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segunda-feira, 22 de junho de 2015

Falta de um dos mais conhecidos antibióticos no Brasil (penicilina benzatina) ameaça a saúde de milhares de brasileiros.

Imagem ilustrativa.
Nota de C&T: A matéria abaixo retrata uma realidade não muito recente, especialistas no assunto comentam que a comunidade científica não tem investido na descoberta de novas drogas para determinados tipos de doenças por alguns chamadas de negligenciadas, principalmente antibióticos. Nas últimas décadas nada foi desenvolvido nesse sentido, agora produtos antigos que datam do início do século passado, mas que atendem plenamente as necessidades da humanidade são nesse momento considerados escassos no mundo. Será que países desenvolvidos tem a mesma dependência da penicilina benzatina que o Brasil tem? Fica a pergunta para você pensar.

21/06/15

“Antibiótico Benzetacil está em falta no país e escassez preocupa médicos 

A penicilina benzatina, muito conhecida pelo nome comercial Benzetacil, um antibiótico usado para tratar sífilis e outras infecções, está em falta no Brasil tanto no setor público quanto no privado. A crise de abastecimento, que segundo o Ministério da Saúde é provocada por escassez de matéria-prima, tem preocupado os médicos.

A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) já manifestou sua preocupação em ofício enviado para o Ministério da Saúde recentemente. “O fornecimento da penicilina benzatina está intermitente e isso é um problema muito sério”, diz o médico Luís Fernando Aranha Camargo, da SBI.

Ele diz que a falha no fornecimento atinge os setores público e privado. “Sendo a penicilina um tratamento extremamente simples contra a sífilis – de uma a quatro injeções já resolvem – a falta é um grande problema.”

Segundo o médico sanitarista Artur Kalichman, do Programa Estadual DST/Aids do Estado de São Paulo, a dificuldade de disponibilidade da penicilina não é aguda no momento, mas pode piorar. “Existe pouca oferta de penicilina e isso tem que aumentar. Ela é importante no tratamento da sífilis. Tem drogas que podem ser usadas em substituição, mas a primeira opção é a penicilina”, afirma Kalichman.

Caso não seja tratada, a sífilis pode comprometer o sistema nervoso central e o sistema cardiovascular. A sífilis congênita, transmitida da mãe para o bebê, pode causar mal-formação do feto.

Falta de matéria-prima

Em nota, o Ministério da Saúde afirma que vem monitorando e acompanhando a produção nacional do medicamento ao lado dos laboratórios produtores, que alegam dificuldades na produção devido à “escassez mundial no suprimento de matéria-prima”.

Atualmente, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), existem no Brasil quatro empresas com registro válido para produzir a penicilina benzatina, também conhecida como benzilpenicilina benzatina ou penicilina G benzatina. A Eurofarma, que produz o remédio com nome comercial Benzetacil, a Fundação para o Remédio Popular (Furp), o Laboratório Teuto Brasileiro S/A e a Novafarma Indústria Farmacêutica LTDA.
Segundo a Eurofarma, detentora da principal marca do produto no Brasil, há cerca de dois anos, a empresa “se deparou com a escassez de matéria-prima para a produção da penicilina benzatina no mercado mundial”.

O laboratório esclarece que, no Brasil, existe uma dependência de fornecedores de insumo internacionais, já que o país não é um polo de química fina. O antigo fornecedor da matéria-prima para a Eurofarma fechou sua fábrica e o laboratório buscou um novo fornecedor, já homologado pela Anvisa. A empresa não informou o nome do fornecedor de matéria-prima. Segundo a Anvisa, essa informação “é confidencial da empresa detentora do registro do medicamento”.

“Com importação a partir de plantas na Áustria e China, o fornecimento de matéria-prima para a produção de Benzetacil passa neste momento por um processo de regularização de fornecimento, ainda com impacto no abastecimento”, afirmou a Eurofarma, em nota. A empresa ressaltou que a substituição de fornecedores no setor farmacêutico não é um processo simples, já que deve seguir critérios sanitários rigorosos.

Já o laboratório Teuto, que produz a penicilina benzatina de nome comercial Bepeben, afirmou, em nota, que a produção e distribuição da droga para o segmento hospitalar está "dentro da normalidade".

Segundo o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), que representa boa parte das indústrias farmacêuticas do Brasil, o desabastecimento de penicilina é um problema mundial e a interrupção do fornecimento dos insumos para a produção foi repentina, o que originou o problema.

Ministério espera normalização este mês

O Ministério da Saúde afirmou, em nota, que espera que a situação se normalize ainda este mês. “Foram realizadas reuniões, entre janeiro e abril deste ano, com o Ministério da Saúde, para buscar uma solução ao problema. As empresas se comprometeram a adotar todas as providências para normalizar o fornecimento do medicamento ainda neste mês de junho”, afirmou a pasta, em nota.

Problema de longa data

Além de ser a primeira linha de tratamento contra sífilis, o remédio, é ainda usado para tratar outras infecções, como a febre reumática aguda, doença bacteriana que afeta coração, cérebro e articulações.

Em um documento da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2005 sobre o controle de infecções como a febre reumática aguda, o problema do abastecimento de penicilina benzatina já foi citado.

"Nos últimos tempos, tem havido problemas tanto em relação à disponibilidade quanto em relação à qualidade da penicilina benzatina ao redor do mundo. Em muitos países, essa medicação é escassa, e frequentemente está indisponível por períodos prolongados. Ainda mais preocupante, a qualidade da medicação é altamente variável."

Uma carta publicada em 2013 pela Federação Mundial do Coração na revista "Nature Reviews Cardiology" também chama a atenção para o problema.

“A penicilina benzatina está na lista de medicamentos essenciais da Organização Mundial da Saúde, mas o fornecimento global dessa droga tem sido inconsistente. O processo de fabricação da forma em pó da penicilina benzatina, dose efetiva, e o parâmetro de qualidade são, em grande parte, mal documentados, e a droga é produzida por um número desconhecido de fabricantes genéricos."

