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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O farmacêutico brasileiro no século XX


O que se escuta é que no geral o trabalho de varejo não é tão reconhecido; as indústrias cobram especializações e cursos de pós-graduação; os hospitais e clinicas são disputados... Enfim, todos querem um profissional que já tenha experiência, que fale outras línguas, que domine conhecimentos mercadológicos, que sejam lideres, pro ativos, e por uma aí segue uma lista interminável de exigências, impostas pelo mercado de trabalho.

Por: Marcus Vinicius de Andrade

Mediante tal perspectiva, existem dois tipos de reações dos profissionais farmacêuticos:

1º Há aqueles que ainda acreditavam ser a faculdade um sinônimo de "riqueza", que quando se depararam com as realidades, entram em "parafuso". Tudo o que consegue ver é a desvalorização profissional, a falta de reconhecimento por parte de empresários e consumidores, a falta de condições mínimas de trabalho e os baixos salários. Estes mesmos indivíduos não perdem tempo e também não economizam posts nas redes sociais para falar o que sentem e o que vêem. Anos depois você olha para este tipo de profissional e ele continua o mesmo: mal empregado ou às vezes, até mesmo, disponível no mercado de trabalho.

2º Existe, também, aqueles que em contato com a realidade ao invés de verem um problema, vêem um desafio. Estes, em sua maioria, mesmo antes de terminar a faculdade, já estão no mercado de trabalho, aprendendo como se faz na prática. Esse perfil de profissional não economiza em investimentos no conhecimento mercadológico, em cursos de línguas, em especializações e em oportunidades de crescimento profissional. Anos após formar-se na faculdade você olha para estes indivíduos e constata que eles são diretores, gerentes, pesquisadores e coordenadores de indústria – são empresários e empreendedores, profissionais bem sucedidos no mercado.

Pessoalmente já conheci muitos profissionais farmacêuticos com ambos perfis citados acima. Mas, nos últimos dias, lendo alguns depoimentos sobre a profissão farmacêutica em redes sociais, lembrei-me de um farmacêutico, empreendedor e empresário – que como muitos de sua geração – batalhou e foi em busca de seus sonhos...
Antes de conhecê-lo pessoalmente, em um treinamento sobre liderança, já ouvira falar muito sobre o empresário que fez uma das maiores redes de farmácia em Goiás e que, também, construiu uma indústria farmacêutica de sucesso no estado.

Historias de sucesso inspiraram líderes

Evandro Tokarski, natural do norte do Paraná, chegou a Goiás na companhia de 11 irmãos, atraídos pela chamada "Marcha para o Oeste". Desembarcou em Goiânia em 1974, disposto a concluir o segundo grau e ingressar na universidade. E, assim, fez. Estudou nos Colégios Lyceu, Colu e no Carlos Chagas, onde concluiu o segundo grau em 1976.

No ano seguinte, ingressou na Universidade Federal de Goiás, no curso de Farmácia. Na época, o Brasil vivia uma situação política completamente atípica e diferente de hoje. Os militares governavam com mão de ferro o país. Os movimentos populares não tinham voz. A sociedade civil estava silenciada. Toda espécie de manifestação contrária ao Regime Militar era rechaçada com violência.

Foi nesse ambiente asfixiante que Evandro ingressou na Universidade. Ele tinha que optar entre ser um estudante alienado, alheio aos problemas do seu povo, ou ingressar no movimento estudantil –, que começava a ser reconstruído, com todos os riscos impostos pela repressão política. Ele não titubeou: escolheu o caminho da luta. Ombreou-se aos jovens contestadores que lutavam por liberdade, contra as injustiças sociais e por eleições livres e democráticas.

Evandro mal entrou na UFG, tornou-se liderança. Foi eleito secretário geral do Diretório Acadêmico das Ciências Biológicas. Ajudou a reconstruir o primeiro Centro Acadêmico da Universidade, que foi denominada CA Prof. Marinho Lino de Araújo. Foi, também, o primeiro presidente desta entidade, no ano de 1978.

Ainda no movimento estudantil, participou em Ouro Preto do 1º Encontro dos Estudantes de Farmácia, também em 1978. Liderou greves pela preservação do Curso de Farmácia até o ano de 1979. Fez parte ativa da criação do Diretório Central dos Estudantes. Ainda em 1979, participou da recriação da União Nacional dos Estudantes (UNE), que aconteceu em Salvador (BA). Foi presidente da Comissão de Formatura da turma de Farmácia. Colou grau em 1980.

