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sábado, 29 de março de 2014

RECEITA DE BOLO

"Você trabalha? Espero e desejo que sim; porque de outro modo, ou está sentado sobre uma montanha de dinheiro ou… bah, nem vou dizer o que penso, você rasgaria o jornal agora… Admitindo que trabalha, é preciso que fique bem claro que há dois modos de trabalhar: simplesmente fazer o que é mandado ou ir além, criar, encantar-se todos os dias, desejar proficiência mais e mais e cada vez mais.

Sabes de onde me vem essa lembrança? De uma leitura de jornal. Foi assim, abri o jornal e levei um susto, um bom susto. Lá estava a manchete: – “Professor diz que bom professor vai além da receita de bolo”! Bah, atirei-me à leitura, queria saber quem era esse iluminado professor que dizia essa obviedade tão “esquecida” pela maioria dos professores; por professores e por 97% de todos os que trabalham, no Brasil e lá fora. É estatística mundial, os acomodados são estonteante maioria, os que trabalham só pelo salário são escandalosos em número e prejuízos causados ao mercado.

Pois bem, fiquemos na manchete: – “Professor bom vai além da receita de bolo”. O que anda por aí mal vai até à receita do bolo. Mal vai. O pessoal não lê, não estuda, não pesquisa, não gosta de sala de aula, está lá só pelo miserável salário… Vale para todas as atividades, médicos então nem se fala; ficam só na receita do bolo, isto é, no habitual, no convencional, no que não dá trabalho.

Um professor encantado com sua ciência, com sua cadeira, com sua matéria, é um inquieto, quer sempre saber mais, “inventar”, acender-se em sala de aula. A maioria apenas repassa a receita do bolo que ouviram de alguém.

Qualquer profissional pode ser ilimitado na ascensão de carreira, tudo vai depender do amor, das inquietações para saber mais; já a maioria repassa a receita do bolo, depois quer fazer greve e ganhar aumento. Vergonha na cara fez bem para a tosse!

Ah, quase esquecia, o professor que fez a frase é americano. Só podia…"
O texto acima foi retirado na íntegra de: http://pratesnosbt.com.br  (29 March, 2014 at 10:10 by Luiz Carlos Prate)

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Chefia e liderança: – tem diferença?

De: Mustafá Ali Kanso
Na esteira do artigo da semana passada “Chefe é Chefe – uma reflexão fabulosa” (Aqui - Chefe é Chefe)  tenho recebido uma enxurrada de e-mails de meus queridos leitores perguntando exatamente isso.

Qual ou quais são de fato as diferenças entre líder e chefe, ou se trata simplesmente de um bonito jogo de palavras que usamos em palestras motivacionais.

Apelando mais uma vez para o sociólogo Max Weber, podemos iniciar essa questão pela conceituação de poder e autoridade.

Como conceituamos na semana passada, “o poder” pode ser entendido como sendo toda a probabilidade de impor a própria vontade numa relação social, obstante qualquer resistência e independentemente do fundamento dessa probabilidade.
Por outro lado a autoridade é a habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer em virtude de sua influência pessoal.

Para ilustrar esses conceitos é fácil entender que a autoridade de um bom médico, por exemplo, é fundamentada em seus anos de estudo, em seu talento, e em sua ampla experiência na prática médica.
É fácil intuir que um bom médico possui prestígio em sua comunidade e é recomendado “boca a boca” por seus pacientes (e/ou familiares) satisfeitos – fator contínuo que vai paulatinamente aumentando seu prestígio e, portanto, sua autoridade.

Para esse exemplo que ilustra a autêntica autoridade descrita por Weber, de onde advém um poder “naturalmente exercido”, podemos contrapor os poderes instaurados por artifícios sociais, como é o caso do estabelecido pelos níveis de hierarquia nas corporações.

Algo como:

O chefe é o chefe e deve ser obedecido.

Trazendo então esses conceitos para o mundo corporativo é fácil também intuir que o verdadeiro líder é em sua essência uma “autoridade” não necessariamente formal ou oficial (como é o caso do chefe), porém que possui prestígio perante o grupo, seja pelo seu “conhecimento de causa” ou pelas “habilidades” indispensáveis para o exercício dessa autoridade.