Fonte: G1

terça-feira, 13 de maio de 2014

A era pós-antibiótico está vindo aí (ou já chegou)

Postado por Dikajob News em 13 maio 2014 às 12:00

Em um relatório pioneiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou hoje que as infecções bacterianas que não podem ser tratadas com antibióticos de último recurso surgiram em todas as partes do mundo. Isto significa que os pacientes que forem infectados pela bactéria E. coli, por estafilococos ou contraírem pneumonia não têm uma forma eficaz de controlar suas doenças. Em alguns países, mais da metade das pessoas infectadas com a bactéria da K. pneumonia não responderá a carbapenemas (uma classe de antibióticos beta-lactâmicos com um largo espectro de atividade antibacteriana). Um percentual semelhante de pacientes com infecções de E. coli não será ajudado ao tomar antibióticos de fluoroquinolonas (um dos tipos de antibióticos mais tóxicos atualmente em uso).
Resistência a antibióticos pode causar desastre “apocalíptico”

O crescimento de cepas de bactérias resistentes significa que as infecções etsão mais difíceis ou impossíveis de controlar, o que poderia levar à rápida propagação de doenças e maiores taxas de mortalidade, especialmente entre pacientes de hospital. Entretanto, ainda mais preocupante, dizem os especialistas como Martin Blaser – diretor do programa de microbioma humano no Centro Médico Langone da Universidade de Nova York (EUA) e autor do livro “Missing Microbes” – é a forma como estes antibióticos estão afetando a composição de boas e más bactérias que vivem dentro nós, o nosso microbioma.
“O primeiro grande custo dos antibióticos é a resistência”, diz. “Porém, o outro lado da moeda é o fato de que os antibióticos estão extinguindo o nosso mocrobioma e alterando o desenvolvimento humano”.
Blaser afirma isso com base em pesquisas crescentes que mostram que os trilhões de bactérias que vivem em nossos corpo desempenham um papel fundamental na nossa saúde. As bactérias e micróbios não são sempre inimigos de um corpo saudável. Eles podem ser aliados como quando nos ajudam a digerir alimentos, combater bacilos causadores de doenças e muito mais.

Os primeiros estudos sugerem que diferentes comunidades de bactérias no intestino, por exemplo, podem afetar o nosso risco de obesidade e de desenvolver certos tipos de câncer. Outro trabalho intrigante sugere que bebês nascidos por via vaginal, expostos à flora do trato reprodutivo da mãe, podem desenvolver diferentes sistemas imunológicos que os prepara melhor para combater os alérgenos em comparação com aqueles que nascem via cesariana. Mas o cientista adverte que o uso excessivo de antibióticos está lentamente acabando com as boas bactérias e isto pode ter consequências graves para a saúde pública daqui a alguns anos.

O relatório da OMS destaca como as decisões individuais sobre a prescrição de antibióticos podem ter consequências generalizadas, até mesmo globais. “Se eu prescrever um medicamento para o coração de um paciente, este remédio vai afetar aquele paciente”, explica Blaser. “Porém, se eu prescrever um antibiótico, este antibiótico vai afetar toda a comunidade de alguma forma. E o efeito é cumulativo”.

O primeiro passo para reverter esta situação, afirmam especialistas em saúde pública, é reduzir o nosso excesso de prescrição de antibióticos para infecções menores que não necessariamente os exigem – isto se aplica tanto a pessoas, quanto a animais para produção de alimentos, tais como aves e gado. Assim como os seres humanos, os animais podem abrigar e passar bactérias resistentes aos medicamentos, e a ampliação do uso de antibióticos na agricultura nos últimos anos tem contribuído para o crescimento de bacilos mais agressivos. Em casa, as pessoas podem se abster de utilizar sabonetes antibacterianos, que também ajuda as bactérias a se tornarem mais resistentes.

“O que precisamos urgentemente é de um plano mundial contínuo de ação que prevê o uso racional destes medicamentos para que antibióticos de qualidade garantida alcancem aqueles que precisam deles, mas que não estejam obsoletos pelo uso em excesso ou com preços fora de alcance”, aponta Jennifer Cohn, diretora médica da Campanha de Acesso do Médicos Sem Fronteiras.

Isso também pode ajudar a proteger os nossos microbiomas, que por sua vez poderiam retardar o aparecimento de doenças crônicas, como obesidade, câncer e alergias. Como os resultados da OMS mostram, a resistência aos antibióticos é agora um problema de todos. [Time, OMS, Richard Dawkins]

Autor: Jéssica Maes

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Antibióticos combinados podem ser opção contra infecções

Pesquisa da USP foi testada em camundongos e teve resultados satisfatórios na utilização conjunta dos remédios

Experimentos realizados com camundongos, na faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP, descobriram que é possível combinar diferentes antibióticos para se obter resultados mais positivos no tratamento de infecções hospitalares provocadas por alguns tipos de bactérias.

Embora ainda estejam em fase inicial, os estudos representam uma alternativa ao uso solitário de medicamentos para combater esse tipo de infecção.

A ideia surgiu depois que a biomédica Micheli Medeiros observou que faltam medicamentos eficazes contra alguns tipos de bactérias, já que algumas variedades delas são multirresistentes, ou seja, possuem resistência a mais de um antibiótico.

— Um dos motivos para o surgimento dessas "superbactérias" é proveniente do uso excessivo e indiscriminado desses medicamentos — afirma a pesquisadora.

Micheli estudou o tema na pesquisa de mestrado com o título Avaliação in vitro e in vivo de efeitos sinérgicos de antibacterianos para o tratamento de infecções porAcinetobacter baumannii multirresistentes produtoras de carbapenemases tipo OXA endêmicas no Brasil, sob orientação do professor Nilton Erbet Lincopan Huenuman.

De início, realizou uma série de testes e combinações em laboratório visando o tratamento contra um tipo da bactéria chamada Acinetobacter baumannii, muito comum no meio hospitalar e que apresenta alto índice de resistência a medicamentos.

