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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Biotrinik apresenta marcapasso de última geração

Para pacientes do SUS no XIX Congresso Cearense de Cardiologia.Equipamento especial permite a realização de exames de ressonância magnética.

Cerca de quinhentos pacientes de hospitais da Rede Pública de Saúde de todo País já receberam o implante do Entovis ProMRI®, um marcapasso de última geração, antes disponível apenas ao serviço privado. O Dispositivo Cardíaco Eletrônico Implantável Condicional para Ressonância Magnética foi redesenhado e aprimorado para permitir o acesso a este diagnóstico de alto padrão. A novidade foi apresentada no XIX Congresso Cearense de Cardiologia, nesta semana, em Fortaleza.

O SUS não cobre os custos deste produto diferenciado, mas a Biotronik, a primeira empresa a disponibilizar a tecnologia no Brasil, estendeu o benefício aos usuários da rede pública. Assim, um paciente do SUS tem a disposição a mesma tecnologia que um paciente de convênio. Hospitais de cerca de 30 cidades, de diversos Estados, já realizaram implantes do novo equipamento.

Nos Estados Unidos, mais de 70% dos exames de ressonância magnética são realizados no cérebro, extremidades e espinha dorsal, exame contraindicado ao portador de um marcapasso comum. Estima-se que um exame de RM seja solicitado para 17% dos portadores de marcapassos no intervalo de 12 meses após o implante.

O cardiologista Otaviano da Silva Junior, que já realizou um implante do novo dispositivo, ressalta que esta inovação tecnológica é fundamental para a eficiência de vários tratamentos. O médico do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro explica que o marcapasso convencional apresenta riscos potenciais que contraindicam a realização da ressonância, como danos ao tecido cardíaco, deslocamento do eletrodo, falha no funcionamento do dispositivo com risco de desprogramação e desenvolvimento de arritmias.

Com esta estratégia a empresa quer mostrar a necessidade de investimentos em eletroterapia cardíaca no Brasil. No ano passado, foram implantadas pelo SUS 20.363 unidades de marcapassos, uma queda de 4% na comparação com 2011. Não há uma política pública especial para o atendimento dos pacientes que precisam do equipamento. O SUS não prevê uma verba específica para o implante, que se encontra na categoria de “Alta Complexidade”, cuja classificação engloba outros procedimentos. Cabe a cada município e hospital administrarem o valor encaminhado pelo governo federal, o que limita que os pacientes tenham acesso a estes dispositivos. Outro fator é o número reduzido de médicos especializados na área: esta é uma área carente de profissionais.

O valor médio do implante de um dispositivo corresponde ao custo de quatro dias de UTI na rede pública, segundo dados do Ministério Público de Contas do Distrito Federal. Se relacionarmos o custo do marcapasso com os anos que ele pode durar, o custo diário fica mais barato que uma aspirina. A taxa de implante de marcapasso no Brasil é de quatro a cinco vezes mais baixa do que em outros países, inclusive quando comparado com os países latinoamericanos.

“Pela ética e compromisso da Biotronik com o mercado brasileiro, não poderíamos deixar também de oferecer aos pacientes do SUS um produto com tais benefícios, que possibilita diagnóstico fundamental para disciplinas como Oncologia, Ortopedia e Neurologia, principalmente”, afirma o diretor geral da Biotronik no Brasil, Daniel Santos.

Biotronik-Uma das líderes de dispositivos médicos cardiovasculares, a Biotronik está presente em mais de 100 países. Desde o desenvolvimento do primeiro marcapasso em 1963, lançou vários produtos inovadores no mercado - incluindo o sistema de monitoramento remoto Home Monitoring® em 2000 e o primeiro cadioversor-desfibrilador implantável para insuficiência cardíaca com tecnologia ProMRI®, aprovada para exames de ressonância magnética em 2012. Este ano a BIOTRONIK está celebrando mundialmente seu 50º aniversário

sábado, 19 de janeiro de 2013

O remédio genérico virou doença para os laboratórios


Os genéricos eram a salvação dos laboratórios brasileiros e das multinacionais que cresciam no país. Mas o que era solução passou a ser um baita problema

São Paulo - A vida melhorou para muita gente depois que caiu a patente sobre o citrato de sildenafila — o princípio ativo do Viagra, remédio para disfunção erétil lançado pelo laboratório americano Pfizer em 1998. Em questão de dias, o remédio ficou muito mais barato. Em julho de 2010, a uma semana de perder a exclusividade, a Pfizer cortou seu preço de 30 para 15 reais por comprimido.