Para esclarecer essa ideia vamos à etimologia da palavra “líder” e o conceito de liderança.
A palavra líder origina-se do termo germânico antigo “lad” que significa “caminho”. Daí se depreende que um “ladan” ou um “líder” era “aquele que mostrava o caminho”.

Em suma, um guia que conduzia caminhantes em segurança de um povoado ao outro, por meio de trilhas na neve e cuja responsabilidade era a cuidar de todos e também de cada um.

Com isso fica evidente que a autoridade do guia é a daquele sujeito experimentado que conhece muito bem o caminho, como também todos os perigos e contingências que o assolam.

Por isso o conceito de liderança surge naturalmente:

“Liderança é a ação humana que ajuda um grupo a identificar o caminho a seguir, motivando-o para alcançar suas metas” (DAVIS e NETSON, 1991);

“Liderança é a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum” (James Hunter).

Daí também se pode deduzir que enquanto o líder persegue seus ideais, o chefe cumpre a tabela.

Isso por que:

O chefe centraliza, desconfia, manda, amedronta e intimida, fiscaliza, tem apenas subordinados, procura culpados, faz mistério, administra recursos para chegar-se a um fim, tem todo o poder da hierarquia, considera os conflitos como aborrecimentos e crises como riscos; acredita que as pessoas trabalham apenas por dinheiro e por isso acena com promessas e/ou ameaças que raramente cumprirá.

Enquanto o líder delega, confia, orienta, entusiasma e inspira, acompanha, tem parceiros, procura aliados, comunica, administra seres que pensam e sentem, tem todo o poder de sua competência, considera os conflitos como oportunidades de melhora e as crises como lições; acredita que as pessoas trabalham também por dinheiro e por isso compartilha seu prestígio e demonstra sua gratidão.

Em suma, poderíamos traduzir tudo isso em uma frase:

Enquanto o líder é autoridade o chefe é autoritário.

E para você leitor, existe diferença?
 
Leia os outros artigos de Mustafá Ali Kanso
 
Fonte: http://hypescience.com/chefia-e-lideranca-tem-diferenca/

Chefe é chefe – uma reflexão fabulosa!

De: Mustafá Ali Kanso
Um dos fundadores da sociologia, o economista alemão Max Weber, conceitua o poder como sendo toda a probabilidade de impor a própria vontade numa relação social, obstante qualquer resistência e independentemente do fundamento dessa probabilidade.

Um dos exemplos mais simplórios e também um dos mais anacrônicos do exercício do poder está manifestado no membro administrativo de algumas corporações, com grau hierárquico executivo identificado simplesmente como “o chefe”.

“O chefe” é o personagem muitas vezes caricato que, encarnando o detentor de alguma forma de poder, tem muitas vezes seu grau de hierarquia oficializado por títulos sugestivos, tais como coordenador, gerente, diretor, supervisor, etc.

Independentemente do título, ser chefe é ter acesso privilegiado às informações e às decisões, e também a outros instrumentos administrativos que viabilizam o exercício desse poder, tais como a promoção e a demissão de seus subordinados, por exemplo.

No Brasil das corporações anacrônicas é comum se ouvir nos bastidores:

- O chefe tem sempre razão!

- Manda quem pode – e obedece quem tem juízo!

E por aí vai.

A infelicidade de tal prática, onde chefe é chefe e subordinado é subordinado (sendo a diferença muito nítida também no montante dos salários) geralmente está acompanhada pelo autoritarismo de uma parte e a subserviência da outra.

Talvez uma herança atávica do feudalismo, o exercício do micro poder diário das chefias nos convida a um questionamento filosófico também sobre o exercício diário da ética, que se traduz, na interpretação de muitos filósofos modernos, como sendo simplesmente o exercício da moral.

Muitos chefes possuem um poder circunstancial. Mandam mas não lideram.

E talvez por falta dessa mesma liderança ameacem, intimidem e se transmigrem amiúde na versão tragicômica de pequenos tiranos.

Em síntese: um rato que ruge.

E o que é pior, é que muitos desses chefes tiranos brotaram do plano comum de seus subordinados.

Quando então promovidos simplesmente “mudam de lado”.

Talvez porque na maioria das corporações onde exista um chefe tirano, também existam subordinados que trabalhem direito apenas quando contam com uma “severa” supervisão.

Flagra-se, portanto, a carência de moral, tanto de uma parte como de outra.