A ideia era que, se um antibiótico não está funcionando para determinada bactéria porque ela se tornou resistente, então seria utilizada uma combinação de dois deles para testar a eficácia na solução da doença.

Foram desenvolvidas em laboratório, na fase de triagem, 30 combinações diferentes de antibióticos. Destas, 14 tiveram resultados mais satisfatórios e demonstraram potencial de eficácia.

A pesquisadora selecionou uma dessas para a fase de testes em camundongos. Na segunda fase, os camundongos-cobaias foram divididos em cinco grupos, todos eles apresentando um grau de infecção elevado.

O primeiro deles teve a injeção de salina. O segundo foi tratado com apenas um tipo de antibiótico da combinação selecionada previamente, o polimedicina, numa concentração tida como satisfatória. O terceiro grupo recebeu doses do outro antibiótico selecionado, o emipenem. O outro grupo foi submetido ao tratamento da combinação de ambos os antibióticos e o último grupo não recebeu qualquer tipo de medicação.

— Fizemos um tratamento durante três dias, injetando as doses a cada 12 horas — descreve Micheli.

Os resultados do tratamento mostraram que, separadamente, os antibióticos não apresentavam uma ação eficaz contra a bactéria. Já na utilização conjunta, as drogas atuavam de forma satisfatória e se mostravam potencialmente eficazes.

Aplicação em humanos

Micheli acredita que o projeto tem potencial para evoluir para a fase de testes em humanos, e que os próximos passos dependem de uma série de investimentos e de aprovações médicas para uso clínico.

Segundo ela, o uso combinado de antibióticos "possui vários benefícios para o paciente, diminuindo, por exemplo, a concentração de medicamentos utilizados durante o tratamento".

A pesquisadora ressalta ainda que, em alguns tratamentos, se utiliza uma quantidade muito elevada de antibióticos, o que contribui para aumentar a toxicidade no organismo dos pacientes. De acordo com ela, isso acaba causando outros problemas futuros de saúde, que podem variar desde complicações nos rins até o comprometimento do aparelho auditivo.

Nesse sentido, o projeto acaba atuando como alternativa para a prevenção de complicações nos quadros clínicos dos internados e contribuindo para o controle das infecções dentro do hospital.

sábado, 8 de junho de 2013

Produção mundial de antibióticos está paralisada e ameaça a saúde

Duas velocidades incompatíveis ameaçam o tratamento mundial de doenças causadas por bactérias.

Ao mesmo tempo em que a indústria farmacêutica do planeta reduziu a produção de novos antibióticos, os casos de bactérias multirresistentes aos remédios disponíveis estão em plena aceleração.

Os números já alarmaram a Organização Mundial de Saúde (OMS) que, em relatório divulgado no ano passado, informou: oito das 15 farmacêuticas produtoras de antibióticos perderam o interesse em atuar na elaboração de fármacos mais potentes. Os dados, publicados em artigo na revista The Economist, contabilizam o prejuízo. “Entre 1983 e 1992, as agências reguladoras de novos medicamentos aprovaram 30 drogas do tipo. Desde 2003, no entanto, apenas sete antibióticos chegaram ao mercado”.

Enquanto isso, as autoridades sanitárias, incluindo a do Brasil, registram o aparecimento veloz de bactérias causadoras de pneumonias e outras doenças que simplesmente não reagem às medicações existentes, como os últimos casos registrados em unidades de terapia intensiva (UTI) de Porto Alegre (Rio Grande do Sul) .

O ideal, afirmam os especialistas, seria investir em tratamentos pioneiros para vencer os agentes bacterianos multirresistentes e que provocam mortes, características de 20, 2% das bactérias que circulam no Brasil , conforme atestou o estudo internacional chamado Sentry, feito com base em 325 amostras de bactérias do pneumococo que circulam no País.

A falta de novidades terapêuticas impede, no entanto, este tipo de investida e deixa os médicos com pouca munição para tratar as doenças bacterianas líderes em causa de internação.

Um levantamento feito pelo iG no banco de dados do Ministério da Saúde indica que são, em média, 1.300 internações diárias em hospitais públicos acumuladas só por causa da pneumonia .

Apelo

Com esta realidade clínica, um grupo de especialistas de diversas nacionalidades, entre eles a médica brasileira Rosana Richtmann, publicou um apelo na revista médica The Lancet alertando que “um dos tesouros da medicina” está ameaçado de extinção.

“Apelamos aos nossos colegas em todo o mundo para assumir a responsabilidade para a proteção desse precioso recurso [os antibióticos]. Não há mais tempo para o silêncio e a complacência”, diz o manifesto divulgado em 2011.

Dois anos se passaram desde a convocação feita pelo Lancet e o quadro crítico não foi alterado, lamenta Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e do comitê de Imunização do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim).

Leia: Alerta médico sobre a resistência bacteriana

“Acabo de voltar de um congresso na Europa muito preocupada e desanimada. Não tivemos nenhum lançamento de impacto no cenário dos antibióticos em 2012”, afirmou ela.

“As informações são de que não temos nada programado para 2013. Assim, ficamos de mão atadas”, completou.

A origem

Marcos Antonio Cyrillo, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), pontua os fatores que contribuem para a letargia industrial na produção de novos antibióticos. Segundo ele, os medicamentos desta classe são usados por pouco tempo, mas exigem ao menos 10 anos de pesquisa.

Diferentemente dos remédios para doenças no coração, que serão usados a vida toda, eles agem em problemas pontuais, revertidos em poucas semanas.

Além disso, as patentes que regem a exclusividade na produção são expiradas após cinco anos, o que desestimula o investimento financeiro.

Somado a este contexto, está o mau uso dos antibióticos, tanto por parte dos médicos quanto da população.

Leia mais: Os principais erros ao tomar remédios

Prescrever medicamentos deste tipo para doenças causadas por vírus ou parar o tratamento antes do prazo acelera o processo que faz a bactéria virar multirresistente. Isso torna, em poucos anos, o antibiótico obsoleto.