Em seguida, os primeiros genéricos chegaram ao mercado a 10 reais, e o preço não parou mais de cair. Desde então, as vendas do citrato de sildenafila saltaram do patamar de 2 milhões para 30 milhões de unidades anuais em 2012 — o equivalente a meio bilhão de reais, segundo levantamento da consultoria IMS Health.

Com a concorrência de cinco laboratórios de genéricos nesse mercado, além dos outros quatro que já produziam medicamentos semelhantes, o cenário está uma maravilha para quem precisa de um Viagra de vez em quando. Hoje, o comprimido chega a ser vendido às drogarias por menos de 1 real e ao consumidor final por 4 reais. Para quem fabrica, no entanto, o excesso de competição criou uma nova realidade — as margens são tão baixas que é impossível, hoje, ganhar dinheiro produzindo o genérico do Viagra.

O que aconteceu após a queda da patente do Viagra de certa forma sintetiza o momento vivido pelo mercado de genéricos nos últimos anos. Criados em 1999, como uma política para aumentar a oferta de medicamentos baratos à população, os genéricos foram os grandes responsáveis por impulsionar a indústria farmacêutica nacional.
Com as patentes liberadas, os laboratórios brasileiros passaram a ter produtos competitivos, o que permitiu ampliar fábricas, dominar os canais de distribuição e vender para uma classe média com mais dinheiro no bolso. De coadjuvantes, tornaram-se protagonistas — e o maior alvo do interesse de multinacionais. Em 2009, a francesa Sanofi comprou a paulista Medley, então líder do mercado de genéricos, por 1,5 bilhão de reais.

No ano seguinte, a Pfizer adquiriu a goiana Teuto, e a brasileira Hypermarcas comprou a Mantecorp por 2,5 bilhões de reais. Os genéricos eram o remédio para impulsionar as vendas e, no caso das múltis, driblar as adversidades que se anunciavam com a queda das patentes de medicamentos como o Viagra e o anticolesterol Lípitor, o remédio mais vendido no mundo. O resultado foi um aumento brutal da concorrência — qualquer uma das cinco moléculas de genérico mais vendidas hoje tem pelo menos cinco concorrentes idênticos.

As vendas, é verdade, dispararam. Mas os preços foram ao chão. "O modelo de negócios dos genéricos no Brasil está muito próximo do limite do que é sustentável", afirma Douglas Woods, especialista em indústria farmacêutica da consultoria Boston Consulting Group. 

Como o vento contrário pega primeiro quem puxa o comboio, a líder Medley tem sido especialmente atingida. O ano de 2012 foi péssimo para a empresa, que trocou de presidente em outubro. Segundo executivos do setor, o que atinge a Medley é o clássico problema do líder que tenta manter seu posto a qualquer preço. Assim como as concorrentes, a Medley é obrigada por lei a dar nos medicamentos genéricos um desconto de 35% em relação ao produto de marca.

Na guerra de preços, no entanto, não é raro esses cortes chegarem ao dobro disso. Para continuar líder, a Medley passou nos últimos anos muito além desse limite, dando descontos de 85% ou 90% para as grandes farmácias. Consequentemente, sobrou pouco espaço para o lucro — que não é divulgado. Estima-se que a margem operacional tenha caído à metade nos últimos três anos. Em maio do ano passado, a Sanofi decidiu agir para reverter a queda.

Segundo executivos de drogarias e distribuidoras, as principais medidas foram a determinação de um teto de desconto de 75% e a análise das condições de venda caso a caso, em vez de aplicar um mesmo desconto a todo o portfólio, como chegou a ocorrer no passado. Em junho, o diretor comercial, Milton Spinelli, foi substituído. Em outubro, o presidente, Decio Decaro, deixou a empresa e o cargo foi ocupado interinamente pelo vice-presidente da Sanofi na América Latina, Heraldo Marchezini.

As mudanças comerciais causaram uma crise na relação com o varejo — que estava, obviamente, adorando a guerra de preços entre as farmacêuticas. Grandes redes, como Raia Drogasil e Drogaria São Paulo Pacheco, que concentram 75% das vendas da Medley, não aceitaram a nova política comercial, e a empresa foi obrigada a voltar atrás.

No pequeno varejo, a queda nos descontos acabou fazendo com que os produtos fossem simplesmente trocados por medicamentos semelhantes da concorrência. Assim, a participação de mercado da Medley em genéricos caiu de 31% para 26% nos 12 meses até novembro — a maior queda do mercado. "Em 2012, priorizamos a rentabilidade, enquanto alguns concorrentes se tornaram mais agressivos", afirma Valdomiro Rodrigues, novo diretor comercial da Medley.

