ampliação do uso de antibióticos na agricultura nos últimos anos tem contribuído para o crescimento de bacilos mais agressivos. Em casa, as pessoas podem se abster de utilizar sabonetes antibacterianos, que também ajuda as bactérias a se tornarem mais resistentes.

“O que precisamos urgentemente é de um plano mundial contínuo de ação que prevê o uso racional destes medicamentos para que antibióticos de qualidade garantida alcancem aqueles que precisam deles, mas que não estejam obsoletos pelo uso em excesso ou com preços fora de alcance”, aponta Jennifer Cohn, diretora médica da Campanha de Acesso do Médicos Sem Fronteiras.

Isso também pode ajudar a proteger os nossos microbiomas, que por sua vez poderiam retardar o aparecimento de doenças crônicas, como obesidade, câncer e alergias. Como os resultados da OMS mostram, a resistência aos antibióticos é agora um problema de todos. [Time, OMS, Richard Dawkins]

Autor: Jéssica Maes

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Cai concentração do setor farmacêutico


Data: 12/05/2014
Fonte: Valor Econômico
Por Vanessa Dezem | De São Paulo

Ana Paula Paiva/Valor / Ana Paula Paiva/Valor"As empresas não estão elevando sua participação no mercado", diz Murray.


Nos últimos dias, chamaram a atenção do mercado os diversos movimentos bilionários entre companhias gigantes do setor farmacêutico. As ofensivas da Pfizer sobre a AstraZeneca, a oferta hostil da Valeant pela Allergan, as trocas de ativos entre Novartis, GlaxoSmithKline e Eli Lilly, além da recente compra pela Bayer da área de produtos de consumo da Merck. Apesar do agito, a indústria não aponta para uma maior concentração do mercado, com crescentes fatias sendo abocanhadas por um menor número de empresas: as gigantes envolvidas nestas operações. Na verdade, o movimento é contrário.

Segundo dados da consultoria especializada IMS Health obtidos pelo Valor, em 2000 as vinte maiores companhias do mundo dominavam 66% do mercado global farmacêutico, enquanto no ano passado, o mesmo número detinha 56% da indústria. E, segundo analistas consultados pelo Valor, esta tendência de queda na concentração do setor deve continuar.

"Com estes movimentos de fusões e aquisições, as companhias podem ganhar em rentabilidade, mas não estão elevando sua participação no mercado total", afirmou Murray Aitken, um dos principais executivos globais do IMS.

A série de anúncios das farmacêuticas reflete um reaquecimento dos negócios entre estas empresas. Mas os últimos anos já vinham sendo marcados por acordos de fusões e aquisições: as companhias vêm adotando estratégias para continuarem competitivas.

Essa busca por competitividade se dá, em grande parte, em resposta ao fortalecimento das empresas de menor porte, as menos avessas ao risco e grandes inovadoras. Os laboratórios locais, em geral produtores de genéricos também avançam - principalmente nos países emergentes -, e abocanham fatias do mercado que estavam dominadas pelas multinacionais. "Este novo cenário tem limitado a concentração do mercado", explicou o executivo do IMS.

Entre meados da década de 90 e o início dos anos 2000, o setor viu acontecer megafusões, que formaram grande parte das gigantes farmacêuticas que existem hoje. Neste período, foi possível observar uma maior concentração do mercado. Mas depois disto, o desenho foi mudando com a queda da participação das grandes multinacionais, traçando uma tendência que, segundo analistas, deve continuar.

"Estas gigantes foram construídas em uma época em que os ganhos eram mais fáceis e suas estruturas de custos também são desta época", afirmou Glen Giovannetti, líder global de ciências da vida, da consultoria Ernst&Young (EY). "Agora, as empresas estão sob pressão para adaptarem suas estratégias de negócios e alocarem da melhor maneira o capital", completou o especialista.