Nesse mesmo ano, fez estágio na Farmacotécnica, farmácia do irmão Rogério, em Brasília. Também em 1980, estagiou na farmácia do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Em 10 de maio de 1981, portanto, há 31 anos, fundou com o apoio do irmão Rogério, a Farmácia Artesanal. Quando surgiu, tinha um único colaborador. A empresa gera hoje 300 empregos diretos e mais de 1000 indiretos.

No ano de 1984 em que milhões de brasileiros saíram às ruas para exigir Eleições Diretas para Presidente da República, lá estava Evandro novamente empunhando esta bandeira. É quando começa a vislumbrar uma nova seara de atuação: a atividade sindical. É assim que, em 1985, foi fundador e presidente da Anfarmago – Associação dos Farmacêuticos Magistrais do Estado de Goiás.

Em 1987, assumiu a presidência da Associação dos Deficientes Físicos de Goiás. Como havia contraído paralisia infantil aos 08 meses de idade por falta da vacina que ainda não existia, fazia questão de participar de diversos encontros nacionais pela inserção e direitos dos portadores de necessidades especiais.

Já em 1999, criou com o irmão Rogério, a indústria de medicamentos TKS. Naquele mesmo ano fez pós-graduação em Gestão Empresarial. Elegeu-se, em 2001, presidente da Anfarmag, entidade nacional dos farmacêuticos magistrais que congrega mais de 5 mil associados. Conquistou, também em 2001, o título de especialista em Farmácia Magistral Alopática emitido pelo Conselho Federal de Farmácia e pela Anfarmag...

Quando olho para a história de Evandro Tokarski me pergunto, quantos farmacêuticos como ele, existem hoje no Brasil? Quantos farmacêuticos estão dispostos a olhar para o mercado, para os problemas da profissão e encarar tudo como um desafio, como uma oportunidade de crescimento? Por que mesmo diante deste e de vários outros exemplos de farmacêuticos bem sucedidos, ainda existem aqueles que insistem em viver uma vida profissional de derrotas, culpando o país, a classe profissional e a sociedade?

Também não sei as respostas para minhas perguntas. O que sei é que não haverá nunca uma "profissão perfeita" em nenhum campo profissional do mercado. E na farmácia não será diferente. O sucesso de uma carreira profissional está nas mãos e no desejo de realização de cada um.

Olhando para a história de Evandro, aprendo que decidir tirar o "melhor" de qualquer experiência que o mercado farmacêutico nos apresente é, também, uma escolha pelo crescimento e pela prosperidade. Acredito que podemos ser a mudança, fazer a diferença compartilhando a paixão que temos com a profissão farmacêutica no Brasil.

* Marcus Vinicius de Andrade: Empresário e Administrador de Empresas. É fundador e diretor executivo do ICTQ – Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade – www.ictq.com.br

terça-feira, 28 de agosto de 2012

CFF propõe união de entidades farmacêuticas nas Américas e pede o apoio da FIP

Data: 23/08/2012

O futuro da profissão farmacêutica foi o tema que norteou os debates da Assembleia Geral dos Países membros do Foro Farmacéutico de las Americas (FFA), realizada no dia 15 de agosto. O evento atraiu a Cartagena, na Colômbia, as principais autoridades farmacêuticas das Américas do Sul e Central. Na oportunidade, o Presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF), Walter Jorge João, assegurou que a união é indispensável para enfrentar problemas comuns aos farmacêuticos dos países representados, além de salientar que o apoio da FIP (Federação Farmacêutica Internacional) é fundamental para o desencadeamento de ações concretas.

A mesma estratégia foi usada pelo Presidente do CFF, Walter Jorge João, no dia 16, durante as reuniões da Federação Farmacêutica Sul-americana (Fefas) e da Federação Pan-americana de Farmácia (Fepafar), eventos que antecederam o XV Congresso da Fefas, realizado nos dias 17 e 18 de agosto. “É preciso que as lideranças farmacêuticas se unam por objetivos práticos e não mais para apresentar os problemas específicos de cada país em debates que não avançam além dos portões das entidades representativas. Precisamos nos unir em prol de metas comuns, em busca de soluções práticas que cheguem efetivamente aos farmacêuticos que representamos”, afirmou.