Crescimento menor
Como sair dessa armadilha? Rodrigues diz que a Medley pretende ampliar as vendas em mercados menos concorridos que São Paulo e Rio de Janeiro. No ano passado, ampliou de três para 15 as parcerias com distribuidores das re­giões Centro-Oeste e Norte. Em fevereiro, o executivo Wilson Borges, que está de saída do comando da operação local da farmacêutica italiana Zambon, assumirá a Medley. Será o terceiro presidente desde a aquisição pelos franceses.

Para a Sanofi, a urgência para reverter a situação no Brasil é grande. Em 2012, a empresa perdeu a patente de três campeões de vendas nos Estados Unidos, entre eles o anticoagulante Plavix, até então o segundo medicamento  mais vendido no mundo. "A companhia dependerá ainda mais das operações nos mercados emergentes", afirma Mark­ Dainty, chefe da equipe de análise de mercado farmacêutico do Citi na Inglaterra.
Como mostra a queda de participação de mercado no ano passado, a Medley está pagando o preço de ter sido a primeira a fazer os cortes nos descontos. A questão é: até quando os concorrentes vão aguentar do jeito que estão? Além de ter se tornado viciado em descontos de quase 90%, o mercado de genéricos já não cresce tanto quanto no passado recente. No terceiro trimestre de 2012, a expansão nas vendas foi de 16%, a menor desde a crise de 2008.

Vale lembrar que as estatísticas oficiais do setor consideram as vendas pelo preço de tabela, ou seja, sem incluir na conta os descontos. O número real, portanto, é muito menor. Para complicar um pouco mais as coisas,  os custos continuam aumentando. Segundo levantamento do sindicato das indústrias, o aumento dos custos de mão de obra do setor foi duas vezes maior que a inflação nos últimos cinco anos e deve seguir essa tendência no futuro. Como reverter essa situação? É um remédio que as farmacêuticas estão procurando, mas ainda não acharam. 


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Participação estrangeira supera a brasileira e número de fusões e aquisições bate recorde no 1° semestre de 2012, aponta KPMG

Setor de TI mais uma vez se destacou entre os com maior número de transações

O crescimento significativo da participação de estrangeiros em fusões e aquisições de empresas brasileiras contribuiu para que o 1° semestre de 2012 alcançasse um novo recorde no número de operações deste tipo. De acordo com a Pesquisa de Fusões e Aquisições da KPMG, divulgada trimestralmente, os seis primeiros meses do ano somaram 433 operações, 54 a mais que o resultado de igual período em 2011, com 379 transações, uma variação de 14,2%.

Do total de operações feitas especificamente no Brasil, 225 envolveram empresas estrangeiras na ponta compradora, incluindo operações CB1 e CB4 (veja legenda logo abaixo), enquanto que os brasileiros somaram 183 negócios, sendo 166 domésticos e 17 do tipo CB3.

"O apetite dos estrangeiros comprando empresas no Brasil foi maior do que o dos próprios brasileiros neste primeiro semestre, situação que nunca havíamos visto até então. Esse movimento ganhou força no segundo trimestre do ano, com 126 transações, contra 99 dos três primeiros meses de 2012. Já em relação às operações de brasileiros houve estabilidade, com 90 negócios mais recentes, contra 93 no primeiro trimestre", afirma Luis Motta, sócio da área de Fusões e Aquisições da KPMG no Brasil e responsável pela pesquisa. "Trata-se de uma tendência de fortalecimento da presença estrangeira no Brasil que já vínhamos destacando há algum tempo, e que se consolida agora em 2012", acrescenta.

É interessante notar que a participação estrangeira ganhou força inclusive em setores em que a presença brasileira foi tradicionalmente majoritária, como é o caso do ramo de Tecnologia da Informação (TI). Dos 50 negócios deste segmento, 31 envolveram empresas estrangeiras na ponta compradora.

Outros segmentos que tiveram destaque nesta análise foram os de Alimentos, Bebidas e Fumo; Empresas Prestadoras de Serviços; Agências de Publicidade; Mídia e Telecomunicações; Química e Petroquímica; Farmacêutico; Empresas de Internet; e Equipamentos Eletrônicos.

