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sexta-feira, 20 de junho de 2014

Dois médicos, um DIM e uma farmacêutica em burla de meio milhão ao SNS

Nota de C&T: A corrupção e malandragem vem de longe, não é um privilégio do Brasil, certamente acontece algo parecido por aqui, certamente com mais facilidade, me refiro especificamente a farmácia popular. O governo tem pago uma conta alta para muitos movimentarem um mercado negro existente.

20/06/2014 - 08:03

(Portugal)...
A Polícia Judiciária (PJ) deteve quatro pessoas por burla ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), falsificação de receitas, corrupção e associação criminosa. Entre os detidos, em Lisboa e Trás-os-Montes, estão dois médicos, um delegado de informação médica e a proprietária de uma farmácia, avança o jornal Público.
Desde 2010 que alegadamente burlavam o Estado, adiantou fonte da PJ ao Público. A polícia contabilizou até agora 500 mil euros de prejuízo para o Estado, mas este deverá ascender a milhões de euros, de acordo com a mesma fonte.
Depois de inquiridos até ao início da noite desta quinta-feira no Tribunal Central de Instrução Criminal, um dos médicos ficou em prisão preventiva e o outro está proibido de se ausentar do país, assim como a farmacêutica e o delegado de informação médica. Estes, porém, estão também suspensos do exercício de funções.
Os suspeitos, detidos terça-feira, começaram a ser investigados em Julho do ano passado, no âmbito da operação da PJ Prescrição de Risco, outro caso semelhante. Nessa acção, os inspectores encontraram indícios que permitiram chegar a estas quatro pessoas entretanto detidas. Aliás, a farmácia da arguida agora visada fora alvo de buscas em 2013.
Nessa altura, a PJ deteve sete pessoas ligados ao sector da saúde, entre os quais o director técnico da farmácia situada no exterior do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Quatro dos detidos nesse processo aguardam julgamento em prisão preventiva, indiciados por burla qualificada ao SNS, associação criminosa e falsificação agravada de documentos.

Além da relação destes últimos arguidos com os detidos desse processo e do caso Remédio Santo, a investigação de agora foi também consequência de várias denúncias anónimas, nomeadamente de outros farmacêuticos. Também o Ministério da Saúde colaborou com a PJ enviando informação. A investigação vai continuar no sentido de detectar mais provas e documentação relevante.

Receitas falsificadas

Os médicos emitiam receituário falso com nomes de doentes que não tinham conhecimento da situação. O delegado de informação médica levantava depois os medicamentos, com comparticipação de 90%, na farmácia. E estes eram, entretanto, vendidos em circuitos paralelos do chamado mercado negro.

As detenções de terça-feira foram lideradas pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ no âmbito de um inquérito dirigido pelo Ministério Público sobre fraudes no SNS. A polícia realizou nove buscas domiciliárias e apreendeu diversa documentação, nomeadamente facturas e receitas falsas que irão servir de prova no processo. Foram ainda apreendidos telemóveis e computadores, além de outro tipo de material informático.

As buscas visaram casas usadas pelos suspeitos. Todos os arguidos prestaram esta quinta-feira declarações ao juiz, adiantou fonte judicial.

As detenções surgem numa altura em que chegou a tribunal o primeiro processo de burlas no SNS. No caso Remédio Santo, 18 arguidos estão acusados de pertencerem a uma rede que terá lesado o SNS em cerca de quatro milhões de euros.

O ministro da Saúde, Paulo Macedo, garantira já que estaria sempre atento às fraudes. Desde 2011 têm sido, por isso, várias as operações policias. No último balanço do Ministério da Saúde estimava-se que as fraudes ascendiam já a 229 milhões de euros.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Tomar Tamiflu® pode reduzir-lhe a gripe em meio dia, mais nada

11/04/2014 - 09:05
Menos meio dia com sintomas de gripe – de sete para 6,3 dias. É o melhor que pode esperar se for um adulto e tomar Tamiflu®, o mais conhecido dos dois medicamentos antivirais específicos para a gripe, que os governos de todo o mundo compraram em grandes quantidades em 2009, por causa do pânico da pandemia de gripe suína. Esta conclusão foi alcançada pela Colaboração Cochrane, uma rede internacional de profissionais de saúde e investigadores de 120 países que analisa e compara ensaios clínicos de forma independente. No caso do Tamiflu® (cuja designação não comercial é oseltamivir), produzido pela Roche, a publicação desta análise na revista médica British Medical Journal é o culminar de uma batalha de quatro anos para conseguir ter acesso a todos os dados originais e não apenas a resumos produzidos pela farmacêutica, que deixam de fora muitos pormenores importantes, avança o jornal Público.