Continente – diante da descrição de atividades e de exposição de problemas da Farmácia por representantes das Américas do Sul e Central, o Presidente do CFF propôs a união de forças dos países que integram a Fefas, Fepafar e FFA em prol do desenvolvimento da Farmácia em todo continente, e solicitou apoio da FIP, então representada pela Vice-Presidente, Carmen Peña Lopes. “É necessário que os líderes estejam mais envolvidos na busca de soluções para problemas comuns como a inserção do farmacêutico nas políticas públicas de saúde desses países e na luta para transformar a farmácia em estabelecimento de saúde prestador de serviços, e não, em simples comércio. Por mais unidos e fortes que estejamos, não podemos prescindir do apoio da FIP. É necessário que a Federação volte seus olhos para as Américas do Sul e Central e nos ajude, com ações concretas, na busca por soluções dos problemas quem envolvem os farmacêuticos”, afirmou o Presidente do CFF.

Durante a Assembleia do FFA, Walter Jorge João solicitou, ainda, que o CFF participe dos subgrupos de desenvolvimento profissional e educação farmacêutica, que integram o Foro (FFA), no que foi prontamente atendido. Participaram da Assembleia e das reuniões o assessor da presidência, Tarcísio José Palhano, e a assessora técnica, Josélia Frade.

Fefas e Fepafar – Walter Jorge João aproveitou o momento em que os principais líderes da profissão estavam reunidos em Cartagena, no dia 16 de agosto, para pedir o apoio dos representantes da Fefas, Fepafar e FIP contra a determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de disponibilizar os medicamentos isentos de prescrição (MIPs) fora dos balcões de farmácias e drogarias, ao alcance da população. Diante dos riscos que tal medida representa, todas as entidades apoiaram o CFF, e se comprometeram em oficializar o repúdio à RDC nº 41, de 27 de julho de 2012.

Com o objetivo de promover a participação ativa dos farmacêuticos brasileiros no debate sobre a profissão, no continente, o Presidente do CFF solicitou às entidades (Fefas e Fepafar) que o Brasil integre a Comissão Organizadora do XXI Congresso da Fepafar e do XVI Congresso da Fefas, que serão realizados em Salta, na Argentina, em outubro de 2013, eventos paralelos organizados pelas duas entidades. E durante a reunião da Fefas, Walter Jorge João solicitou, ainda, que CFF possa indicar membros para o Conselho Editorial da Revista Farmacia Sudamericana, publicação da Federação. Neste mesma reunião, as lideranças farmacêuticas dos países representados acataram a recomendação da FIP para comemorar, no dia 15 de setembro, o Dia Internacional do Farmacêutico.

Além das reuniões do FFA, Fefas e Fepafar, os assessores Josélia Frade e Tarcísio Palhano participaram, nos dias 17 e 18 de agosto, do XV Congresso da Fefas que integrou eventos como o VIII Congresso de Ciências Farmacêuticas e o XII Simpósio Colombiano de Ciência e Tecnologia Cosmética.

Brasil - Durante os debates sobre o futuro da Farmácia, o Presidente do CFF afirmou que, no Brasil, os farmacêuticos têm desafios proporcionais ao tamanho dos seus problemas. Insistiu em falar da qualificação e da busca de novos conhecimentos, que definiu como pilares para a construção de uma nova Farmácia para as Américas do Sul e Central.

Ao apresentar o panorama da Farmácia, no Brasil, Walter Jorge João destacou as ações do CFF junto à categoria, no sentido de promover o crescimento da profissão. Entre as conquistas mais recentes dos farmacêuticos brasileiros, o Presidente do CFF lembrou da primeira campanha nacional de valorização profissional realizada em pareceria com todos os Conselhos Regionais, usando a publicidade como ferramenta de comunicação; e do sucesso do CFF como líder no processo que culminou com o veto presidencial ao artigo 8º da Medida Provisória nº 549-B, que permitia a venda de MIPs em supermercados, armazéns e lojas de conveniência.