TI lidera novamente

Liderando o ranking desde 2008 em todas as edições trimestrais, TI mais uma vez é o primeiro setor no ranking de operações da pesquisa, com 50 negócios. Logo a seguir vêm: Empresas Prestadores de Serviços, com 32 transações; e Empresas de Internet, com 28. Alimentos, Bebidas e Fumo surgem na quarta posição (25); seguido por Mídia e Telecomunicações (21); Empresas de Energia (20); e Companhias Químicas e Farmacêuticas, Shopping Centers e Empresas Imobiliárias (com 17 negócios cada).

EUA são destaques entre estrangeiros

Os Estados Unidos surgem disparados como principal país de origem das empresas estrangeiras que participaram de fusões e aquisições com empresas brasileiras neste primeiro semestre do ano, totalizando 104 transações. A seguir, mas bem distantes, vêm Reino Unido (com 18 negócios), Alemanha (17), França (14), Canadá (11), Espanha e Japão (ambos com 10).

A atual edição da Pesquisa de Fusões e Aquisições da KPMG no Brasil considera as operações de fusões e aquisições anunciadas e concluídas entre 1° de janeiro e 30 de junho de 2012. O levantamento é realizado sistematicamente desde 1994.

sábado, 30 de junho de 2012

Farmacêuticos e indústria divergem sobre volta da venda de remédios isentos de receita

Estudo mostra que a venda atrás do balcão reduz o poder de escolha do cliente
A audiência pública que debateu ontem (28) a volta da venda de remédios que não exigem receita médica, ao alcance do consumidor, dividiu opiniões da indústria de medicamentos e farmacêuticos.

Desde 2010, farmácias e drogarias são obrigadas a vender medicamentos isentos de prescrição médica somente atrás do balcão. Com isso, os remédios deixaram de ficar expostos em gôndolas e prateleiras de livre acesso ao consumidor.

Agora, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) coloca em discussão o fim da obrigatoriedade, depois de um estudo mostrar que a venda atrás do balcão reduz o poder de escolha do cliente na hora de comprar esses medicamentos, entre eles, antigripais e analgésicos.

Os farmacêuticos defendem a manutenção da regra. Para os profissionais, o acesso livre a remédios aumenta o risco de automedicação e de intoxicações, pois a maioria das pessoas desconhece os efeitos colaterais à saúde e reações adversas causadas pelos medicamentos isentos de prescrição médica.

“É um retrocesso. Não pode vender no supermercado, mas pode vender na farmácia sem orientação?”, perguntou em tom de queixa o presidente do CFF (Conselho Federal de Farmácia), Walter Jorge João, ao relembrar veto da presidenta Dilma Rousseff ao comércio de remédios nas prateleiras dos supermercados.

Na avaliação dos fabricantes de remédios, o brasileiro é informado o bastante para comprar medicamento sem a ajuda do balconista ou farmacêutico. Na maioria dos casos, o cliente teve orientação profissional antes de levar o produto para casa, disse Aurélio Saez, representante da Abimip (Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição).

— Em 90% das compras de medicamentos isentos de prescrição médica nas farmácias, o consumidor já sabe o que levar porque já tinha ido à drogaria antes. Ele [consumidor] consegue ter autonomia para comprar.

Técnicos da Anvisa argumentam que a influência do balconista e do atendente na decisão do consumidor dobrou após a norma entrar em vigor. A venda de remédios livres de receita indicados por um funcionário da drogaria passou de 4,6%, em 2007, para 9,3%, em 2010, conforme estudo da consultoria privada IMS Health, que avalia o mercado farmacêutico.

Segundo Dirceu Barbano, diretor-presidente da Anvisa, o consumidor tem encontrado dificuldade, por exemplo, em comparar preços dos produtos atrás do balcão.

— Essa medida [venda do remédio atrás do balcão] pode ter gerado mais distorções do que benefícios para quem compra. Não é o consumidor que tem escolhido se quer o remédio do laboratório A, B ou C.