Os autores da revisão Cochrane dizem ter encontrado muitas falhas nos estudos dos antivirais da gripe – que fazem parte de uma classe de drogas denominadas inibidores da neuraminidase – que não eram relatadas nos resumos em que se basearam as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) para que os governos fizessem stocks destas drogas.

Por exemplo, ficavam de fora dos resumos efeitos secundários, ou falhas na concepção dos ensaios clínicos – como o facto de o comprimido de placebo, um produto neutro que é dado como controlo para verificar a eficácia do medicamento, ter uma cor diferente do produto em teste. Ou então que nos estudos em que se mencionava a acção do oseltamivir em casos de pneumonia, confiava-se o diagnóstico da doença ao paciente; a infecção respiratória não era confirmada através de nenhum meio auxiliar de diagnóstico, sublinha a equipa liderada por Carl Heneghan, professor de Medicina na Universidade de Oxford, no Reino Unido.

O medicamento tem alguma eficácia ao encurtar a duração dos sintomas da gripe, nos adultos e nas crianças saudáveis, que sofrem menos cerca de 29 horas. Mas nas crianças que sofrem de asma, que são aquelas que necessitariam de maior alívio no sistema respiratório, o medicamento não tem efeito. Também não reduz o número de hospitalizações nem é eficaz a prevenir a transmissão do vírus da gripe, diz a equipa.

Por outro lado, o oseltamivir tem efeitos secundários que não são desprezíveis – náuseas, vómitos, dores de cabeça, problemas renais e também psiquiátricos. Ben Goldacre, investigador e divulgador de ciência que tem uma coluna no jornal The Guardian chamada Bad Science (má ciência), traduz percentagens para números absolutos para mostrar o quão frequentes serão esses efeitos secundários: “Se um milhão de pessoas tomar Tamiflu® numa pandemia, 45 mil vão vomitar, 31 mil vão ter dores de cabeça e 11 mil vão sofrer efeitos psiquiátricos. Mas isto é só para um milhão de pessoas. Fizemos stocks para 80% da população. São muitos vómitos.”

Estes medicamentos continuam na lista de medicamentos essenciais da OMS, mas a Colaboração Cochrane apela a que sejam de lá retirados. “O equilíbrio entre os benefícios e os prejuízos deve ser considerado quando se tomam decisões acerca do uso dos inibidores da neuramidase tanto para a profilaxia como para o tratamento da gripe.”

A Roche, cujas vendas de Tamiflu® em 2009 atingiram o valor de 3600 milhões de dólares (2592 milhões de euros), defende o seu medicamento: “Garantimos a qualidade e integridade dos nossos dados e as provas que demonstram que o Tamiflu® é eficaz para o tratamento e prevenção da gripe”, disse a farmacêutica em comunicado. No entanto, não responde em pormenor às críticas científicas.

Outros cientistas não estão também convencidos pela revisão da Cochrane. Enrica Alteri, responsável pela secção de avaliação de medicamentos da Agência Europeia do Medicamento, rejeita a ideia de que não estavam disponíveis todos os dados dos ensaios clínicos. Disse à Reuters que esta nova avaliação não fará a agência alterar a sua posição relativamente a estes antivirais.


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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Uso de medicamentos no Brasil (O brasileiro conhece muito pouco sobre o uso racional de medicamentos)

Seg, 18 de Novembro de 2013 10:54
Tassia Roch
Assistência farmacêutica precisa mudar

Os gastos com a saúde e principalmente com os medicamentos têm merecido atenção constante da sociedade. Ano após ano surgem novos medicamentos, que representam, muitas vezes, avanços nos cuidados das doenças das pessoas, mas trazem um custo cada vez mais elevado para todos. Ao mesmo tempo, uma grande parte da população brasileira não tem acesso aos medicamentos mais simples e mais baratos que poderiam diminuir o custo das internações hospitalares, os outros gastos com saúde e aumentar a expectativa de vida das pessoas.

Foi pensando nisso que o Ministério da Saúde está realizando a Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de Medicamentos no Brasil (PNAUM). Esta pesquisa faz parte das iniciativas do Ministério incluídas nas Pesquisas Estratégicas para o Sistema de Saúde que traduz a necessidade de conhecer aspectos relacionados ao acesso e uso racional de medicamentos no Brasil.

Fonte: O Povo,