Líderes - Estiveram presentes nas reuniões, os diretores da Fefas - Grisel Fernández (Uruguai); Eduardo Savio (Uruguai); Olga Maciel Garelli (Paraguai) Carlos Eduardo Jerez (Colômbia); a Vice-Presidente da FIP e Presidente Conselho Geral de Farmácia da Espanha, Carmen Peña López; a Presidente da Associação Farmacêutica Dominicana, Luz Idalia Sosa de Jesus; a Presidente da Associação de Química e Farmácia do Uruguai, Virginia Olmos; o Presidente do Colégio Nacional de Farmácia e Química da Colômbia, Luis Guilhermo Restrepo, entre outros.

Fonte: CFF
Autor: Veruska Narikawa

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A importância da Farmácia - ciência praticada por profissionais formados em uma faculdade de farmácia (farmacêuticos).

Superdownloads comemora o Dia da Farmácia com jogos e programas sobre o tema


São Paulo, 19 de setembro de 2011 – Recentemente foi comemorado o Dia Oficial da Farmácia no Brasil. A profissão de farmacêutico é considerada uma das mais antigas, datada do século X. Nos primórdios, os trabalhos de médicos e farmacêuticos não se distinguiam e tinham como principal objetivo o tratamento e a cura (fosse por meio de medicamentos e instrumentos ou pelo atendimento no local). No século XVIII, com a propagação da lepra, o Rei Luís XIV expandiu o número de farmácias e, em 1777, seu sucessor, Luís XV, substitui o termo ”apoticário” por farmacêutico e separou as profissões.

O principal símbolo da farmácia, uma cobra enrolada em uma taça, vem da antiguidade grega, ilustrando o poder representado pelo animal, e a cura pela taça. No Brasil, as primeiras atividades farmacêuticas foram realizadas pelos Pajés e chefes de tribos indígenas, utilizando recursos naturais para a criação de medicamentos e chás. Em um segundo momento, essas atividades foram transferidas aos padres jesuítas, que instituíram as farmácias e boticas, subdividindo-se em grupos para tratamento de doentes e criação de remédios. Na época, José de Anchieta era um dos poucos responsáveis pelo preparo dos produtos.

As primeiras boticas abertas como comercio só foram permitidas em 1640 e o primeiro curso de farmácia surgiu em 1832, na universidade do Brasil, atual UFRJ, porém a profissão foi regulamentada somente em 1931. Por volta de 1960, cerca de 60% dos farmacêuticos tinham mais de 50 anos e, temendo que a profissão acabasse, foi criado o Conselho de Farmácia, órgão responsável pela fiscalização e disciplina farmacêutica. Com isso, novos profissionais foram atraídos pela atividade.

Em homenagem ao ramo farmacêutico e principalmente aos seus profissionais, o
Superdownloads (http://www.superdownloads.com.br/) separou programas para auxiliar em sua tarefa diária e jogo sobre o tema. Confira:

Automatize o gerenciamento de sua farmácia com o
AUTOSYS Farmácia (http://superd.com.br/19176). Contando com fluxo de caixa, boleto bancário, cupom fiscal e atualização automática dos preços dos medicamentos usando o guia da farmácia Unitex e ABCfarma.

Outra opção interessante para gerenciamento farmacêutico é o
Farmácias Manager-Gestão de Drogarias (http://superd.com.br/74785), que oferece opções de controle de caixa e estoque, código de barras, funções de segurança, entre muitas outras opções.

O
Estoque Plus+Edition (http://superd.com.br/44946) conta com um controle completo e funcional de seu estoque, com mais de 85 mil produtos cadastrados.

Precisando integrar seu programa de gerenciamento farmacêutico com o programa Farmácia Popular? Confira o
Autorizador Farmácia Popular (http://superd.com.br/41398), que permite a comunicação fácil e rápida do seu sistema com o DataSus do Governo.

Vida de balconista de farmácia não é fácil. Em
Generation RX (http://superd.com.br/J1750) seu objetivo é atender todos os clientes o mais rápido possível sem deixar ninguém esperando. E atenção para não entregar os remédios errados! A menos que queira ver a mensagem “Game Over”...
Sobre o Grupo SD
Com o início de suas atividades em 2011, o grupo detém as empresas Superdownloads e Comida e Receitas, que atualmente figuram entre os cinco sites de tecnologia e gastronomia mais acessados do país respectivamente. Em conjunto, os sites do grupo SD atraem público de todo o território brasileiro, e recebe mais de 15 milhões de visitantes únicos ao mês.