Na época em que norma foi aprovada, um dos argumentos da Vigilância Sanitária era coibir os casos de intoxicação. Os remédios de venda livre, no entanto, respondem por apenas 4% dos casos de intoxicação medicamentosa no país, conforme dados da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) citados por Barbano

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Indústria brasileira atinge ápice da desigualdade



Alguns setores estão um terço menores que em 2008, enquanto outros têm forte expansão

RIO — A indústria brasileira nunca esteve tão desigual como nesta crise que o setor enfrenta. Após um ano pífio, em que cresceu menos de 1% e novamente abaixo de toda a economia, funcionando como uma âncora que impediu um crescimento maior do Produto Interno Bruto (PIB), o setor está produzindo 3,2% a menos que em setembro de 2008, antes da crise do Lehman Brothers e espécie de ápice do segmento no Brasil. Mas nem toda a indústria está tão mal. Alguns setores como a fabricação de material eletrônico e equipamentos de comunicações encolheram impressionantes 36% nestes 38 meses — ou seja, está um terço menor que em setembro de 2008 — e outros três registram queda na casa dos 20% (têxtil, calçados e artigos de couro e máquinas, equipamentos e material elétrico). Mas outros segmentos crescem fortemente, como bebidas (21,50%), equipamentos médico-hospitalares (11,73%) e perfumaria, higiene e limpeza (10,56%).
André Macedo, gerente da Pesquisa Mensal da Indústria do IBGE, afirma que estes números mostram que o segmento está vivendo um momento muito desigual:
— Em geral estão em melhor condições os segmentos que são mais protegidos da importação e que se beneficiam do aumento da renda e do consumo interno, além dos que investiram mais em inovação — conta.
Flávio Castelo Branco, economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI), afirma que essa heterogeneidade entre os setores industriais é uma realidade que pode até piorar:
— O setor vive um dispersão muito grande de setores e isso pode se intensificar em 2012.
Ele lembra que, enquanto a crise atinge mais os setores mais tradicionais da indústria brasileira, o crescimento está concentrado em segmentos voltados para o mercado interno e com baixa possibilidade de importação em grande escala, como bebidas, e em segmentos altamente inovadores, como a indústria de cosmético e perfumaria e fármacos. Para ele, o governo não enfrenta os verdadeiros motivos da redução da competitividade brasileira e mesmo medidas paleativas, como as presente no programa Brasil Maior, em sua opinão, demoram para sair do papel.
Indústria de cosméticos do Brasil já é a segunda maior do mundo
Mas se os altos custos, a invasão de importados e os problemas de infraestrutura afetam todo o país, porque alguns setores industriais conseguiram se sair tão bem? A inovação pode ser uma resposta.
— Em 2011 devemos ter superado o Japão e nos tornado o segundo maior mercado mundial de produtos de higiene e cosméticos, perdendo apenas para os Estados Unidos, que devemos superar em 2015 — afirmou João Carlos Basilio, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec).
Produtos novos representam 35% das vendas
Além do crescimento do consumo impulsionado pela expansão da renda, a inovação é uma das molas do setor.
— Cerca de 35% do faturamento das empresas decorrem de produtos lançados um ano antes — afirmou Basilio, que lembra que as inovações não param, como na linha de desodorantes -- agora sim há produtos diferenciados para homens e mulheres, com outras características como produtos com outros adicionais, como a facilidade para eliminação de pelos das axilas -- e uma variedade incrível de shampoos.
Essa é a realidade, por exemplo, da Niely, fabricante de produtos de beleza de Nova Iguaçu. A empresa há alguns anos desbancou multinacionais no mercado de coloração e não para de investir para manter sua participação e crescer.
— O investimento em pesquisa e lançamentos de produto tem um custo alto. Porém, este investimento tem mais importância do que o investimento em mídia e celebridade — afirma Daniel de Jesus, presidente da empresa que deve faturar R$ 600 milhões neste ano e que está investindo R$ 50 milhões em uma nova fábrica.
Nesta busca por diferencial, o produto nacional pode ser um importante chamariz:
— Exportamos ativos para grandes empresas no exterior e, só agora, o consumidor e o empresário brasileiro começa a dar valor para produtos nacionais e orgânicos. Alguns destes porudtos podem até ser um pouco mais caros, mas trazem um valor agregado altíssimo, que faz a diferença no setor — afirma Filipe Sabará, diretor de negócios da Beraca, empresa líder no fornecimento de ingredientes naturais e orgânicos da biodiversidade brasileira.
Gabriela Onofre, diretora de Assuntos Corporativos da P&G Brasil, responsável por marcas como Pantene, confirma que o Brasil cresce de importância e que a inovação é a chave para o sucesso:
— A busca por produtos novos é constante, precisamos atender esse desejo do conumidor.
Farmacêutica inovadora conquista os EUA
O mesmo ocorre em outro setor que vive um bom momento: o farmacêutico. A Hebron Farmacêutica, empresa de Caruaru que agora começa a produzir nos Estados Unidos, cresceu com os investimentos em inovação em fitoterápicos (medicamentos à base de plantas)
“Dedicamos 5% do faturamento bruto da empresa e nossa meta em 5 anos é chegar a 15%", informou por e-mail a empresa, que espera faturar R$ 200 milhões até 2014.
Júlio Sérgio Gomes de Almeida, diretor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), e ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda, afirma que o sucesso de alguns setores, como bebidas, decorre da impossibilidade de se importar grandes quantidades para abastecer este segmento:
— O consumo cresce e as importações de cerveja, também, porém nunca será em escala suficiente a abastecer todo o mercado local — disse.
Ele lembra que essa é uma das explicações para a diferença dos setores: alguns estão mais protegidos dos altos custos.
— O alto custo para se produzir no Brasil é o grande problema, ele é elevado na tributação, infraestrutura, salários. O Brasil não pode ter custos maiores que grandes nações desenvolvidas — disse, lembrando que — Isso também está presente no agronegócio, na mineração e nos serviços, mas lá o impacto é disfarçado pelos altos preços internacionais das commodities e pela impossibilidade de se importar grande parte dos serviços.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior não atendeu aos pedidos da reportagem.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Governo pretende discutir a redução do ICMS com os Estados