Qual é a solução?

Melhorando-se o subordinado, transformando-o em colaborador se melhoraria também a chefia?

Ou trocando-se um chefe por um verdadeiro líder, a coisa toda mudaria de figura?

Será?

Ou é do indivíduo que temos de falar – antes de mais nada?

Para concluir este artigo e suscitar essa fabulosa reflexão – quero apresentar aqui minha releitura recorrente de uma das “Fábulas Fabulosas” de Millôr Fernandes:

“O rato que tem medo”

A história é bem simples. Um rato que depois de muito sofrer pede para um grande mágico transformá-lo em um gato. Não suportava mais ser perseguido e intimidado.

Nem bem foi transformado, ironicamente, passou a perseguir todos os ratos que encontrou. Porém, com inédita crueldade e efetiva precisão. Afinal conhecia com propriedade o modus operandi destrutivo dos ratos.

Viveu satisfeito até encontrar um cão – que então o persegue.

Implora mais uma vez para que mágico o transforme, dessa vez em um cão, e assim, por efeito da magia vai subindo sucessivamente a escala zoológica até chegar na iminência de ser transformado em ser humano.

Nessa passagem, o mágico, numa peripécia o transforma novamente num rato.

- Mas por que voltei a ser rato? – pergunta o animal, transbordando frustração.

É com a sabedoria típica das fábulas que o Grande Mágico responde:

- De que adiantaria para o mundo mais um Homem com “coração de rato”!

[Leia os outros artigos de Mustafá Ali Kanso]

domingo, 14 de outubro de 2012

Como vencer a concorrência


Publicado em 12/10/2012 pelo(a) Wiki Repórter tomcoelho, Cotia - SP
“Contaram-me que os peixes não se importam de serem pescados,
pois têm o sangue frio e não sentem dor.
Mas não foi um peixe que me contou isso.”

(Heywood Broun)


Não sejamos hipócritas. Esta história de que concorrência é saudável porque estimula o desenvolvimento e combate o imobilismo é filosoficamente bela, mas não retrata a realidade.

Frédéric Bastiat, economista francês do século XIX e grande defensor do livre comércio, dizia: “Destruir a concorrência é matar a inteligência”. Pois então que morra, neste caso, a inteligência! Qualquer empresário ou gestor há de concordar que concorrência boa, é concorrência morta.

É por isso que o mundo corporativo tem sido marcado por fusões e aquisições, com a formação de grandes grupos econômicos. Tome-se como exemplo o setor bancário. Chama menos atenção a redução do número de instituições financeiras, o que não seria uma medida estatisticamente adequada, mas a concentração do patrimônio líquido, dos depósitos e do crédito entre os 15 maiores bancos do país.

As grandes companhias buscam o caminho dos ganhos de escala e da redução de custos operacionais, princípios econômicos legados da Era Industrial. É uma forma de debelar a concorrência absorvendo-a (aquisição) ou aliando-se a ela (fusão). Mas fica a pergunta: e quanto às pequenas empresas?

Firmas de pequeno e médio porte têm uma natural vocação autofágica. Em outras palavras, digladiam-se por um pedaço de osso como se fosse carne de primeira. Chegam até mesmo a praticar dumping (vender abaixo do preço de custo) para evitar que o vizinho ganhe o pedido. Cooperativismo e associativismo são palavras ausentes do vocabulário – e do dicionário – da maioria dos empresários. É uma questão cultural alicerçada num modelo mental ultrapassado: cada um que cuide de seu terreiro.

Houve uma época em que bastava produzir o que fosse para surgir um comprador. Outro economista francês, este no final do século XVIII, Jean-Baptiste Say, cunhou uma lei de mercado que dizia: “Toda oferta cria sua própria demanda”. Sua assertiva teve vida longa, a ponto de Henry Ford declarar no auge da produção de seu veículo Modelo T: "Você pode ter o carro da cor que quiser, contanto que ele seja preto".

Mas os tempos áureos sucumbiram em 1929 com a Grande Depressão. O impacto econômico foi tamanho que, nos Estados Unidos, a taxa de desemprego saltou de 9% para 25% em apenas três anos.

Hoje vivemos um período de comoditização ampla, geral e irrestrita. Os produtos são todos muito parecidos em funcionalidade. E os consumidores dão as cartas, reinando no trono da infidelidade e com elevado poder de barganha.