Hoje, os desafios dos laboratórios são maiores. Com a alta competição de muitos produtos de ponta no mercado, é cada vez mais difícil para as companhias lançarem medicamentos campeões de vendas (os "blockbusters") e terem o retorno esperado sobre suas inovações. Com o aumento dos custos de produção e a crescente necessidade de investimentos em pesquisa, as margens da indústria têm ficado mais apertadas. De 17 empresas analisadas pelo IMS, apenas cinco apresentaram avanço nas vendas e nas margens operacionais entre 2011 e 2013. Seis tiveram queda tanto nas vendas, quanto nas margens operacionais.

"São muitos medicamentos de sucesso no mercado. Antes os executivos se perguntavam: 'Esta nova droga vai funcionar?' Agora, a pergunta é: 'Esta nova droga realmente importa?'", disse Giovannetti.

E as estratégias das companhias vêm tentando direcionar esses desafios. A última onda de negócios, há dois anos, envolveu cisões no setor, e arrebatou laboratórios tradicionais como Pfizer, Abbott, Bristol Myers-Squibb (BMS). A Pfizer vendeu em sua divisão de nutrição infantil para a Nestlé, e separou a divisão animal. No mesmo passo, a Bristol Myers-Squibb (BMS) transferiu os direitos de comercialização dos medicamentos isentos de prescrição (OTCs, na sigla em inglês) na América Latina à inglesa Reckitt Benkiser. A Abbott separou sua área de produtos de inovação, na nova AbbVie.

Agora, em um novo momento de movimentação do mercado, as estratégias nem sempre indicam a mesma direção. Na linha da busca por enxugar o portfólio e se focar nas áreas onde tem maior potencial, está a reestruturação da suíça Novartis - que incluiu a venda da divisão de vacinas para a GSK, a compra da de oncologia da GSK, e a venda da divisão de produtos veterinários para a Eli Lilly. O foco da Bayer no segmento de OTC ficou claro na compra de uma divisão da Merck. Mas as tentativas da Pfizer na compra total da AstraZeneca mostram outro tipo de estratégia: a da busca por presença geográfica e por participação em classes terapêuticas específicas.

"No fim, a busca é uma só: melhorar os resultados, ser mais eficiente nos custos", diz Giovannetti.


sábado, 10 de maio de 2014

AstraZeneca pede a primeiro-ministro britânico para se afastar da Pfizer

08/05/2014 - 08:47
A AstraZeneca pediu a David Cameron, primeiro-ministro do Reino Unido, para não firmar posição sobre a proposta de compra hostil feita pelo laboratório americano Pfizer, que ofereceu 63 mil milhões de libras esterlinas (106,2 mil milhões de dólares) pela companhia inglesa. A AstraZeneca vai reforçar a sua defesa contra a investida da Pfizer anunciando novos medicamentos em fase de desenvolvimento, avança o Valor Econômico, citando o Financial Times.
Leif Johansson, presidente do conselho de administração da AstraZeneca, preveniu o primeiro-ministro do Reino Unido de que o contacto activo oficial com a Pfizer pode permitir que o grupo americano afirme que o governo britânico é a favor do negócio, de acordo com fontes familiarizadas com a conversa, ocorrida na sexta-feira.
Detalhes do diálogo surgiram após Ed Miliband, dirigente do Partido Trabalhista, da oposição, acusar Cameron, no domingo, de agir como um "líder de torcida" a favor da Pfizer, depois de ministros terem começado a negociar com a empresa em torno de empregos e investimentos antes de ela ter feito uma oferta formal.
O gabinete de Cameron reiterou a sua afirmação de que não está a agir como "líder de torcida a favor da Pfizer", e sim a lutar pela manutenção de postos de trabalho e conquistas científicas britânicas. Uma autoridade próxima a Cameron disse que não se poderia responsabilizar o primeiro-ministro pela interpretação dada pela Pfizer à resposta do governo britânico.
A AstraZeneca, que na semana passada recusou a proposta informal da Pfizer, de 50 libras esterlinas por acção, ao considerá-la uma "significativa" subavaliação, emitiu detalhes dos novos medicamentos em processo de investigação e desenvolvimento - entre os quais alguns tratamentos promissores para o cancro -, num esforço de convencer os investidores a continuar a confiar na AstraZeneca como empresa independente. "Estamos convencidos de que temos boa estratégia, que está a fazer bons avanços, e que temos capacidade de continuar autossuficientes", disse Pascal Soriot, CEO da AstraZeneca.
A investida da Pfizer recebeu um impulso, quando uma influente personalidade do sector farmacêutico britânico criticou o "furor político e nacionalista" que cerca a oferta. Richard Sykes, presidente do conselho de administração da Royal Institution e ex-CEO da GlaxoSmithKline, disse ser "irrelevante" quem é o proprietário da Pfizer e onde fica a sua sede. "O que realmente importa é que o Reino Unido estimule essas companhias a fazerem o seu trabalho de descoberta e desenvolvimento de medicamentos aqui", escreveu no "Financial Times".
A Pfizer disse que está "muito decepcionada" com a recusa da AstraZeneca em começar negociações e disse manter abertas todas as alternativas para o seu próximo passo. Ian Read, presidente do conselho de administração e CEO da Pfizer, pediu que o conselho de administração da AstraZeneca reconsidere a sua recusa a iniciar conversações.
Segundo as normas britânicas de aquisições, a Pfizer tem até ao dia 26 de Maio para convencer a AstraZeneca a iniciar conversações ou, se fracassar, para fazer uma oferta hostil pela empresa ou desistir do negócio. Analistas dizem que um dos motivos pelos quais a Pfizer quer comprar a AstraZeneca são as perspectivas relativamente fracas do seu processo de desenvolvimento de produtos.