Acesse: www.superdownloads.com.br / www.comidaereceitas.com.br

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Setor Farmacêutico do Brasil

Nota C&T: É muito interessante para um país mesmo sendo grande, rico, com um futuro brilhante, mas com um povo pouco informado (carência de conhecimento de suas potencialidades), habituado a reclamar de tudo e fazer pouco para mudar, basta avaliar o respeito que a maioria dos brasileiros tem na hora de escolher seus representantes para o Congresso Nacional, refletir um pouco neste artigo abaixo, é maravilhoso (texto longo). O que o mundo vê no Brasil que a maioria do povo brasileiro não enxerga? Tenho orgulho de ser brasileiro, lamento que a maioria dos brasileiros não tenha este mesmo sentimento. Quando amamos alguém zelamos por este alguém. Quando entregamos os destinos da nação a pessoas sem compromisso, sem capacidade, sem respeito às crenças, a vida, as normas, entre outros valores, não podemos esperar muito coisa, mas mesmo assim este país continua forte e será uma grande potencia ainda nesta primeira metade do século corrente.

Setor farmacêutico do Brasil atrai laboratórios, mas ambiente político causa receios
Financial Times
Andrew Jack
Dilma Rousseff mal tinha sido confirmada como nova presidente do Brasil em novembro quando fez sua primeira visita ao exterior, a Moçambique. Ela incluiu uma parada simbólica em uma instalação farmacêutica em construção, com previsão de abertura em 2014.

A instalação produzirá vários medicamentos para um de seus principais parceiros africanos de língua portuguesa, marcando o poder ascendente e crescente alcance de seu patrocinador, o setor farmacêutico estatal do Brasil.

“Nós rompemos a visão tradicional de desenvolvimento de programas verticais de medicamentos doados, adotando uma nova abordagem que fortalece a capacidade local de saúde”, disse José Gomes Temporão, o ministro da Saúde de saída, ao retornar.

A nova fábrica em Moçambique também marca a crescente influência da Farmanguinhos, o laboratório farmacêutico estatal que faz parte do crescente “complexo industrial de saúde” de pesquisa e produção do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), no coração do setor doméstico de drogas e vacinas do Brasil.

A futura evolução do complexo estatal apresenta desafios para o sistema de saúde e para os laboratórios domésticos do Brasil, assim como para os laboratórios ocidentais cada vez mais ávidos em explorar o crescente setor de saúde do país, ao mesmo tempo em que navegam com cuidado por seu complexo ambiente político.

“O Brasil é um mercado muito atraente”, diz Rogério Ribeiro, vice-presidente sênior para a América Latina da GlaxoSmithKline, que fechou alianças estratégicas com a Fiocruz nos últimos meses, enquanto aumenta seus investimentos no país.

“No passado, nossa estratégia era centrada no produto –encontrar alguém que precisava de nosso produto”, ele diz. “Agora é o oposto. Trata-se de encontrar uma parceria com clientes para identificar o que querem.”

Assim como a sede de inspiração moura da Fiocruz, no Rio de Janeiro, é um lembrete da contribuição frequentemente ignorada do Islã para a ciência e cultura europeia, a organização está redescobrindo sua própria importância histórica para a saúde pública na América Latina.

O prédio é cada vez mais visitado por laboratórios farmacêuticos locais e internacionais, assim como por financiadores, como a Fundação Bill & Melinda Gates, que estão interessados no desenvolvimento e produção de baixo custo de produtos que salvam vidas.

Falando na biblioteca do prédio, Carlos Gadelha, vice-presidente de produção e inovação da Fiocruz, disse: “Há dez anos, as pessoas riam quando você falava em pesquisa e desenvolvimento aqui. (...) Agora o ambiente mudou”.

Na virada do século passado, Oswaldo Cruz, um médico, foi inicialmente vilificado por seu papel na introdução agressiva da vacinação contra a varíola no Brasil. Sua iniciativa provocou revoltas, até que o início de uma epidemia mostrou à população o benefício de suas medidas.

A fundação que leva seu nome –e instituições públicas como o Instituto Butantã em São Paulo– se tornou um centro importante para desenvolvimento e produção de soros antiofídicos e vacinas para outros males como tétano.

Mas a inovação diminuiu nas últimas décadas, à medida que mudanças políticas, desregulamentação e a descentralização do poder minaram o desenvolvimento e produção liderada pelo Estado no Brasil. “No final dos anos 70, quase todos os países, exceto o Brasil, encerraram a produção estatal”, diz o ministro, um ex-pesquisador da Fiocruz.