“O poder público, as universidades e as sociedades médicas deveriam estabelecer programas de cooperação para pesquisa, pois temos os profissionais capacitados, tecnologia adequada e os pacientes-alvo dos estudos científicos”, acredita Cyrillo.

Sem os novos fármacos e sem a mudança de hábitos por parte da população – que além da prescrição responsável também exige medidas de higiene, como lavar as mãos – as bactérias ficarão ainda mais protegidas e os pacientes cada vez mais vulneráveis.

Novas e velhos

Enquanto novas bactérias só contam com velhos antibióticos, os médicos recorrem a alquimias, esperando efeito positivo.

“Nestes casos, utilizamos associações de antibióticos, aumentamos as doses e utilizamos princípios de farmacocinética e farmacodinâmica”, explica Cyrillo sobre os processos que buscam otimizar doses e tempo de duração.

A esperança para mudar o contexto vem do aperfeiçoamento das técnicas preventivas às doenças bacterianas, como novas vacinas que impedem a contaminação por microrganismos bacterianos, transmitidos pelo ar.

Segundo os especialistas, vem também da iniciativa das pessoas de atentarem para a importância de que lavar as mãos salva vidas e de que o tesouro da medicina chamado antibiótico precisa ser usado com cautela

Fonte: http://www.alagoas24horas.com.br/conteudo/?vEditoria=Sa%FAde&vCod=149781

domingo, 3 de março de 2013

Anvisa suspende venda de lote de antibiótico da Teuto - Pfizer

Medicamento Ampicilina Sódica, produzido pelo laboratório Teuto Brasileiro, teve problemas de qualidade em análise da agência.

O Globo
Publicado:1/03/13 - 15h46

BRASÍLIA - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta sexta-feira, no “Diário Oficial”, a suspensão da distribuição e comércio de um lote do antibiótico Ampicilina Sódica, produzido pelo laboratório Teuto Brasileiro, por problemas de qualidade. A agência alerta que pacientes que já tenham adquirido o medicamento interrompam o uso.

A suspensão atinge o lote 2864017 do medicamento, na apresentação de 500mg, pó injetável, com ampola diluente de 2ml.

O medicamento foi interditado cautelarmente pela agência desde novembro do ano passado, por suspeita de desvio de qualidade. “O laudo de análise de contraprova confirmou que o lote, com data de fabricação 03/2011 e validade até 03/2013, apresentou resultado insatisfatório no ensaio de Teor de Ampicilina Sódica”, informou a Anvisa.

A empresa deve realizar o recolhimento de todo o estoque do antibiótico existente no mercado. A suspensão é definitiva e vale em todo o país.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Resistência a antibióticos pode causar desastre “apocalíptico”

O aumento de bactérias resistentes a antibióticos não é nenhuma novidade – só no ano passado, diversos alertas foram feitos por médicos e especialistas, e até pela Organização Mundial da Saúde (OMS), sobre a iminente crise de infecções resistentes a drogas que pode acabar com a medicina moderna.

Agora, a diretora-médica da Inglaterra, Dame Sally Davies, afirmou que essa crise é comparável à ameaça do aquecimento global para nossa sociedade. Como existem poucos antibióticos para substituir os remédios que estão ficando comprometidos, no futuro, uma cirurgia de rotina pode se tornar mortal devido à ameaça de infecção.

Segundo os especialistas, este é um problema global que precisa de muito mais atenção.

Os antibióticos têm sido uma das maiores histórias de sucesso na medicina. No entanto, as bactérias são inimigos fácil e rapidamente adaptáveis que encontram novas maneiras de burlar as drogas.

Há crescentes relatos de resistência em cepas de E. coli, tuberculose e gonorreia nas enfermarias de hospitais de todo o mundo. Hoje em dia, só há um antibiótico útil para tratar a gonorreia.

“Podemos nunca ver o aquecimento global – o cenário apocalíptico atual é que, quando eu precisar de um novo quadril daqui 20 anos, morrerei de uma infecção de rotina porque nós não temos mais antibióticos funcionais”, argumenta Sally Davies.

“Não há um mercado para fazer novos antibióticos, de modo que, conforme essas bactérias se tornam resistentes, o que fariam naturalmente, mas que estamos acelerando por causa da forma como os antibióticos são usados, não haverá novos remédios”, explica.

Medidas urgentes

Se ninguém fizer nada, a Organização Mundial de Saúde prevê que o mundo caminhará para uma “era pós-antibióticos”, no qual “muitas infecções comuns não terão mais uma cura e, mais uma vez, matarão”.

“Esse é um assunto muito sério. Precisamos prestar mais atenção a ele. Precisamos de recursos para a vigilância, recursos para lidar com o problema e para obter informações públicas”, afirma Hugh Pennington, microbiologista da Universidade de Aberdeen (Escócia).

As empresas farmacêuticas estão ficando sem opções. “Temos de estar cientes de que não vamos ter novos remédios milagrosos, porque simplesmente não há nenhum”, alerta.

Enquanto os cientistas não descobrem uma solução para esse problema, as pessoas podem fazer a parte delas especialmente não tomando antibióticos sem ser absolutamente necessário. O uso desses medicamentos em casos desnecessários faz com que diversas variedades de bactérias se tornem resistentes aos antibióticos modernos.[BBC]

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Antibióticos não funcionam contra tosse, diz estudo

Antibióticos são ineficazes para tratar pacientes com tosse persistente causada por infecções pulmonares, segundo um estudo publicado pela revista especializada Lancet, noticia o DiárioDigital

O estudo, realizado com mais de 2.000 pacientes de 12 países europeus, verificou que a duração e a gravidade dos sintomas nos que foram tratados com antibióticos não foi diferente dos que foram tratados com placebos.