O sofrimento é ainda maior no comércio que na indústria. Basta caminhar em São Paulo, por exemplo, pela Teodoro Sampaio dos instrumentos musicais, a Consolação dos lustres, a Santa Ifigênia dos eletrônicos ou simplesmente as praças de alimentação de qualquer shopping para sentir na pele e na veia a ferocidade da concorrência. O que fazer?

1. Cuide do visual. O jogo começa na aparência que conduz à sedução. É o marketing de percepção. Você precisa captar a atenção do cliente para que ele escolha, entre as inúmeras alternativas, o seu ponto. Isso envolve a fachada, o letreiro e até mesmo o nome do estabelecimento. Os trajes dos atendentes, a pintura das paredes, a limpeza do piso, o índice de luminosidade, a organização dos produtos expostos e a facilidade de acesso a eles. Perceba que as mesmas regras aplicam-se a uma loja virtual. Neste caso, falamos de um site de fácil navegação, com diagramação e cores agradáveis, ágil na transição de páginas, amigável na busca por produtos.

2. Treine seu pessoal. Considerando-se que os produtos são similares e, portanto, facilmente comparáveis, o único canal possível de diferenciação é o da prestação de serviços. A palavra de ordem agora é “atendimento”. Não apenas um atendimento bom, mas sim um excepcional, prestado por uma força de vendas que antes de tudo conhece em profundidade o que está ofertando. É a chamada “venda consultiva” que compreende necessidades, orienta sobre tipos e modelos, instrui com foco na adequação e assiste através do pós-venda promovendo a fidelização.

3. Tenha o produto disponível. Parece óbvio, mas esta é uma das grandes falhas de gerenciamento no ponto de venda. Imagine ter atraído o consumidor para sua loja e tê-lo presenteado com um atendimento exemplar. Após analisar todas as possibilidades ele escolhe um produto que está esgotado. Era o modelo perfeito de calçado, mas não na cor desejada. Era o prato ideal para o almoço, mas sem o molho preferido. Você terá o desprazer de ver seu cliente, igualmente frustrado, sair pela porta afora de mãos vazias –porém seguro do que pretende comprar, evidentemente em seu concorrente. Portanto, mantenha um estoque de segurança. E se você não dispõe de espaço ou capital para tê-lo, é preferível reduzir a gama de produtos oferecidos ou especializar-se em um grupo específico. Se você não é o primeiro e nem o maior, seja o melhor no que se propõe a fazer.

4. Crie diferenciais. Além do excelente atendimento, seja criativo nos detalhes e tenha a inovação como lema. Promova campanhas e concursos, crie bônus por fidelidade, escute e surpreenda seus clientes com novas soluções integradas. Propicie condições variadas de pagamento estabelecendo, por exemplo, parceria com instituições financeiras. Vivemos uma onda de crédito abundante e facilitado, ainda que caro, mas que permite adquirir bens para pagamento em longo prazo mediante suaves prestações mensais. Você não precisa assumir o ônus dos riscos do financiamento. Não é este o seu negócio. Mas uma financeira fará este papel com todo prazer.

5. Diga não à guerra de preços. Venda benefícios associados aos produtos, desviando o foco do preço. A regra é vender valor e não preço. Por isso a importância do atendimento, inclusive no pós-venda, além da oferta de acessórios, de assistência técnica permanente e de condições diferenciadas de pagamento, conforme já mencionado.

6. Em guerra deflagrada,
lute para ganhar. Jamais se esqueça de que você está em guerra permanente com seus concorrentes. Esteja, pois, preparado. Conheça bem, e de perto, seus concorrentes. Visite-os ou coloque alguém para visitá-los. Telefone para monitorar a qualidade do atendimento. Pesquise preços. Descubra seus pontos fortes e os copie. Descubra seus pontos fracos e guarde as cartas na manga. Contrate seus melhores funcionários. E, fundamentalmente, inove. Torne-se único a ponto de tornar a concorrência irrelevante. Mas lembre-se: eles podem estar fazendo exatamente o mesmo em relação a você.


* Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 17 países. É autor de “Somos Maus Amantes – Reflexões sobre carreira, liderança e comportamento” (Flor de Liz, 2011), “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional” (Saraiva, 2008) e coautor de outras cinco obras. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br