Da Redação
O governo quer discutir com os Estados a redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado sobre alimentos, remédios, combustíveis, energia e telecomunicações. A informação foi dada pelo secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, que esteve recentemente na Câmara dos Deputados para discutir a reforma tributária. Ele disse que os secretários estaduais de Fazenda já fazem estudos sobre a tributação de alimentos, que difere muito de uma unidade da Federação para outra. "Vamos fazer um amplo mapa e construir uma proposta."

Também está no radar do governo a redução do ICMS sobre combustíveis, energia e telefonia. A alta incidência do tributo estadual é apontada como uma das causas do elevado custo desses insumos no País. O secretário reconheceu, porém, que essa é uma discussão difícil, pois a arrecadação estadual está concentrada neles. Barbosa apresentou aos deputados a primeira "fatia" da proposta de reforma tributária do governo, cujo objetivo geral não é reduzir a carga tributária, e sim simplificar o sistema. Trata-se de uma medida para acabar com a prática de alguns Estados de reduzir fortemente a tributação sobre mercadorias vindas do exterior, com o intuito de movimentar seus portos.

Mudando a tática que condenou a reforma tributária ao impasse nos últimos 20 anos, o governo começou desta vez apresentando uma proposta pontual, e não ampla, ao Senado - e não à Câmara. Cabe aos senadores definir a alíquota mínima e máxima do ICMS nas transações em que uma mercadoria sai de um Estado e é consumida em outro. Hoje, essa alíquota é de 12% na maioria dos casos. Assim, se um produto é taxado a 18%, por exemplo, os primeiros 12% ficam no Estado de origem do produto e os 6% restantes, onde ele for consumido.

O que alguns governadores fazem é reduzir esses 12% para 3% ou 4%, no caso dos importados. Essa redução é feita na forma da concessão de um crédito tributário, de alongamento de prazo no recolhimento do imposto ou na forma de financiamento. O governo propôs reduzir os 12% para 2%, no prazo de três anos. Assim, os benefícios oferecidos pelos Estados deixam de ser atraentes.

Os Estados, porém, tendem a defender a alíquota em 4%, o que não é rejeitado de antemão pelo Executivo. Paralelamente, o governo ofereceria alguma compensação aos Estados mais dependentes da atividade portuária. "A proposta foi bem recebida no Confaz", disse Barbosa, referindo-se ao Conselho de Política Fazendária, que reúne os secretários estaduais de Fazenda. Ele disse que esse fato lhe dá confiança de que a reforma tributária agora tem mais chances de avançar. A mesma avaliação é feita pelo senador Delcídio Gomes (PT-MS), relator da proposta. A senadora Gleisi Hoffman (PT-PR) acredita que a votação dessa proposta é um primeiro teste para um novo modelo de discussão de reforma tributária.

O próximo item da pauta, disse Barbosa, é a desoneração da folha salarial. Ele disse que a ideia é reduzir a contribuição patronal ao INSS, hoje em 20%, e buscar as receitas necessárias para manter o sistema previdenciário em outra base de tributação. Ele não revelou que base seria essa. Informou apenas que há propostas para que o dinheiro saia do faturamento ou do valor agregado às mercadorias por uma empresa. A criação de uma nova contribuição sobre a movimentação financeira, sugerida pela Confederação Nacional dos Serviços, foi descartada.