Bayer compra divisão de consumo da MSD por 10 mil milhões de euros

07/05/2014
É o segundo grande negócio no espaço de um mês entre players da indústria farmacêutica. A Bayer vai comprar a unidade de consumo da MSD (conhecida nos EUA e Canadá como Merck & Co.) por 14,2 mil milhões de dólares, cerca de 10 mil milhões de euros, avança o jornal Público.
O negócio, confirmado esta terça-feira pelas duas multinacionais e que deverá estar fechado até Junho, vai permitir à Bayer reforçar a área dos medicamentos de venda livre, segmento de negócio onde a Novartis e a GlaxoSmithKline a estabelecerem uma parceria recente.

O negócio engloba, segundo informação das duas empresas, uma colaboração entre a Bayer e a MSD no desenvolvimento e promoção de uma classe de medicamentos na área cardiovascular. Por essa colaboração, a MSD vai pagar mil milhões (mais de 720 milhões de euros) à Bayer.
A MSD justifica o negócio com o objectivo de reforçar a sua área de investigação em vários medicamentos, designadamente oncológicos.
No segmento de medicamentos sem receita, a Bayer passa a ter acesso a marcas como o protector solar Coppertone, o medicamento para alergias Claritin ou os produtos Dr. Scholl’s.
A área de medicamentos sem receita médica da Bayer representou, em 2013, cerca de 3,9 mil milhões de euros, o que corresponde a 10% das receitas da companhia alemã. Na empresa norte-americana, essa área de negócios representa cerca de 1,3 mil milhões de euros, e corresponde a cerca de 4% das receitas da empresa.
Na corrida ao negócio chegou a estar a Reckitt Benckiser, a Procter & Gamble, a Sanofi, a Boehringer Ingelheim e a Novartis.
Actualmente, e segundo a Bayer, o ranking da venda de medicamentos sem receita é liderado pela Johnson & Johnson, a que seguirá a Novartis e a GlaxoSmithKline, quando concretizarem a parceria, e em terceiro lugar surge a Bayer, depois de formalizada a aquisição da divisão da MSD.





Pfizer se defende das críticas por interesse em adquirir a rival AstraZeneca

Por O Globo | Agência O Globo

LONDRES- A farmacêutica norte-americana Pfizer se defendeu neste sábado das críticas de que sua planejada aquisição da rival AstraZeneca prejudicaria as bases científicas da Grã-Bretanha, dizendo que a solidez das pesquisas do Reino Unido são uma das principais razões para o negócio. A AstraZeneca tem um valor de mercado de cerca de US$ 80 bilhões, enquanto a Pfizer está avaliada em US$ 193 bilhões.