Mas especialistas advertem que em casos de suspeita de pneumonia, os antibióticos devem, ainda assim, ser usados, devido à gravidade da doença.
A pesquisa, realizada entre Novembro de 2007 e Abril de 2010 em países como a Bélgica, Grã-Bretanha, França e Alemanha, contou com a participação de 2.061 pacientes que apresentavam uma tosse persistente por mais de 28 dias, com suspeita de infecções pulmonares, como bronquite.


Os participantes preencheram um «diário da doença» ao longo do tratamento e classificaram a gravidade dos seus sintomas, que incluíam tosse, falta de ar, dores no peito e narizes entupidos.
Paul Little, da Universidade de Southampton, que liderou a pesquisa, afirmou: «a receita do antibiótico amoxicilina no tratamento de infecções respiratórias em pacientes em que não há suspeitas de pneumonia não deve contribuir para a melhoria do paciente e pode até provocar danos».


De acordo com o pesquisador, «a prescrição médica excessiva de antibióticos, especialmente quando eles são ineficazes, pode fazer com que estes pacientes desenvolvam resistência e sofram efeitos colaterais, como diarreia, alergias e vómitos».


«As nossas conclusões mostram que as pessoas estão melhores quando não tomam nada. Mas como um pequeno número de pacientes irá beneficiar dos efeitos dos antibióticos, o nosso desafio continua a ser identificar esses indivíduos», afirma.


Michael Moore, do Colégio Real de Clínicos Gerais da Grã-Bretanha e co-autor do estudo, afirmou que «é importante que clínicos gerais tenham conhecimento claro sobre quando podem ou não prescrever antibióticos para pacientes de modo a reduzir o aparecimento da resistência bacteriana».

Fonte: http://www.rcmpharma.com/actualidade/saude/28-12-12/antibioticos-nao-funcionam-contra-tosse-diz-estudo

sábado, 14 de julho de 2012

Médicos particulares são responsáveis por aumento da resistência aos antibióticos

11/07/2012 - 09:26

Médicos que atendem doentes em clínicas particulares contribuem de forma significativa para a disseminação da resistência aos antibióticos, pois são mais propensos a prescreverem medicamentos de forma desnecessária. É o que aponta um relatório publicado online na revista Clinical Infectious Diseases, avança o portal ISaúde.
De acordo com a pesquisa, uma série de factores influencia a tendência de prescrição exagerada de medicamentos, incluindo maior procura por parte dos pacientes, como também pressão para interromper visitas dos pacientes mais cedo, medo que a negação da prescrição gere processos por erro médico, o uso por alguns planos de saúde de pesquisas de satisfação de doentes para contratação de médicos, entre outras.
O estudo constatou que a ocorrência de infecções difíceis de se tratar em hospitais dos EUA reflecte a taxa de prescrição de antibióticos nas comunidades atendidas por estes por estes centros de atendimento, geralmente apresentando uma elevação durante a época de gripe e queda nos meses de Primavera e Verão. Para ilustrar a ligação, os investigadores mapearam os resultados de uma análise de dez anos de dados que mostram um desfasamento médio de um mês entre o uso de antibióticos e picos e declínios paralelos de Escherichia coli resistentes à ampicilina.
Ampicilina é amplamente utilizado para tratar pneumonia, bronquite e infecções de ouvido e pele, bem como intoxicação alimentar por E. coli e Salmonella. O fármaco não é eficaz contra infecções virais como a gripe e a constipação comum, mas médicos usualmente prescreve-no juntamente com outros antibióticos para tratar essas queixas - muitas vezes por causa da expectativas dos doentes.
"As pessoas devem estar conscientes que quando exigem antibióticos e não precisam deles, isso tem um efeito sobre outras pessoas que realmente precisa destes medicamentos", diz o líder do estudo Eili Klein, da Universidade de Princeton. "Então se tiver que ser submetido a procedimentos médicos durante o Inverno num hospital, o risco de ter uma infecção difícil de tratar com antibióticos é maior”.
Entre as estatísticas mais surpreendentes do relatório é o facto de que em 1987 apenas 2% dos pacientes infectados com Staphylococcus aureus não responderam a meticilina, taxa que subiu para mais de 50% em 2004. Nos últimos anos, S. aureus resistente à meticilina (MRSA), que causa uma variedade de doenças desde infecções de pele à choque séptico, também se tornou resistente a vancomicina, um potente fármaco considerado o antibiótico de último recurso.
"Um dos pontos-chave que podemos entender disso tudo é que os padrões de prescrição de antibióticos tem reais efeitos adversos sobre o sistema hospitalar. Médicos prescrevem antibióticos e muitas vezes o fazem sem pensar como isso afecta a comunidade", conclui Klein.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Venda de antibióticos continua em alta no Brasil.

Restrição não impede aumento do consumo de antibióticos
Mesmo com a exigência da receita médica para a compra de antibióticos, venda do medicamento aumentou

Brasil - O consumo de antibióticos no País cresceu 4,8% em um ano, saindo de 90,3 milhões para 94,7 milhões de unidades. O aumento ocorreu depois de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passar a exigir a retenção de receita para a venda desses remédios.

Os dados foram levantados pela IMS Health, consultoria especializada no mercado farmacêutico, a pedido do Estado, e leva em consideração a venda para o consumidor final, em farmácias.
A norma proibindo a venda de antibiótico sem receita foi publicada pela Anvisa em outubro do ano passado e passou a valer um mês depois. O objetivo da medida era reduzir a automedicação e o risco de resistência bacteriana. Para especialistas, o aumento nas vendas é resultado do crescimento natural do mercado farmacêutico e da melhora da economia: o brasileiro tem mais acesso a planos de saúde, vai mais ao médico e, consequentemente compra mais remédio.

Para o professor Silvio Barberato Filho, do programa de pós-graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade de Sorocaba (Uniso), a medida tem um impacto positivo em reduzir a automedicação, mas ainda não resolve de forma eficaz o problema da resistência bacteriana. "Temos estudos que demonstram que ainda há excesso de prescrição de antibióticos e prescrições equivocadas. Se a pessoa toma o remédio sem necessidade, mesmo comprando com receita, ela vai contribuir para o aumento da resistência", diz.