Fonte: O Estado de S. Paulo
Fonte: http://www.febrafar.com.br/index.php?cat_id=5&pag_id=7471

segunda-feira, 21 de março de 2011

Fraldas descartáveis poderão ser um problema no futuro, mas há solução para preservar o meio-ambiente deste risco, basta querer.


Bebe Verde
Os dados variam de um site a outro, mas os números são sempre impressionantes.
As fraldas descartáveis já fazem parte da rotina de mães e bebês há muito tempo.
Inventadas lá por volta dos anos 40, na Suécia, foram uma resposta à escassez dos tecidos de algodão em virtude da Guerra.
Na mesma época, uma dona de casa americana reaproveitou os restos da cortina de plástico do box e cortou  uma capa para proteger a fralda dos vazamentos.
Juntaram-se os dois inventos e a fralda descartável nasceu.
Saudada com entusiasmos por mães ocupadas com coisas mais essenciais que tanque e sabão, invadiram o mercado rapidamente, nos países desenvolvidos.
No Brasil se popularizaram mais tarde, por conta da pouca oferta e dos preços altos.
Houve época em que se comprava fraldas no Paraguai, imaginem só!
Indiscutivelmente práticas, confortáveis para o bebê e muito cheirosinhas, as fraldas descartáveis são mais um grave problema de descarte nos lixões das cidades.
Não parece, mas os números confirmam o tamanho do impacto:
De acordo com o site BabySlings:
Uma criança usa aproximadamente 5.500 fraldas nos primeiros seus 2 anos de vida
É preciso abater 5 árvores para produzir 5.500 fraldas.
1 bilhão de árvores são abatidas, no mundo, para a produção de fraldas.
2% de todo lixo recolhido corresponde a fraldas.
Fraldas levam 450 anos para se decompor.
Só esses dados já são suficientes para se ponderar a respeito da  escolha por  fraldas descartáveis em vez das tradicionais, de pano, porém há ainda o risco de contaminação proveniente dos detritos de fezes humanas que escoarão pelo solo, já que poucos são os pais ou cuidadores de bebês que despejam os detritos no vaso sanitário antes de jogar a fralda fora.
Alguns ambientalistas alertam para o fato de que os detritos dos bebês carregam também resíduos de vacinas com vírus vivo, habituais na rotina de prevenção de doenças infantis.
Como a fralda é jogada no lixo doméstico ela vai parar no lixão mesmo.
Na Inglaterra a empresa Knowaste se especializou em reciclar fraldas infantis e de idosos e também os absorventes femininos. Segundo o site da empresa, ela é  pioneira em reciclagem desses produtos impedindo que sejam jogados nos lixões ou incinerados, o que também causaria graves danos ao ambiente. Os resíduos são transformados em plástico e em energia limpa.
No Brasil, enquanto a indústria não nos oferece algo do gênero, poderíamos, quem sabe, pensar em fraldas de pano em substituição, ao menos parcialmente, das descartáveis?
A esse respeito, vale a pena ler a colunaSalve Jorge da Ana Carolina Carvalho que, grávida do primeiro filho, vai reportando suas descobertas de artigos ecológicos para bebês.
Não é fácil, na vida atribulada que levamos, abrir mão da praticidade que todo o artigo descartável nos traz. Posso bem imaginar  a situação de famílias com 2 ou 3 crianças ainda na fase incontinente, em que mãe e pai trabalham fora. Pensar em gastar horas  e horas ocupando-se da limpeza e higienização das fraldas de pano parece loucura, porém, visto sob outro ângulo, estamos ou não preocupados com o planeta que vamos entregar aos nossos filhos?
Vamos seguir contribuindo para a contaminação dos lençóis freáticos, para o acumulo de plástico não degradável nos lixões, para aquela massa de algodão compactado que passará anos até ser decomposta?
A mesma geração de jovens mães que hoje em dia planeja seu parto de cócoras, na água ou em casa, com parteira, deve seguramente se colocar o problema. Há esperança de que essas futuras mamães já estejam dispostas a criar os seus bebês verdes em um mundo mais limpo.
Por Gianna Xavier
Mulheresnopoder Meio Ambiente: Toda sexta uma coluna dedicada ao tema.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Brasileiros lideram pesquisa de consumo de celulares e TVs HD. (Consultoria Accenture)

Nota de C&T: Vivemos ou não vivemos em um país de contradições? Temos mais de 14 milhões de brasileiros que não sabem escrever o nome, filas intermináveis para se conseguir fazer exames de fezes no serviço público entre outros exames mais simples, centenas de pessoas deitadas em macas nos corredores dos hospitais públicos e até privados aguardando um leito, uma população carcerária crescente formada na sua grande maioria por pessoas de origem pobre e baixo nível educacional, as drogas presentes em todos os municípios do Brasil, entre outras mazelas que recai sobre nossa sociedade sem piedade.
Este mesmo país lidera os mercados de telefones celulares, TVs de alta definição, câmeras digitais e netbooks entre muitos outros segmentos. A pesquisa abaixo nos mostra muito bem este paradoxo.