Dado o seu histórico de grandes cortes de empregos em aquisições anteriores, o grupo dos EUA tem sido criticado na Grã-Bretanha, Estados Unidos e Suécia, enquanto avalia seu próximo passo para comprar a AstraZeneca, o que poderia ocorrer com uma oferta na próxima semana. O presidente-executivo, Ian Read, que deve comparecer em dois painéis de legisladores britânicos, nos dias 13 e 14 de maio, disse em um vídeo que o negócio US$ 106 bilhões seria uma situação de "ganha-ganha" para acionistas e a sociedade, e que a fusão das duas empresas de pesquisa seria "fácil".

O acordo sugerido seria a maior aquisição estrangeira de uma empresa do Reino Unido e provocou uma tempestade política na Grã-Bretanha, com o governo buscando compromissos vinculativos para proteger postos de trabalho qualificados e pesquisa científica.

A AstraZeneca, segundo maior grupo farmacêutico do Reino Unido, tem sido frequentemente apontado com um potencial alvo de compra, uma vez que luta contra o fim do prazo de patente de várias drogas que estão entre as mais vendidas, o que gera incertezas sobre o futuro da empresa. Apesar desses problemas, a companhia chamou a atenção devido ao desenvolvimento de algumas drogas experimentais contra o câncer, o que pode ser interessante para a Pfizer, que também enfrentou várias perdas de patentes, entre elas a do remédio contra o colesterol Lipitor.

As duas farmacêuticas conhecem os produtos uma das outras e trabalharam juntas em alguns projetos, como um pioneiro, sobre um novo tipo para o câncer, anunciado na semana passada. Para honrar o negócio, a Pfizer pode usar o dinheiro acumulado por suas subsidiárias no exterior, que se for repatriado para os EUA será altamente taxado

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Projeto quer transformar farmácia em estabelecimento de saúde

9 de maio de 2014 - 15h53
A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) articulou um encontro entre os dirigentes das entidades farmacêuticas e o presidente da Câmara, deputado Henrique Alves (PMDB-RN), na terça-feira (6), para pressionar a votação do projeto que dispõe sobre o controle sanitário do comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos. O texto transforma ainda a farmácia em estabelecimento de saúde.

A ideia é que matéria entre na pauta do Plenário da Câmara da próxima semana e seja votado no dia 14. Para a parlamentar, a farmácia não deve ser um ponto de venda de mercadorias como bebidas, sandálias, bijuterias.

“O medicamento é sim comercializado, mas faz parte do processo de busca da cura. Sabemos que temos que tratar o uso dos medicamentos com toda responsabilidade, dentro das regras sanitárias e da boa prática e técnica farmacêutica”, diz.

“Portanto, conclamo os farmacêuticos de todo o Brasil a essa participação para constituirmos a mudança da feição das farmácias, porque isso valorizará o profissional farmacêutico e garantirá melhor qualidade de vida e saúde para o nosso povo”, enfatizou.

Da Redação em Brasília
Com informações da Ass. Dep. Alice Portugal

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Alliance Boots e Walgreens põem o pé no Brasil.

Por Adriana Mattos | De São Paulo
O grupo de varejo europeu Alliance Boots, sócio da rede de drogaria americana Walgreens, está prestes a entrar oficialmente no país, como consequência de um acordo anunciado nesta semana.

Walgreens e Alliance Boots formam o maior grupo distribuidor e de varejo de farmácias do mundo desde que se tornaram parceiros, em 2012.

A Alliance Boots, discretamente, inicia suas operações no Brasil ao adquirir o controle de redes de varejo da Saba. A transação envolve a compra da Farmacias Benavides, no México, da rede Ahumada, no Chile, e também da operação da rede GNC no Brasil e no Chile por 8,3 bilhões de pesos mexicanos (US$ 638 milhões). A GNC é uma rede de varejo de vitaminas e suplementos fundada nos Estados Unidos. A Alliance Boots fará uma oferta de compra na Bolsa de Santiago, a ser finalizada após aprovação dos acionistas.