O problema veio com o compromisso do Brasil de criar o que ele chama de “o único país Bric com um sistema de saúde”, fornecendo pelo menos tratamento básico para a maioria de seus habitantes, e alguns serviços de alto nível como transplantes de órgãos e tratamento gratuito contra HIV.

Um resultado foi a escalada acentuada dos custos de produtos farmacêuticos importados, que provocou um déficit comercial e um impasse em 2007. O governo emitiu uma “licença compulsória” segundo as regras da Organização Mundial do Comércio para quebrar a patente da Merck do caro medicamento Efavirenz para tratamento antiaids, para que pudesse comprar equivalentes genéricos a preço reduzido.

Temporão reconhece que as posturas anteriores em relação à propriedade intelectual podem ter desencorajado a indústria farmacêutica, apesar de também expressar preocupação com o patenteamento espúrio e destacando que o Brasil introduzirá uma proteção mais dura a patentes após ingressar na Organização Mundial do Comércio.

Hoje, o sentimento mudou de novo. “Eu estive em Washington recentemente e me encontrei com a Merck”, ele disse. “Nós tivemos uma conversa completamente diferente, com uma proposta de compartilhamento de conhecimento e um acordo de transferência de tecnologia.”

De fato, a Fiocruz já fechou cerca de 20 parcerias público-privadas nos últimos anos, tanto com laboratórios domésticos como a Aché como com multinacionais como a Novartis, Sanofi-Aventis e GSK, que venceu uma licitação no ano passado contra a Pfizer pelo contrato para fornecimento de uma vacina contra doenças pneumocócicas. O que fechou o acordo com a GSK Synflorix aos olhos da Fiocruz não foi apenas o preço final com desconto, mas também a disposição da empresa de apoiar transferência de tecnologia, permitindo à Fiocruz no futuro produzir ela mesma o produto. A GSK também apoiou a pesquisa independente do instituto para combate à dengue.

Em troca, a GSK obteve um contrato garantido pelo tempo de vida de sua vacina, sem o risco de ser minada por alternativas genéricas de baixo custo. Assim como em outras parcerias, há restrições na capacidade da Fiocruz de comercializar o produto no mercado e fora de suas próprias fronteiras nacionais. “O mercado é a cenoura, a transferência de tecnologia é o porrete”, disse Gadelha, que acrescentou que a Fiocruz também fornece uma forma para “grandes companhias farmacêuticas aumentarem a legitimidade que precisam ao oferecerem uma oportunidade de apoio à saúde pública”.

As empresas ocidentais que atuam no Brasil se queixam de que direitos de propriedade intelectual ainda estão abertos a questionamento, como ilustrado pelo direito da Anvisa, o órgão regulador nacional de medicamentos, de rever direitos de patente, em uma medida que pode favorecer a produção local. Elas também podem olhar nervosamente para o crescente apetite do país em expandir seu alcance no exterior, como em Moçambique –apesar desse estar longe de ser um mercado farmacêutico lucrativo. Nos mercados de renda média, incluindo o restante da América Latina, as empresas estão ávidas em manter sua própria influência sobre preços e oferta.

Os produtores domésticos privados do Brasil se queixam de que essa abordagem estatal –incluindo a falta de processo de concorrência para os produtos da Fiocruz em contratos do governo– coloca em risco sua competitividade e sobrevivência.

Igualmente importante, a insistência do país em promover a produção farmacêutica doméstica pode fazer com que acabe pagando mais do que se importasse essas drogas e vacinas de fornecedores estrangeiros.

Reinaldo Guimarães, secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, disse: “Para drogas mais caras, nós entendemos que é um ativo econômico para o país dispor da tecnologia. Nós estamos dispostos a pagar um pouco mais para ter a capacidade de produzir”.

A pergunta agora é se, com a nomeação do novo governo da presidente Rousseff no início de 2011, o sentimento político e a política pública em relação ao complexo industrial de saúde poderá mudar.

Mas para a maioria das companhias farmacêuticas ocidentais, que têm aumentando suas atividades e em vários casos comprado parceiros locais, a continuidade das incertezas parece um preço que estão dispostas a pagar em troca de um maior acesso.

Tradução: George El Khouri Andolfato.