Consumidores brasileiros lideraram as compras de telefones celulares, TVs de alta definição, câmeras digitais e netbooks em um estudo da consultoria Accenture.
A empresa ouviu 8 mil consumidores em oito dos principais países emergentes e industrializados em 2010.
A pesquisa anual sobre produtos e serviços eletrônicos, que destaca o surgimento de "um novo paradigma de consumidores de tecnologia", chama atenção para a sede dos países emergentes por produtos eletrônicos, comparados aos mercados mais estáveis dos países ricos.
"Com economias mais estáveis e riqueza crescente entre a classe média desses países, o apetite dos consumidores por tecnologia, especialmente móvel, é insaciável (nesses países)", diz o estudo.
Em contraste, nos países industrializados não apenas os mercados são mais maduros, como o efeito da crise econômica é sentido mais fortemente, o que reduz a disposição para gastos neste segmento.
A consultoria ouviu consumidores nos Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Brasil, Rússia, Índia e China. Segundo relatório da Accenture, os grupos de entrevistados no Brasil, na Índia, China e Rússia são representativos das populações urbanas e semi-urbanas desses países.
Cerca de 55% dos brasileiros ouvidos disseram ter comprado um telefone celular no ano passado. A Índia vem em segundo lugar com cerca de 50% dos entrevistados respondendo positivamente, deixando o grupo da Rússia em terceiro com apenas 40%. Os entrevistados americanos aparecem apenas em 6º lugar na lista, com cerca de 20% dizendo ter adquirido um telefone celular em 2010.
Quase 30% dos entrevistados brasileiros afirmaram ter adquirido uma TV de alta definição – mesma proporção de consumidores que compraram uma câmera digital. Os percentuais verificados na China são 28 (TVs HD) e 22 (câmera digital). O Japão ocupa a quarta e última posição, respectivamente.
Os brasileiros já são os que mais detêm telefones celulares, aparelhos de DVD, TVs normais e netbooks, de acordo com a pesquisa.
O computador e o laptop foram considerados pelos pesquisadores como "os gigantes silenciosos" entre os produtos eletrônicos. "Todo mundo tem um", escreveram os autores do estudo.
Cerca de 93% dos entrevistados em todos os países disseram possuir um computador. No Brasil, 35% dos entrevistados disseram ter comprado um PC no ano passado, proporção semelhante a da Índia, mas pouco atrás da China.
Os chineses lideraram disparado as compras de Smartphone (quase 40% compraram um aparelho no ano passado, comparado com menos de 20% dos brasileiros).
Queimando etapas
Smartphones e outros gagdets
podem deixar para trás os computadores
O estudo sugeriu que os mercados emergentes estão queimando etapas na aquisição de produtos eletrônicos, em comparação com a trajetória percorrida pelos mercados mais saturados dos países industrializados.
"Contrariando as percepções equivocadas mais comuns, um grande segmento de consumidores nos Bric está mais interessado nas tecnologias mais novas e inovadoras que em tecnologias mais baratas com menos funcionalidades", observou a pesquisa.
"As tendências indicam que algumas das novas tecnologias podem estar tornando outras obsoletas mais rapidamente."
Um exemplo é o computador, cujas taxas de crescimento nas vendas tendem a cair nos próximos anos, ao passo que a demanda por tablet PCs deve crescer 160%.
O estudo chega a questionar se, no futuro, um novo grupo de poucas e seletas tecnologias – computadores tablet, netbook, smartphone e leitores e-books – será capaz de deixar para trás o computador e outros equipamentos eletrônicos.
Para o ano de 2011, de acordo com a pesquisa, os produtos que lideram a preferência dos consumidores incluem as TVs de alta definição, computadores e smartphones.
Entretanto, o estudo percebe uma diferença "marcante" entre os mercados emergentes e industrializados. Enquanto 40% dos respondentes da pesquisa nos países ricos disseram não ter intenção de comprar eletrônicos em 2011, nos países Bric esse índice foi de apenas 9%.