As negociações de compra envolvem a operação da GNC no país e a licença obtida pela Saba para abrir franquias da GNC no Brasil. Ainda não há franqueados no país. A rede de varejo de vitaminas e produtos naturais opera com 18 lojas próprias no Brasil. No país, a GNC informa que ainda não foi comunicada das mudanças no controle da operação.

O presidente executivo da Alliance Boots, Stefano Pessina, disse ao "Financial Times" na terça-feira que o Chile e o México são o "primeiro passo" para crescimento na região latina e admitiu pela primeira vez que tem o interesse em comprar redes de farmácias no Brasil e "possivelmente na Colômbia". Procurada, a Alliance Boots confirmou essas informações.

"Esta aquisição [Casa Saba] dará para a Alliance Boots uma grande presença no atrativo mercado latino-americano, uma de nossas áreas prioritárias de investimento", segundo informou Pessina em comunicado oficial ao mercado.

O Valor já informou no ano passado que a Walgreens, dona de 45% das ações da Alliance Boots, chegou a sondar a Brasil Pharma para ver se o controlador, BTG Pactual, estava aberto a negociações. O banco, porém, não tinha intenção de se desfazer do controle da BR Pharma na época.

Em janeiro de 2013, a Saba já havia se desfeito de parte de seus negócios no país, ao vender para a Profarma as redes de farmácia Drogasmil e Farmalife.

A expectativa da Alliance Boots e da Saba é que o acordo seja concluído ao longo do terceiro trimestre. A transação já foi aprovada pelos conselhos de administração da duas companhias e oferta estará sujeita à aprovações regulatórias (incluindo as autoridades de defesa da concorrência). Juntas, as varejistas Farmacias Benavides e Ahumada, com 1,4 mil pontos no México e no Chile, faturam cerca de US$ 1,4 bilhão ao ano.

A transação amplia a escala de operação da Alliance em mercados emergentes. A companhia já opera na China por meio de um parceiro local. Na Brasil, a Walgreens e sua parceira Alliance poderiam crescer mais rapidamente se comprassem os grandes negócios que já passaram por fusões - Raia e Drogasil se juntaram em 2011, assim como Drogarias Pacheco e São Paulo. Todas descartam hipótese de se desfazer do controle de seus negócios.

O comando da Pague Menos já comentou que aceitaria parcerias com função "estratégica". Há informações no mercado de que a CVS já teria sondado a rede.

A aquisição de redes de farmácias no país pela Alliance ou pela Walgreens pode ser um novo movimento de consolidação do setor, que tem tido participação ativa de grupos estrangeiros.

Concorrente da Walgreens nos EUA, a CVS entrou no mercado brasileiro no ano passado com a compra do controle da Onofre por cerca de R$ 600 milhões. A CVS, em entrevista ao Valor no mês passado, evitou comentar planos de aquisição no país. "Não há nada sendo tratado neste momento que tenhamos conhecimento", disse Marcos Arede, sócio da Onofre.

A distribuidora de medicamentos Profarma também anunciou semanas atrás acordo com a farmacêutica americana AmerisourceBergen que deve levar a estrangeira a controlar até 19,9% da Profarma, dona de drogarias no país.


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quarta-feira, 7 de maio de 2014

Para onde vai a indústria farmacêutica?

06/05/2014 - 08:19
Há anos que as grandes empresas farmacêuticas não viviam uma situação como esta: contratos multimilionários e rumores de que estão na calha novos negócios que envolvem montantes ainda mais altos mergulharam a indústria numa roda-viva, escreve o Financial Times, citado pelo Diário Económico.