A mesma opinião é compartilhada pelo infectologista Carlos Roberto Veiga Kiffer, pesquisador do Laboratório Especial de Microbiologia Clínica da Unifesp. "A má prescrição existe e é um dos fatores que nós médicos brigamos contra. O consumo precisa cair mais." Para Barberato, outras medidas, como a orientação específica ao profissional que prescreve antibióticos, deveriam ser tomadas para evitar a resistência. "O fato de o paciente comprar com receita não quer dizer que a receita não está associada ao mau uso. O controle das vendas é apenas um dos elementos para controlar a resistência bacteriana. Essa norma não consegue coibir a prescrição equivocada", diz.

Tese de mestrado defendida ontem na Uniso, orientada pelo professor Barberato, mostrou que nos seis meses depois do início da norma houve queda na venda antibióticos indicados para o tratamento de doenças respiratórias. A pesquisa levou em consideração uma base de dados de cerca de 2.800 farmácias. Segundo Barberato, houve redução na venda da tetraciclina (39%), azitromicina (33%), amoxicilina (32%) e lincomicina (26%). "Essa queda aconteceu provavelmente porque esses eram os medicamentos mais vendidos sem receita", afirma.

Segundo Nelson Mussolini, vice-presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), o mercado farmacêutico cresceu 20% no último ano. A tese da indústria para explicar o aumento nas vendas é a de que nunca houve uma automedicação tão exagerada quanto era imaginado. "Ninguém toma antibiótico se não precisa. E sempre há um pico de venda nos meses de inverno, por causa dos problemas respiratórios", diz Mussolini.

Apesar de ter publicado a norma há quase um ano, a Anvisa não tem um levantamento oficial sobre o consumo. Pela nova regra, as farmácias deveriam fazer a escrituração eletrônica das receitas retidas no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC) a partir de abril deste ano, mas o prazo foi suspenso por tempo indeterminado. Assim, a Anvisa depende dos dados manuais feitos por cada estabelecimento. Segundo a assessoria, o prazo foi suspenso porque o sistema atual não comportaria uma demanda tão grande de informações. A agência também atribui o aumento do consumo ao crescimento do mercado.


Fonte: Agência Estado

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Antibióticos, vilão ou salvação? Leiam o que diz Dra. Ada Yonath, uma das vencedoras do Prêmio Nobel de Química em 2009 e pesquisadora do Instituto Weizmann de Ciências, em Israel.


Nota de C&T:

Dra, Ada Yonath
Nobel de Química em 2009.
A matéria postada abaixo é longa, mas vale a pena ler. Será sério o problema que teremos no futuro por falta de antibióticos no mundo, simplesmente porque a maioria das pessoas capazes não está preocupada com a VIDA. A maioria da humanidade se preocupa com dinheiro, fama, bens e outros valores do presente. O futuro, está fora de cogitação para muitos.

Antibióticos têm a idade da minha geração, esta mesma geração poderá morrer por falta de antibióticos. Antibióticos são uma das maiores descobertas da ciência, mas o interesse comercial é que fez a máquina girar, acabando este interesse, a máquina perde força e a tendência é parar.

O mundo poderá enxergar para o futuro, a velhice da população como um problema, mas este problema poderá não existir se os jovens tiverem dificuldades de chegarem à velhice, principalmente nos países pobres.

Esta é uma opinião de um leigo. Não tenho competência para discutir o assunto com conhecimento científico. Por isso recomendo este e outros artigos sobre antibióticos apenas como informações.


Registro aqui que, a Dra. Ada Yonath não conhece o mercado brasileiro e a forma diferente como lidamos com medicamento, tratando-o como um produto qualquer.

Nota postada por Teófilo Fernandes.





Nosso futuro depende de antibióticos, diz Nobel

Segunda-feira, 24 de janeiro de 2011 - 17h17



SÃO PAULO – Se a indústria farmacêutica não investir em antibióticos, em duas décadas a expectativa de vida mundial pode cair para menos de 40 anos.


O alerta é dado pela Dra. Ada Yonath, uma das vencedoras do prêmio Nobel de Química em 2009 e pesquisadora do Instituto Weizmann de Ciências, em Israel.

Ao lado de Venkatraman Ramakrishnan e Thomas Steitz, dos Estados Unidos, a israelense ganhou o troféu graças à técnica que permitiu compreender exatamente como atua o ribossomo, a estrutura responsável por produzir proteínas dentro das células a partir das instruções contidas no DNA.

A técnica chamada de cristolografia de raios-X permitiu desvendar como o RNA (metade do DNA) é lido pelas células e, mais do que isso, abriu portas para o desenvolvimento de novos antibióticos. Isso porque o trabalho de Ada é feito apenas com bactérias – e a maioria dos medicamentos que as combatem ataca justamente essa pequena organela chamada ribossomo

Além de criticar a indústria farmacêutica, Ada fala sobre mutações e faz um importante alerta: o problema dos antibióticos está em seu uso puro e simples. Se você se preocupou com as mais de 20 mortes causadas pelas superbactéria KPC no Brasil nos últimos meses, vai se assustar ao saber que o futuro é ainda mais tenebroso.

Confira os destaques de sua entrevista concedida à INFO Online no clube A Hebraica, em São Paulo.

Proteínas

Quase tudo em nosso corpo são proteínas. A digestão, a hemoglobina, o sistema imunológico, visão, audição, cabelo, pele... Tudo são proteínas. Elas devem ser feitas de acordo com as necessidades da célula, e as instruções de como elas são feitas estão no código genético. O Ribossomo é como uma fábrica de carros: existem as instruções e as peças; ele junta tudo e, ao invés de sair um veículo, sai uma proteína.