Do ‘swap' de activos no valor de 20 mil milhões de dólares (14,5 mil milhões de euros) entre a Novartis e a GlaxoSmithKline à oferta hostil na casa dos 50 mil milhões de dólares (36 mil milhões de euros) sobre a Allergan, a empresa que fabrica o Botox, passando pela especulação em torno de uma proposta da Pfizer à AstraZeneca na ordem do bilião de dólares, a verdade é que os banqueiros de investimento têm feito a festa à custa dos lucros farmacêuticos.

As diferenças entre os três casos são grandes, mas no conjunto transmitem a imagem de uma indústria dinâmica numa altura em que procura identificar um novo modelo de crescimento após uma década perdida. Por um lado, devido ao vencimento de muitas licenças de patentes, por outro, pelas sucessivas más escolhas no que respeita ao desenvolvimento de novos medicamentos. Mas há fortes indícios de que as coisas estão a mudar. A Gilead Sciences, uma das empresas de biotecnologia de maior e mais rápido crescimento nos EUA, é também um dos exemplos mais gritantes daquilo que está a mudar na indústria farmacêutica e biotecnológica.

O novo medicamento da Gilead para a hepatite C, o Sovaldi, cuja taxa de sucesso na cura do cancro do fígado ascende aos 95%, registou vendas no valor de 2,3 mil milhões de dólares (1,65 mil milhões de euros) só no primeiro trimestre do ano. Os analistas estimam que possa atingir os 10 mil milhões de dólares (7,2 mil milhões de euros) no primeiro ano de vendas, o que lhe valeria o título de medicamento mais bem-sucedido no ano de lançamento.

A reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, na sigla inglesa), que terá lugar este mês em Chicago, vai seguramente trazer novidades. Grandes farmacêuticas como a Roche, Merck e Bristol-Myers Squibb vão aproveitar a ocasião para revelar os dados mais recentes dos testes a uma nova classe de medicamentos que utiliza o sistema imunitário para detectar e destruir células cancerígenas.


Novo paradigma no tratamento do cancro.
Os primeiros resultados apontam para a possibilidade de as pessoas que sofrem de cancro de pele ou do pulmão em estado avançado poderem viver mais tempo, meses ou mesmo anos, do que o inicialmente esperado. Os analistas comparam a imunoterapia - que talvez venha a revelar-se o novo paradigma no tratamento do cancro - aos medicamentos criados para tratar as pessoas infectadas com o VIH, que fizeram com que a Sida deixasse de ser uma sentença de morte para tornar-se numa doença crónica.
Haverá também novos avanços à medida que as farmacêuticas decifrarem novos dados na sequenciação do ADN humano para desenvolverem tratamentos mais "personalizados" para nichos de pacientes. O número de fármacos aprovados pela US Food and Drug Administration (FDA) - principal referência da produtividade em termos de I&D - tem vindo a crescer paulatinamente desde 2010. Segundo dados do banco Berenberg foram aprovados 27 novos medicamentos no ano passado. Prevê-se que possam gerar vendas anuais na ordem dos 40 mil milhões de dólares (28,8 mil milhões de euros) nos próximos cinco anos, isto é, o dobro do valor estimado para 2012.

As grandes farmacêuticas e respectivos accionistas não são os únicos que contam com uma nova geração de fármacos. A sociedade, no geral, também tem interesse nos êxitos da indústria, visto a confluência da economia e da demografia resultar num maior número de doenças.
Nos mercados emergentes, a riqueza e a urbanização - a par de estilos de vida mais sedentários e dietas alimentares menos saudáveis - trazem consigo uma potencial vaga de doenças crónicas como a diabetes. Nos países desenvolvidos, o rápido envelhecimento da população é um desafio que precisa de respostas. "Cada vez vamos ter mais necessidade de novos medicamentos para tratar doenças como o Alzheimer, a diabetes e o cancro, cujo risco cresce exponencialmente depois dos 65 anos. Se não encontrarmos uma solução para o Alzheimer nos próximos 20 anos, as sociedades terão encargos financeiros brutais", alerta Chas Bountra, professor de medicina trans¬lacional em Oxford.