Antibióticos

Já que as proteínas fazem quase tudo no corpo, se não existe mais sua produção, a célula irá morrer. No caso de doenças causadas por bactérias, doenças infecciosas, como pneumonia e tuberculose, a ideia é interromper a vida da bactéria - e metade dos antibióticos faz isso parando seu ribossomo. Eles se ligam à sua estrutura e não o deixam funcionar. A fábrica para. Sem proteína, não há vida. Isso é uma coisa que se sabe há muito tempo, mas como isso acontecia, não. Agora, depois de minha pesquisa, entendemos como acontece e podemos fazer antibióticos melhores e lutar contra a resistência, que é um grande problema.
Soube que agora no Brasil é preciso de receita medica para comprar antibiótico. Por que isso? Vocês se automedicam, eu soube... Mas qual é o problema? Já é muito tarde para essa proibição. Não completamente tarde, mas tarde. O uso de antibióticos sempre será o meio de se criar resistência porque as bactérias querem viver, não só nós. Ela faz mutações, ou encontra maneiras de manter algumas de suas partes apesar do medicamento. Isso sempre vai existir enquanto usarmos os antibióticos – independentemente de os médicos fazerem receitas. É claro que depende de algumas coisas... Mas o abuso do uso de antibióticos, não só quando as pessoas se auto medicam, mas no geral, é um problema universal.

Mutações

Algumas bactérias crescem em 10 minutos. Em 10 minutos já há uma nova geração. A maioria é em poucas horas, 3 horas, 6 horas, 8 horas. Vamos pegar a mais devagar: ela faz três gerações por dia. Em três anos, temos, somente nesta linhagem de bactéria, quase como toda a nossa evolução... Elas se reproduzem muito rápido e podem fazer zilhões de mutações. Aquela que sobrevive é a que vemos. E isso funciona pela sorte: é a sobrevivência do mais apto. Não vemos os fracassos.

Ataque às bactérias

Agora que sabemos como funciona o mecanismo de quase todos os antibióticos que atacam o ribossomo da bactéria, podemos ter novas idéias... Os medicamentos atacam uma parte ativa do material genético do ribossomo – eles precisam atacar estas partes específicas, ou então não funcionam. Antibióticos são pequenos, e é como uma luta entre Davi e Golias: é preciso mirar no alvo certo. É esse o benefício da pesquisa: ter ideias de locais que não sofram mutações tão importantes e que os antibióticos possam se ligar.  Também podemos fazer, como já estamos fazendo agora, pares de antibióticos no qual um ajude o outro, atacando muitos pontos diferentes. Isso significa que levará mais tempo até termos uma mutação na qual nenhum deles funcione. Mas isso não resolve o problema, apenas ajuda.
Parecidas com humanos

A parte ativa dos ribossomos é similar em bactérias e humanos. Similar, não idêntica. Se forem idênticas, temos um problema: quando  o antibiótico mirar justamente essa parte, além de matar as células da bactéria, vai matar as células da pessoa também. Algumas vezes a diferença entre bactérias e humanos é muito pequena. Se as bactérias fizerem mutações e acabarem se aproximando do ser humano, haverá resistência. Isso já está acontecendo... Mas é apenas uma das mutações de resistência. Existem muitas outras.

Nós, dos laboratórios, podemos dar as informações para as empresas. Se elas querem usar, aí... Pergunte a elas, mas não estão muito interessadas. Elas querem dinheiro. E sabe quanto custa um medicamento de colesterol, de diabetes, que você toma dos 50 aos 90 anos todos os dias da vida? É muito mais lucrativo do que um remédio para uma infecção de cinco dias ou um mês. Primeiro, vende mais e, segundo, as pessoas que têm as chamadas doenças da idade pagam qualquer coisa para sair disso. Já a maioria das pessoas que têm infecções vem de países mais pobres, com menos condições de higiene. As empresas não ganham muito dinheiro com antibióticos e elas sabem o mesmo que eu: que a resistência das bactérias sempre virá e que, cedo ou tarde, seu remédio estará obsoleto e será preciso investir mais dinheiro para fazer outro.

Expectativa de vida da população

O que eu tento dizer às pessoas das indústrias, sempre que encontro com associações internacionais, é que sem antibióticos não haverá mais lucro. Uma coisa que eles adoram mostrar é como a expectativa de vida aumentou muito ao longo das décadas. Aí eu digo: “em breve essas taxas vão voltar a cair. Esses pacientes morrerão quando forem jovens, como era antes da penicilina, dos antibióticos”.  E tento influenciá-los mostrando que seus lucros vão cair se não tiverem muitos pacientes de mais idade. E até a metade do século passado, quando os antibióticos começaram, as pessoas morriam cedo, aos 30, por doenças infecciosas porque não havia maneira de tratá-las. Em duas ou três décadas, a não ser que haja novos antibióticos, isso será uma realidade... (Na década de 40, o brasileiro vivia em média até os 45 anos; hoje, vivemos até os 72. No mundo, os números não são muito diferentes: no início do século 20, a população, quando muito, chegava aos 45 anos. Hoje, já ultrapassa os 67).

Pesquisa

Nosso laboratório ainda é muito ativo. Ainda não sabemos sobre todos os antibióticos, não sabemos como o ribossomo começou, como a vida começou... Quando vemos o ribossomo de uma bactéria moderna, conseguimos identificar ribossomos antigos nele. A idéia é chegar até a primeira coisa que viveu.

Vida após o Nobel

Basicamente, meu trabalho ainda é o mesmo. O que eu faço de diferente agora? Falo com jornalistas. Também estamos lançando um trabalho na PNAS  que foi desenvolvido para melhorar antibióticos. É um daqueles pares de que falei, que atuam juntos atacando trechos do ribossomo da bactéria. O Weizmann (Instituto em que trabalha) patenteou a idéia, mas qualquer um pode ler o trabalho – inclusive empresas. É claro que elas devem pagar para usar a idéia.

Empresas

Não tenho vontade de trabalhar em uma empresa. Trabalhei por tantos anos de acordo com minha vontade, não quero trabalhar agora por dinheiro. As empresas fazem boas pesquisas, mas nesse estágio da minha vida faço coisas que não interessam a elas – como essas pesquisas com o princípio da vida. Agora, no início da minha carreira, eu ficaria feliz de ter essa opção... 





quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Novos antibióticos entram na lista de controle (venda com retenção da prescrição médica)

Nota do C&T: Reafirmo minha satisfação com o controle na retenção da prescrição médica dos antibióticos é um absurdo a prática da automedicação incentivada pelas Indústrias Farmacêuticas e comerciantes pouco comprometidos com a saúde da sociedade, apenas com seus negócios como sendo um negócio qualquer, muito embora, o mais importante neste momento é a fiscalização eficaz junto às drogarias que insistem em burlar esta lei. Tem muita gente adquirindo produtos sem controle, mas será por pouco tempo, o mercado normalizará e esta lei será respeitada para o bem da sociedade.


(Foram incluídos na relação mais 26 princípios ativos e cinco substâncias foram retiradas)
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atualizou a lista de antimicrobianos (categoria que inclui os antibióticos) de uso sob prescrição médica cuja venda deve ocorrer apenas mediante retenção de receita em farmácias e drogarias, conforme determina a RDC 44 de 2010.
A RDC 61, publicada na última quarta-feira (22), alterou o anexo da norma anterior, incluindo na relação mais 26 princípios ativos. Outras cinco substâncias foram retiradas da lista, que agora passa a ter 119 substâncias sob controle.

As substâncias excluídas são: 5-fluorocitosina, griseofulvina, nistatina, fenilazodiaminopiridina e sulfadoxina. Além disso, corrigiu-se a grafia da substância talilsulfatiazol para Ftalilsulfatiazol. A resolução já está em vigor.
Esclarecimento 

Em nota técnica, a Anvisa deixa claro que, ao usar a expressão "receita de controle especial", a RDC nº 44/2010 refere-se a uma receita simples, prescrita em duas vias e contendo as informações exigidas.

Ainda segundo o documento, as informações relacionadas à identificação do comprador e ao registro da dispensação (entrega do medicamento ao consumidor pelo farmacêutico) devem ser preenchidas no momento da venda. Esse procedimento é de responsabilidade do estabelecimento farmacêutico.

Deve ser prescrito apenas um medicamento por receita. Além disso, a receita só poderá ser aviada (entregue à farmácia) uma vez, não podendo ser reutilizada para outras compras


Fonte: Saúde Business Web

sábado, 27 de novembro de 2010

Presidente da Infectologia fala sobre nova forma de venda de antibióticos

Fonte:



No final do mês de outubro, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (Anvisa) publicou resolução que determina que os antibióticos vendidos nas farmácias e drogarias do País só poderão ser entregues ao consumidor mediante receita de controle especial em duas vias. A primeira via ficará retida no estabelecimento farmacêutico e a segunda deverá ser devolvida ao paciente com carimbo para comprovar o atendimento.

Um dos objetivos do novo documento é controlar a disseminação de micro-organismos resistentes a medicamentos.

O presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Marcelo Simão Ferreira, falou sobre o tema à AMB:

1) Qual a importância da Resolução Normativa da Anvisa nº 44, de 26/10/10, que dispõe sobre o controle de medicamentos à base de substâncias classificadas como antimicrobianos, de uso sob prescrição médica, isoladas ou em associação, para a sociedade?
Essa decisão da Anvisa é muito boa e já deveria ter sido redigida há muito tempo. Nos Estados Unidos, por exemplo, as pessoas não podem comprar antibióticos indiscriminadamente, pois existem muitos efeitos colaterais. Às vezes o paciente chega a nossos consultórios com febre e diz que já está tomando um antibiótico. Mal sabe ele que apenas um pequeno percentual de bactérias causa febre. Tomar um medicamento por conta própria, ou porque o vendedor da farmácia indicou é perigoso, mascara a infecção. Então eu considero essa resolução uma medida muito boa, pois vai controlar o uso abusivo de antibióticos. Tenho certeza que terá uma repercussão muito positiva.

2) E para os médicos? Será um avanço?
Claro, pois além de coibir o uso de antibióticos desnecessariamente, valoriza a prescrição médica e impede que leigos façam um ato que é exclusivamente médico.

3) A lista de antimicrobianos registrados na Anvisa, sobre os quais recai esta nova resolução, é satisfatória? Tem amplitude suficiente para que os objetivos da Anvisa sejam alcançados?
Essa relação foi feita após muito estudo, inclusive com a participação de representantes da Sociedade Brasileira de Infectologia. Estão contemplados os principais e mais importantes.

4) Existem outras formas, além da ingestão muitas vezes desnecessária e descontrolada de antibióticos, para que micro-organismos se tornem resistentes a antimicrobianos?
È preciso lembrar que existe a seleção natural dos organismos. Em uma cultura, após aplicação de antimicrobiano, pode ser que sobre 1% esse medicamento não tenha efeito. Esse novo grupo pode se proliferar e está formada uma categoria mais forte. O ideal, sempre, é que seja protegida ecologicamente a flora bacteriana da sociedade que tudo esteja equilibrado.

5) A Anvisa também publicou recentemente resolução que torna obrigatório a todo serviço de saúde ter aquela preparação alcoólica à disposição para assepsia das mãos. Isso é eficiente no combate a estes organismos resistentes?
O problema todo é que médicos, enfermeiros, técnicos, todo o pessoal que trabalha em hospitais são grandes disseminadores de bactérias, pois não existe o hábito de se lavar as mãos após visitar um paciente. O álcool gel, por sua vez, é muito eficiente na esterilização da mão. Por todas as alas dos hospitais é possível encontrar um recipiente com álcool. Se virar um costume, já ajuda bastante

Nota:
Para quem defende o caixa das farmácias e o uso indiscriminado de medicamentos, a entrevista acima apesar de curta, poderá contribuir para alert-los sobre o risco que a sociedade sofre com suas defesa a ilegalidade de RDC 44/10.