Os custos do envelhecimento populacional
Mas nem tudo são boas notícias para as grandes farmacêuticas. Os crescentes custos com as doenças vão colocar as finanças públicas sob forte pressão, tendo em conta que essas despesas actualmente já consomem 80% do orçamento da saúde na UE para o tratamento de doenças crónicas. Enquanto os governos tentam controlar os custos, as empresas procuram conter a subida dos preços para conseguirem financiar a investigação, desenvolvimento e colocação no mercado de novos fármacos, processo que estimam custar, em média, mil milhões de dólares.
Além das dificuldades financeiras dos governos e dos fornecedores de cuidados de saúde, as farmacêuticas terão igualmente de fazer frente às pressões dos accionistas. Para a GlaxoSmithKline isso significa que terá de justificar os 4 mil milhões de dólares (2,9 mil milhões de euros) que investe anualmente em I&D quando algumas empresas da indústria optaram por seguir um caminho muito diferente. A canadiana Valeant, por exemplo, ofereceu 45,6 mil milhões de dólares (32,8 mil milhões de euros) pela Allergan, a empresa que fabrica o Botox, e apostou numa série de aquisições alavancadas seguidas de cortes agressivos na I&D.

Os críticos dizem que esta estratégia pode fragilizar o pacto social que existe entre a sociedade e as empresas a quem foi confiada a missão de transformar a ciência médica em tratamentos que salvam vidas em troca de lucro. No entanto, até quem defende uma abordagem mais virada para a investigação intensiva concorda que as grandes farmacêuticas devem ser mais eficientes. "A indústria ainda funciona pela lógica do ‘campeão de vendas' ao passo que a inovação está a transitar para um novo modelo. A ideia não é vender medicamentos como pãezinhos quentes", realça Richard Bergström, director-geral da Federação Europeia da Indústria Farmacêutica (EFPIA).

Para responder a estes desafios, a indústria decidiu reduzir os custos fixos através do ‘outsourcing' da investigação e comprar ou licenciar descobertas promissoras de pequenas empresas na área da biotecnologia. Nas próximas semanas vamos ficar a saber se as grandes farmacêuticas ainda estão à altura da sua missão, isto é, se a imunoterapia passou nos últimos testes.

Artigo originalmente publicado no Financial Times a 30 de Abril



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Artigo extraído de: http://www.rcmpharma.com/actualidade/industria-farmaceutica/06-05-14/para-onde-vai-industria-farmaceutica

segunda-feira, 5 de maio de 2014

AstraZeneca rejeita oferta de compra da Pfizer

05/05/2014 - 09:02
A farmacêutica britânica AstraZeneca não demorou muito a rejeitar a proposta de compra da Pfizer, que valorizaria a empresa em 79 mil milhões de euro, avança o jornal Público.



Depois de a multinacional americana criadora do Viagra® ter comunicado na passada sexta-feira que tinha feito uma nova proposta – após outras duas tentativas falhadas de negociação –, a AstraZeneca anunciou logo ao final da manhã que não hesitou em rejeitar a oferta.

A AstraZeneca considerou que a proposta “desvalorizava substancialmente” a empresa, apontando, entre outros factores, a dimensão da parcela do pagamento que seria feita em acções.

A Pfizer tinha proposto à AstraZeneca um pagamento combinado em dinheiro (32%) e acções (68%) que, à cotação da passada quinta-feira da multinacional americana totalizaria 50 libras por cada acção da farmacêutica britânica, num negócio que seria o maior da história do sector farmacêutico. A oferta representaria, segundo a Pfizer, um prémio para os accionistas de 32% sobre a cotação de 17 de Abril, "sendo esta a data anterior à especulação do mercado sobre uma possível oferta".

A AstraZeneca, com sede em Londres, resulta da fusão entre uma farmacêutica britânica e outra sueca e é uma das maiores do mundo, com cerca de 51 mil funcionários e receitas próximas dos 19 mil milhões de euros em 2013 — metade do volume de negócios da Pfizer, que emprega 90 mil pessoas.